cover
Tocando Agora:

Arquivos de Epstein podem ser apenas 'ponta do iceberg' na investigação contra Andrew

As acusações que podem piorar ainda mais a situação de Andrew, preso hoje Quando o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi preso por volta das 8h desta ...

Arquivos de Epstein podem ser apenas 'ponta do iceberg' na investigação contra Andrew
Arquivos de Epstein podem ser apenas 'ponta do iceberg' na investigação contra Andrew (Foto: Reprodução)

As acusações que podem piorar ainda mais a situação de Andrew, preso hoje Quando o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi preso por volta das 8h desta quinta-feira (19), a detenção não tinha nada a ver com Virginia Giuffre, a mulher que o acusou de abuso sexual. O que levou à sua prisão começou com informações divulgadas nos arquivos de Epstein em janeiro, referentes às atividades desempenhadas por Andrew enquanto enviado comercial do governo britânico. Mas não parou por aí. Foram os e-mails presentes nesses arquivos, aparentemente trocados entre Andrew e o criminoso sexual Jeffrey Epstein, que levaram a polícia de Thames Valley a se envolver no caso. Um e-mail em particular chamou a atenção. Em novembro de 2010, depois de retornar de uma viagem à Ásia financiada pelo governo do Reino Unido, Andrew recebeu uma série de relatórios sobre os países visitados. Cinco minutos depois de recebê-los, o ex-príncipe aparentemente os enviou para Epstein, que, àquela altura, já havia sido condenado e cumprido pena por crimes sexuais. Novas revelações surgiram a partir dos e-mails encontrados nos arquivos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Jeffrey Epstein e o príncipe Andrew Getty Images Um mês depois, na véspera de Natal, Andrew teria enviado a Jeffrey Epstein um e-mail com informações confidenciais sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão — na época supervisionada pelas Forças Armadas britânicas e financiada com recursos do governo do Reino Unido. Em um outro e-mail, enviado em 9 de fevereiro de 2011, Andrew parece sugerir que Epstein invista em uma empresa de private equity (fundos de capital privado) que ele havia visitado na semana anterior. Essas mensagens devem ter sido o ponto de partida para o que hoje se transformou em uma investigação conduzida pela polícia de Thames Valley. Mas os investigadores não devem ter se baseado apenas nos e-mails divulgados. Para construir o caso, a polícia provavelmente procurou o governo britânico e também o palácio, solicitando acesso a comunicações que possam esclarecer o que, de fato, estava acontecendo. Na última segunda-feira, o palácio afirmou que "apoiaria" a investigação da polícia de Thames Valley. Os investigadores também devem ter vasculhado os cerca de três milhões de documentos que compõem os arquivos de Epstein, além de solicitar cópias na íntegra ao FBI e ao Departamento de Justiça americano. A Agência Nacional de Combate ao Crime está auxiliando as forças policiais do Reino Unido nesses pedidos. Até agora, o que veio à tona parece ser apenas a ponta do iceberg, mas os investigadores podem ter visto mais do que aparece na superfície. Príncipe Andrew deixa a delegacia de Aylsham, no Reino Unido, após ser detido nesta quinta (19) Phil Noble/Reuters É muito improvável que a polícia tenha detido Andrew nesta quinta com base apenas em alguns e-mails encontrados nos arquivos de Epstein. Até o momento, Andew foi apenas preso. Ele não foi acusado de algum crime. Ele sempre negou qualquer irregularidade decorrente da sua relação com Epstein e não respondeu a perguntas específicas da BBC sobre os arquivos divulgados em janeiro. E vale lembrar novamente: essa prisão não tem nenhuma relação com as alegações feitas anteriormente por Giuffre, que acusou Andrew de forçá-la a fazer sexo em diversas ocasiões no início dos anos 2000. Um acordo financeiro extrajudicial foi firmado entre Andrew e Giuffre em 2022, que não incluiu nenhuma admissão de culpa por parte do ex-príncipe. A polícia liberou Andrew na noite desta quinta-feira, mantendo-o sob investigação. Em prisões relacionadas a crimes de "colarinho branco" é comum que as pessoas detidas sejam mantidas sob custódia por algumas horas para que buscas e interrogatórios sejam feitos. Ser liberado nessa condição não descarta a possibilidade de novos depoimentos no futuro. Agora, os investigadores terão uma decisão importante a tomar — um processo que pode levar semanas. Policiais com uma coroa em seus distintivos deverão se reunir com advogados do Ministério Público da Coroa para decidir se há provas suficientes para apresentar uma denúncia formal contra o irmão do rei. Se decidirem levar o caso adiante, o processo será registrado como "R versus Mountbatten-Windsor" — ou, em termos simples, o rei contra o irmão do rei. LEIA TAMBÉM Ex-príncipe Andrew preso em investigações do caso Epstein: o que se sabe e quais os próximos passos Como ex-príncipe Andrew foi de 'herói' das Malvinas a pária da família real britânica 'Mereceu', 'monarquia não está acima da lei': britânicos celebram prisão do ex-príncipe Andrew VÍDEOS: mais assistidos do g1