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Aviões, pilotos e pistas clandestinas: PF detalha esquema que levava drogas do Paraguai ao RS

PF detalha esquema que levava drogas do Paraguai ao RS A Justiça Federal aceitou a denúncia contra 18 pessoas investigadas por participação em um esquema de...

Aviões, pilotos e pistas clandestinas: PF detalha esquema que levava drogas do Paraguai ao RS
Aviões, pilotos e pistas clandestinas: PF detalha esquema que levava drogas do Paraguai ao RS (Foto: Reprodução)

PF detalha esquema que levava drogas do Paraguai ao RS A Justiça Federal aceitou a denúncia contra 18 pessoas investigadas por participação em um esquema de tráfico de drogas que utilizava aviões de pequeno porte para transportar entorpecentes até o Rio Grande do Sul. Segundo a Polícia Federal (PF), a organização envolvia pilotos, traficantes e pessoas responsáveis por aeródromos e pistas de pouso e decolagem. A investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) identificou uma rota que começava no Paraguai, passava pelo Paraná e chegava ao território gaúcho. De acordo com a PF, as drogas eram transportadas em aeronaves de pequeno porte e depois distribuídas para abastecer facções criminosas do estado. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Os réus respondem por tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Chefe do grupo teria comandado esquema de dentro da prisão Um dos investigados apontados como líderes do grupo é Fernando Luiz Doval Júnior, identificado pela PF como chefe da organização criminosa. Ele foi preso em 2023, no Rio de Janeiro, por policiais gaúchos, enquanto almoçava em um restaurante na Barra da Tijuca. Na época, era considerado um dos principais foragidos do Rio Grande do Sul e era procurado pela Interpol. Depois da prisão, Doval foi encaminhado à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), na Região Carbonífera do estado. Segundo a PF, mesmo detido, ele continuou a comandar as atividades do grupo. A investigação identificou que um celular teria chegado até o preso por meio de um drone. A PF obteve imagens que mostram o lançamento de um aparelho, preso a uma linha, e o resgate do objeto. De acordo com o delegado Márcio Teixeira, o telefone seria destinado a Doval. "A gente passa a monitorar a intimidade telemática desse indivíduo quando ele está recluso, quando ele está recolhido ao sistema carcerário", afirmou o delegado. Segundo a PF, Doval teria contratado pilotos para realizar os voos e utilizado aeronaves de empresas privadas de táxi aéreo. A investigação aponta que pessoas transportavam a droga dentro dos aviões, enquanto as empresas responsáveis pelos serviços de táxi aéreo não tinham conhecimento do transporte dos entorpecentes. Aeródromos e pistas clandestinas eram usados pelo grupo A PF identificou o uso de diferentes estruturas de pouso e decolagem no Rio Grande do Sul. Entre os locais investigados está o Aeroclube Albatroz, em Osório, no Litoral Norte. Um dos responsáveis pelo local, conforme a investigação, receberia pagamentos mensais de R$ 5 mil para permitir a utilização da estrutura pelo grupo. A Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão no aeroclube. Segundo o delegado Márcio Teixeira, o espaço era utilizado para testes e manutenção de aeronaves e funcionava como um dos pontos de apoio da organização no estado. Procurado pela reportagem, o presidente do Aeroclube Albatroz, Cláudio Zabiela, confirmou que a PF esteve no local, mas negou irregularidades: "Não tô sabendo disso aí não. A polícia esteve aqui, eu que recebi eles aqui, mas não houve nada disso", defendeu-se. A investigação também identificou uma pista clandestina entre os municípios de Palmares do Sul e Mostardas, no Litoral Sul. O local foi registrado por imagens de satélite e, segundo a PF, era utilizado pelo grupo para pousos e decolagens. Outros aeródromos menores, em Eldorado do Sul e Novo Hamburgo, também aparecem na investigação. De acordo com o delegado, esses locais têm um controle menos rigoroso do que aeroportos comerciais, o que facilitava a atuação da organização. Investigação começou após apreensão de cocaína em avião Um dos episódios que chamou a atenção dos investigadores ocorreu em outubro de 2023, quando 35 quilos de cocaína foram apreendidos em malas dentro de uma aeronave fretada no Aeroporto de Caxias do Sul, na Serra gaúcha. A partir daquele caso, a Polícia Federal aprofundou as apurações sobre o transporte de drogas por meio de aviões de pequeno porte e identificou a atuação de uma rede criminosa com conexões entre diferentes estados. Em agosto de 2026, a operação policial prendeu 17 pessoas ligadas ao esquema. Com a conclusão da investigação, a PF encaminhou o material à Justiça Federal, que recebeu a denúncia contra 18 investigados. Com isso, eles passaram à condição de réus no processo. Três dos indiciados eram pilotos. Também há familiares e um advogado entre os responsabilizados. O que dizem os citados A defesa de Fernando Doval Júnior afirmou que ainda não analisou os detalhes da investigação, que durou mais de três anos. O advogado disse que pretende demonstrar no processo que as acusações são equivocadas. A Polícia Penal informou que realizou intervenções estruturais na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas para ampliar a segurança, entre elas a instalação de telas nas janelas das celas. Também citou mudanças implementadas em março de 2026, como a adoção de uniformes, o encerramento da cantina e alterações nas visitas. A instituição informou ainda que inaugurou um Módulo de Segurança Máxima, que permite o isolamento de lideranças criminosas, e que o bloqueio de sinais de comunicação está em fase de implementação. Por questões legais e de segurança, a Polícia Penal não comenta movimentações ou localizações de presos durante o cumprimento da pena. A instituição não informou se houve alguma movimentação de Doval após a suposta chegada do celular à penitenciária. PF detalha esquema que levava drogas do Paraguai ao RS Divulgação/Polícia Civil VÍDEOS: Tudo sobre o RS