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Após perder dois filhos, mãe de Paulínia cria grupo de apoio para mulheres que enfrentam luto gestacional

Perda gestacional e neonatal: conscientização destaca importância do acolhimento Após perder dois filhos, a terapeuta ocupacional Tatiane Ferrari, de Paulí...

Após perder dois filhos, mãe de Paulínia cria grupo de apoio para mulheres que enfrentam luto gestacional
Após perder dois filhos, mãe de Paulínia cria grupo de apoio para mulheres que enfrentam luto gestacional (Foto: Reprodução)

Perda gestacional e neonatal: conscientização destaca importância do acolhimento Após perder dois filhos, a terapeuta ocupacional Tatiane Ferrari, de Paulínia (SP), transformou a própria experiência com o luto gestacional e neonatal em uma rede de apoio para outras mães. Ela organiza encontros virtuais mensais para acolher mulheres que perderam bebês durante a gravidez ou logo após o parto. Tatiane e o marido, o engenheiro civil Sérgio Ferrari, enfrentaram duas perdas antes do nascimento dos gêmeos Leon e Gael, hoje com 5 anos. Na primeira gestação, ela sofreu um aborto espontâneo no quarto mês. Na segunda, o bebê nasceu com malformações genéticas e morreu 11 dias depois. Para preservar a memória dos filhos, o casal guarda lembranças, como as primeiras roupinhas. "É uma forma de concretizar o amor que a gente sentiu e sente pelos meninos", conta Tatiane. A experiência também levou a terapeuta ocupacional a se especializar no tema e criar um espaço de acolhimento para mulheres que passaram por situações semelhantes. "A gente já está muito doída e muitas vezes a gente quer só um espaço seguro para poder contar dessa história", afirma. Luto gestacional: o que diz a lei? A terapeuta ocupacional Tatiane Ferrari, de Paulínia (SP), criou uma rede de apoio para acolher mães que enfrentam o luto gestacional e neonatal Reprodução/EPTV Desde 2025, uma lei federal estabelece medidas para humanizar o atendimento a famílias que enfrentam perdas durante a gravidez ou após o nascimento. A Lei nº 15.139/2025 instituiu a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental e definiu outubro como o Mês do Luto Gestacional, Neonatal e Infantil no Brasil. A legislação prevê direitos que devem ser garantidos pelos serviços de saúde públicos e privados, entre eles: Encaminhamento para acompanhamento psicológico; Acomodação em ala separada das demais pacientes que deram à luz; Espaço e tempo para a família se despedir do bebê, caso deseje; Emissão de declaração com data e local do parto e o nome escolhido para o natimorto; Possibilidade de incluir o nome do bebê natimorto no registro em cartório. A psicóloga Juliana Moroni, do Instituto do Luto Parental, explica que o acolhimento recebido no hospital pode fazer diferença na forma como a família enfrenta a perda. "O jeito como essa família é acolhida faz muita diferença para que ela consiga atravessar esse luto. Perder um filho não é uma coisa que tem como ser resolvida, mas que passe por esse período de uma maneira um pouco mais tranquila e humanizada", explica. Como acolher uma mãe que perdeu um bebê? Tatiane e o marido, o engenheiro civil Sérgio Ferrari, ao lado dos gêmeos Leon e Gael, hoje com 5 anos Reprodução/EPTV Para Tatiane, o apoio de familiares e amigos é fundamental, mas nem sempre exige palavras ou conselhos. Muitas vezes, basta estar presente e respeitar a dor da mãe. "Você não precisa falar nada para acolher essa mãe. Muitas vezes você tem que estar do lado e deixar ela chorar. A dor de um filho não passa, ela permanece. Na dúvida, esteja presente", orienta. Hoje, mãe dos gêmeos Leon e Gael, Tatiane se define como uma mulher "plenamente feliz", sem deixar de preservar a memória dos dois filhos que perdeu. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas