Chacina em Goiatuba: atirador monitorou redes sociais, fotografou vítimas e enviou áudios sobre o crime, conclui polícia
Chacina em Goiatuba: polícia conclui inquérito A Polícia Civil concluiu que Leonardo José de Araújo, apontado como autor da chacina que deixou três mortos...
Chacina em Goiatuba: polícia conclui inquérito A Polícia Civil concluiu que Leonardo José de Araújo, apontado como autor da chacina que deixou três mortos em uma propriedade rural de Goiatuba, no sul de Goiás, monitorou redes sociais antes dos crimes, fotografou as vítimas já mortas e enviou mensagens e áudios a pessoas próximas nos quais narrava os homicídios. O inquérito foi concluído na quinta-feira (6). Leonardo foi indiciado pelo feminicídio de Jaine Barbosa Chaves e pelos homicídios qualificados de Nahtan Moraes Dutra Campos e Beatriz Soares de Souza. Segundo a Polícia Civil, os três foram mortos a tiros no dia 28 de julho. O investigado também foi encontrado baleado após atirar contra o próprio peito. O processo corre em segredo de Justiça e, por isso, o g1 não conseguiu localizar a defesa de Leonardo José de Araújo. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Leonardo permanece preso preventivamente por decisão judicial. De acordo com a Polícia Civil, ele segue internado em estado grave em uma unidade hospitalar de Goiânia, sob custódia e escolta da Polícia Penal. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Jaine Chaves, Nahtan Campos e Beatriz Soares foram mortos em uma fazenda, em Goiatuba, na terça-feira (28). Reprodução/TV Anhanguera LEIA TAMBÉM: Jovem morta pelo namorado em chacina falou com a mãe enquanto era ameaçada: 'Me perdoa, te amo' Veja quem eram as vítimas da chacina que deixou três mortos em fazenda, em Goiás Chacina foi descoberta após jovem conseguir mandar localização para a irmã antes de morrer, diz polícia Redes sociais ajudaram a localizar vítimas De acordo com a investigação, Leonardo mantinha um relacionamento afetivo com Jaine e, dias antes dos crimes, passou a suspeitar que ela tivesse um relacionamento com Nahtan. A análise dos celulares, autorizada pela Justiça, mostrou que Leonardo e Jaine trocaram mensagens até a manhã do dia da chacina. Segundo a Polícia Civil, Jaine havia informado a Leonardo que estaria em Goiânia. No entanto, a investigação apontou que ela permanecia desde o sábado anterior em uma chácara na zona rural de Goiatuba, acompanhada de Nahtan e Beatriz. Os policiais descobriram que Leonardo monitorava as redes sociais de Beatriz. Na galeria do celular dele, foram encontradas capturas de tela de publicações feitas por ela no Instagram. As imagens mostravam um fogão caipira e comida típica goiana em um ambiente rural. As publicações não tinham marcação de localização, mas, segundo os investigadores, reforçaram a convicção de Leonardo de que Jaine não estava em Goiânia e permanecia em Goiatuba com as outras duas vítimas. A polícia apurou ainda que Leonardo procurou adquirir uma arma de fogo na véspera da chacina. Na manhã do dia dos crimes, ele voltou a procurar um estabelecimento comercial para tratar da compra do armamento. Horas depois, utilizando um veículo alugado, Leonardo foi até a propriedade rural. Segundo a investigação, ele permaneceu no local por aproximadamente seis minutos. Seis minutos na propriedade Na chácara, Nahtan foi atingido por dois tiros, ambos na região da nuca. Beatriz também foi atingida por dois disparos, no tórax e na cabeça, conforme a Polícia Civil. Depois dos primeiros dois homicídios, Leonardo deixou a propriedade levando Jaine ainda com vida. Segundo a investigação, o carro permaneceu estacionado por aproximadamente uma hora em uma estrada vicinal da zona rural. Nesse intervalo, Jaine conseguiu fazer uma ligação para a mãe e compartilhar a localização por um aplicativo de mensagens. De acordo com a polícia, as informações permitiram que os familiares acionassem o serviço de emergência e foram determinantes para que as equipes localizassem as vítimas e o investigado. Jaine foi encontrada morta dentro do veículo, com quatro ferimentos provocados por disparos de arma de fogo. Leonardo estava ao lado dela, ainda com vida e com um ferimento provocado por um tiro contra o próprio tórax. Fotos das vítimas e áudios sobre os crimes A análise do celular de Leonardo revelou outros elementos que, segundo a Polícia Civil, ajudaram a reconstruir a dinâmica da chacina. Os investigadores encontraram fotografias de vítimas já mortas, além de mensagens de texto e diversos áudios enviados a pessoas do círculo de convivência dele. Nos áudios, conforme a investigação, Leonardo narrava em tempo real a prática dos homicídios e manifestava a intenção de tirar a própria vida. A polícia também descobriu que ele realizou transferências bancárias para um conhecido e afirmou que o dinheiro seria destinado às despesas do próprio sepultamento. Antes de atirar contra si, Leonardo enviou a terceiros as senhas de acesso ao próprio celular e ao telefone de Jaine. Após autorização judicial, a Polícia Civil extraiu os dados armazenados nos dois aparelhos. Segundo a corporação, o material permitiu reconstruir a dinâmica dos crimes, esclarecer a motivação e reunir elementos de prova para a conclusão do inquérito. Polícia aponta premeditação A arma usada nos crimes foi identificada como um revólver calibre .22, apreendido com Leonardo no momento da prisão. Uma perícia confirmou que o armamento estava em perfeito funcionamento. Segundo a Polícia Civil, as perícias e os demais elementos reunidos mostraram que o revólver foi recarregado ao menos uma vez durante os crimes. Para os investigadores, essa circunstância reforça a conclusão de que houve premeditação. Ao final da investigação, Leonardo foi indiciado por um feminicídio consumado, pela morte de Jaine, e dois homicídios qualificados consumados, pelas mortes de Nahtan e Beatriz. A polícia apontou, nos três crimes, as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas. De acordo com a Polícia Civil, consideradas as penas máximas previstas para os crimes pelos quais foi indiciado, Leonardo poderá ser condenado, em tese, a até 100 anos de prisão. A eventual condenação e a pena serão definidas pela Justiça. Relembre o caso A chacina aconteceu na noite de 28 de julho. Inicialmente, os corpos de Nahtan e Beatriz foram encontrados em uma casa na propriedade rural. Jaine foi localizada dentro de um carro, a cerca de 12 km do local. A mãe de Jaine, Maria Raimunda Barbosa Souza, contou ao g1 que recebeu uma ligação de Leonardo antes da morte da filha. Segundo ela, o homem afirmou que já havia matado duas pessoas e disse que Jaine também morreria. Antes de ser morta, Jaine conseguiu compartilhar a localização com a irmã. Leonardo foi encontrado ferido ao lado do corpo dela e encaminhado para atendimento médico. Com a conclusão do inquérito, a Delegacia de Polícia de Goiatuba encaminhou os autos à Justiça e ao Ministério Público para as providências legais cabíveis. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás