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Avanço da maré altera funcionamento de barracas e causa prejuízos na Praia da Lagoinha, no Ceará

Vídeos mostram diferença em barracas na Praia da Lagoinha devido ao avanço da maré. A ressaca do mar que causou prejuízos a barracas da Praia da Lagoinha, ...

Avanço da maré altera funcionamento de barracas e causa prejuízos na Praia da Lagoinha, no Ceará
Avanço da maré altera funcionamento de barracas e causa prejuízos na Praia da Lagoinha, no Ceará (Foto: Reprodução)

Vídeos mostram diferença em barracas na Praia da Lagoinha devido ao avanço da maré. A ressaca do mar que causou prejuízos a barracas da Praia da Lagoinha, na região metropolitana de Fortaleza, foi a mais forte vista nos últimos 20 anos, conforme relatos dos trabalhadores do local. A praia, que fica no município de Paraipaba, é um dos destinos turísticos do Ceará e também é afetada pela erosão costeira. Com o fenômeno da ressaca, que seguiu impactando a região na primeira semana do ano, empresários e gestores implementam medidas paliativas enquanto continuam a debater soluções mais duradouras para os desafios do avanço do mar. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp As intervenções emergenciais incluem avisos aos banhistas e clientes sobre horários de frequentar a praia, isolamento de trechos da orla e a instalação de pedras e sacos de areia para tentar conter a força das ondas. O problema da ressaca trouxe impactos para o turismo e para as estruturas das barracas na faixa de areia neste início de ano. No entanto, estudos técnicos estão em andamento para projetos de engenharia de longo prazo, conforme a Prefeitura de Paraipaba. Em levantamento elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), o município aparece com quatro pontos da orla em situação de erosão crítica. O estudo apontou que as 20 cidades litorâneas do Ceará são afetadas pela erosão costeira. Paraipaba também é uma das cidades que devem sofrer com intensas erosões até 2030, conforme estudo realizado pelo Departamento de Geologia da Universidade Federal do Ceará (UFC). A pesquisa mostra que metade da costa cearense deve perder pelo menos 10 metros de faixa de areia até 2040. Ressaca do mar mais forte Praia da Lagoinha, no Ceará, registra ressaca do mar no início deste ano O mar tem se mostrado mais agitado e com ondas mais altas e fortes desde o início de dezembro, conforme relatam os trabalhadores da Praia da Lagoinha. A partir do dia 18 de dezembro, as ondas começaram a encostar nas estruturas das barracas. Nos primeiros dias de 2026, as ondas invadiram áreas onde as barracas de praia costumam colocar mesas e cadeiras para os clientes. A força das águas também danificou estruturas físicas das barracas, além de derrubar coqueiros centenários da orla. Como conta Francisco Dudé, proprietário de uma das barracas da região há 33 anos, os efeitos da ressaca do mar ainda foram sentidos durante a última semana. Ele explica que as ressacas do mar geralmente atingem a região no fim do ano. “Como eu já estou aqui há muito tempo, eu já enfrentei bem umas três [ressacas] dessas. Mas como essa, só vem de 20 em 20 anos”, relatou. Em dias de atividade normal, são 40 trabalhadores para atender os clientes, com cadeiras, mesas e guarda-sóis espalhados pela areia da praia. Atualmente, o estabelecimento só funciona nos horários em que a maré está baixa. Quando a maré está subindo, os clientes já começam a pagar as contas para deixar o local. LEIA TAMBÉM: Erosão costeira causa avanço do mar em todas as 20 cidades litorâneas do Ceará, aponta estudo Cidade com mais trechos afetados pela erosão costeira no Ceará já perdeu até 81 metros de faixa de areia Mar agitado aumenta número de resgates e afogamentos nas praias do Rio Com a diminuição da clientela, Francisco explica que precisou reduzir também o número de funcionários. Os cuidados também são para limpar bem o local depois que as ondas vão embora. Como explica, os resíduos deixados podem dar impressão de que a barraca não está sendo bem cuidada. As alterações nos horários também são realizadas na barraca da mãe de Emanuelle Morais. O estabelecimento, que funcionava até 18h em condições normais, tem precisado fechar mais cedo porque a maré alta invade os espaços das mesas e cadeiras para clientes. Maré avança e causa prejuízo a barracas na Praia de Lagoinha, na Grande Fortaleza. Reprodução Ao g1, ela explicou que a mãe precisou fazer um empréstimo de R$ 15 mil para consertar parte da estrutura danificada pela maré. Como detalha Leo Morais, proprietário de outra barraca na orla, os horários da maré alta variam a cada dia: o ápice foi por volta das 15h no dia do Réveillon, enquanto a maré ficou cheia por volta das 17h30 na última segunda-feira (5). “A gente tá orientando o cliente. Por exemplo, se de manhã ela [maré] tá seca, a gente monta o guarda-sol, mas orienta que a partir de algum horário, a gente vai ter que retirar. E que, se eles quiserem consumir um almoço ou alguma coisa com antecedência, isso seria mais viável”, exemplifica Leo. Diferente de outras barracas mais próximas à faixa de areia, o estabelecimento de Leo tem uma estrutura mais recuada, com um pavimento no nível do calçadão da avenida Beira-Mar. Ele explica que as ondas têm se aproximado da estrutura mais recuada da barraca. E que, mesmo com este pavimento superior, boa parte do movimento dos clientes acontece nas mesas