Adolescente indígena celebra aniversário de 15 anos com comida tradicional e forró em aldeia no TO
Festa reuniu família e amigos em aldeia no Rio Javaé A adolescente Xiwela Javaé celebrou o aniversário de 15 anos com assados de tracajá e tartaruga, comid...
Festa reuniu família e amigos em aldeia no Rio Javaé A adolescente Xiwela Javaé celebrou o aniversário de 15 anos com assados de tracajá e tartaruga, comida tradicional de povos indígenas no Tocantins. A comemoração foi realizada na aldeia Barra do Rio, em Sandolândia, região da Ilha do Bananal, e contou ainda com bolo, música e forró. 📖 A legislação ambiental permite o consumo da carne de animais silvestres para subsistência pelos indígenas. Mas há regras: o consumo deve ocorrer dentro dos territórios e não pode haver comercialização. Os limites existem para evitar que a prática ameace a sobrevivência das espécies. Vídeos do momento foram compartilhados nas redes sociais e chamaram a atenção de internautas pela preservação e expressão da cultura indígena. (Veja vídeo acima). "A tartaruga é a nossa comida principal. É servida nas nossas festas culturais e em ocasiões especiais. No dia a dia, quando tem tartaruga, a família se reúne para comer junto. Nos orgulha mostrar comida tradicional do nosso povo", explica o vice-cacique da aldeia, Teixiby Javaé Valdemir Filho. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp LEIA MAIS Feirante paga faculdade de medicina das duas filhas com venda de pastel no TO Sine Tocantins oferece quase 1.000 vagas de emprego em 9 cidades Xiwela Javaé comemorou os 15 anos em aldeia na Ilha do Bananal Divulgação/Lico Xerente Em entrevista para o g1, Xiwela conta que a comemoração aconteceu no final de maio e reuniu familiares e amigos na casa dela. Assados de tartaruga, porco e carne bovina fizeram parte do cardápio. "Nossa, foi muito bom. Eu gostei muito. Eu tenho muito orgulho pelo meu povo e pela minha comunidade. Crescer nesse meio é muito legal pra mim, eu gosto daqui", diz a jovem Javaé. A tartaruga faz parte da culinária tradicional e ancestral dos povos indígenas, e a prática é cercada de regras legais e culturais de manejo sustentável. O animal pode ser cozido, assado ou frito e todas as partes são aproveitadas. O vice-cacique explica que para assar, a tartaruga é colocada na brasa com o casco e, quando pronto, basta abrir o casco e consumir. Na culinária Karajá, foram desenvolvidos o bororó e bèrèti, dois pratos típicos que se destacam pelo uso do casco do animal como recipiente para o preparo das receitas. Bororó: é uma espécie de mingau que utiliza miúdos e pedaços de carne misturados com farinha Bèrèti: é uma batida de carne que pode ser frita, preparada com farinha A Ilha do Bananal divide as aldeias Karajá, no Rio Araguaia, e Javaé, no Rio Javaé. De acordo com o vice-cacique, a aldeia Barra do Rio é da etnia Karajá, mas fica localizada na região do Rio Javaé. "A tartaruga é a nossa comida típica, prato principal do nosso povo, vem de nossos ancestrais milenares. Sempre mantemos a cultura, língua materna e as nossas comidas tradicionais vivas", finaliza Teixiby Javaé. Cultura protegida por lei Os povos indígenas são autorizados por lei a consumir a carne de animais silvestres como forma cultural, tradicional e para subsistência. Famílias indígenas no Tocantins costumam consumir a carne entre familiares e amigos da própria comunidade. De acordo com o Ibama, o consumo de tartarugas e tracajás por não indígenas é vedado dentro ou fora das terras indígenas, conforme a Lei Federal 5.197/67, sendo tipificado como crime e infração ambiental. Caso uma pessoa não autorizada seja flagrada consumindo o animal, ela poderá ser multada em valores que variam entre R$ 500,00 a R$ 5.000,00, podendo ser aplicada em dobro em caso de comercialização ou obtenção de lucro, além de detenção de seis meses a um ano conforme a Lei de Crimes Ambientais. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também foi procurada pelo g1, mas não respondeu até a última publicação desta reportagem. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.