colocadas na faixa de areia. Medidas emergenciais Efeitos da ressaca do mar em barracas de praia em Lagoinha, no Ceará Reprodução O município de Paraipaba tem 11 km de extensão de litoral. Segundo a Prefeitura, todas as praias sofrem com os impactos da erosão costeira, com efeitos mais percebidos na Praia de Lagoinha, que corresponde a 1 km da orla e tem ocupação mais intensa da faixa de areia. De acordo com a gestão, a situação enfrentada atualmente na Praia da Lagoinha pode se estender até o fim de fevereiro, antes da mudança da dinâmica dos ventos com o fim do verão. A Prefeitura informa que o fenômeno natural das ressacas do mar é acentuado entre o fim de dezembro e o início de fevereiro, na época em que as marés de sizígia (marés mais altas nos períodos de Lua Nova e Lua Cheia) causam maiores danos estruturais. Com a estrutura das barracas de praia comprometidas, instabilidade e aspecto de degradação na orla, a ameaça é de declínio no turismo, complementa a gestão. As ações de contingência e medidas emergenciais adotadas foram: Instalação de pedras e sacos de areia para conter o avanço das ondas no período de ressacas Isolamento de áreas críticas pelo alto risco de desabamento da encosta e de estruturas atingidas, entre os trechos onde ficam as “bicas” (fontes naturais na beira da praia) e as barracas. Alerta de perigo aos banhistas pela exposição às pedras e entulhos na área de banho por conta dos restos de muros e de pavimentação destruídos pelas ondas Conforme trabalhadores da região, a Prefeitura tem auxiliado com a disponibilização de caçambas, tratores e sacos de areia para as medidas emergenciais, também mantendo contato com os estabelecimentos afetados pelas marés altas. De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente de Paraipaba, uma comissão de enfrentamento à ressaca do mar foi criada pela prefeita Ariana Aquino (Republicanos), envolvendo também a Secretaria do Turismo. A comissão busca dar suporte às famílias afetadas e levantar estudos para amenizar impactos de episódios futuros. Avanço do mar como problema maior Praia da Lagoinha corresponde a 1 km da costa do município de Paraipaba, no Ceará Divulgação Ao longo dos anos, a erosão costeira e o avanço do mar também têm se apresentado como um desafio para a Praia da Lagoinha. De acordo com informações da Prefeitura, este trecho da praia tem uma configuração única, sendo uma faixa de praia estreita ao lado de um morro íngreme. “Esta encosta é coberta por uma vegetação de transição, com características de Caatinga e Mata Atlântica. Este ecossistema é vital para a fixação do solo, mas o histórico de erosão na base do morro ameaça a estabilidade de todo o conjunto”, informa a gestão, em nota. Algumas características locais e regionais também resultam no déficit de sedimentos nas praias de Paraipaba, como Lagoinha. Conforme estudos feitos pela Prefeitura, estas causas são: Intervenções na costa de municípios vizinhos, interrompendo o fluxo natural de areia e sedimentos Intervenções no rio Curu, como barramento, extração de minérios e carcinicultura (criação comercial de camarões em cativeiro), retendo sedimentos que iriam para o litoral Degradação de dunas em Lagoinha, comprometendo o estoque natural de areia para proteção da costa A elevação do nível do mar por conta das mudanças climáticas e do aquecimento global também é apontada como fator que contribui para o avanço do mar na região. Outro fator local é a interação entre o mar e o morro íngreme da Praia da Lagoinha. "Sem essa sustentação inferior, o risco de deslizamentos aumenta drasticamente. É urgente impedir que o mar continue a desgastar esse paredão para evitar desastres geológicos", diz a Prefeitura, em nota. Ainda conforme a gestão, preservar a vegetação nativa é a principal barreira contra a erosão causada por chuvas e ventos no topo do morro. Intervenções e tentativas No último mês de abril, a barraca de Francisco Dudé ergueu uma parede de contenção a cerca de 4 metros da entrada do restaurante. Em seguida, ele foi adicionando pedras em frente ao pequeno muro para ajudar a conter o avanço da maré. Com o passar dos meses, Francisco observou que a parede construída tem sido pouco efetiva para conter o avanço do mar sobre a barraca, que vem se intensificando. No mês de novembro, a barraca de Leo Morais também ganhou uma intervenção para tentar amenizar a força das ondas, que chegam cada vez mais perto do estabelecimento. A tentativa foi erguendo uma mureta de tijolos, reforçando a proteção com pedras. No entanto, em pouco tempo a estrutura se mostrou insuficiente e foi destruída. Os proprietários das barracas têm se reunido com representantes da Prefeitura para discutir o tema. Além de debater possíveis intervenções de engenharia, como a criação de paredes de contenção ou um espigão, eles também estão interessados em saber se intervenções em municípios vizinhos estão afetando a região. Segundo a Prefeitura, soluções definitivas para lidar com a erosão costeira dependem da conclusão de estudos técnicos para basear projetos de engenharia de longo prazo. Estes estudos incluem o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas, atualização do Plano Diretor, Plano de Zoneamento Costeiro Municipal, Estudos de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento, incluindo levantamento do histórico e projeções futuras para a região. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: