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‘Deixar tudo isso para trás é difícil’, diz morador afetado pelo isolamento após seca severa no Bailique (AP)

Seca e assoreamento impedem passagem de embarcações no Bailique Não chove de forma significativa no Arquipélago do Bailique, distrito do Amapá, desde junho...

‘Deixar tudo isso para trás é difícil’, diz morador afetado pelo isolamento após seca severa no Bailique (AP)
‘Deixar tudo isso para trás é difícil’, diz morador afetado pelo isolamento após seca severa no Bailique (AP) (Foto: Reprodução)

Seca e assoreamento impedem passagem de embarcações no Bailique Não chove de forma significativa no Arquipélago do Bailique, distrito do Amapá, desde junho deste ano. Com os rios mais baixos, o acúmulo de sedimentos se torna ainda mais evidente e transforma o caminho das embarcações. João Marques Filho, morador da comunidade de Livramento, conta que a situação limita a sobrevivência dos moradores, mas deixar a localidade de vez, para ele, não é uma escolha simples. Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp "Deixar tudo que a gente construiu com o tempo... se deslocar daqui para outro lugar porque o acesso é mais fácil, refazer de novo, é complicado. Deixar tudo isso para trás é difícil", diz o morador. João relatou sobre a dificuldade de deixar o Arquipélago do Bailique. Fredy Yago/Rede Amazônica A viagem até o Arquipélago do Bailique começa em Santana (AP) e segue por mais de 180 quilômetros de rio. São cerca de cinco horas de lancha até a Vila Progresso, sede administrativa da localidade. Até ali, a viagem acontece sem grandes dificuldades. LEIA MAIS: Estudantes empurram barcos na lama para ir à escola durante seca no Bailique, no AP: 'Não tem outro jeito' Seca e assoreamento isolam comunidades no Bailique: 'se tornou um deserto', diz morador Focos de calor no Amapá sobem 400% no início da estiagem, aponta meteorologista Rios secos e acesso prejudicado Para chegar a comunidades, como Livramento, é preciso entrar em canais que perderam profundidade com a estiagem. A água baixou, as margens avançaram sobre o caminho e a lama e a areia passaram a ocupar espaços que antes eram percorridos por embarcações maiores. Um trecho de mais de quatro quilômetros, antes usado para navegação, não oferece as mesmas condições. Em alguns pontos, é preciso esperar a água subir. Em outros, a alternativa é continuar o trajeto a pé. Canais no Bailique perderam a profundidade com a estiagem. Crystofher Andrade/Rede Amazônica A passagem exige mais cuidado e aumenta o receio de encontros com arraias, que podem ficar em áreas rasas. Em Livramento, o rio também deixou de alcançar lugares que costumava cobrir. João lembra de quando a água chegava até a margem. “A água ainda chegava nos barrancos. Ele chegava até a cobrir nessa terra. Já teve barco grande que entrou aqui, atracava, deixavam motor de luz, madeira. Hoje tá nessa situação”, conta. Trechos bloqueados Alguns trechos ficaram difíceis ou impossíveis de atravessar de barco. Edinei Lopes conta que não é mais possível avançar normalmente para comunidades que ficam adiante. “Pra lá não tá tendo acesso. Aqui é o limite máximo. Daqui só dá pra voltar. Eles não podem vir de lá pra cá e nós nem podemos chegar até eles. Todos ficamos sem condição de descarregar”, diz o morador. Edinei relata que ele e outros moradores precisaram abrir um canal para garantir a chegada da água à comunidade Fredy Yago/Rede Amazônica Antes de chegar até lá, Aremilton Costa, morador da comunidade Jaranduba, aponta para um desses trechos. Ele conhece aquele caminho desde que nasceu e percebe a mudança na largura do canal. “Aqui era muito maior. A beira do rio era próxima daquele mato mais alto. Começou a secar, virar praia e criou mato. Cada vez tá fechando mais esse canal”, conta. Nascido e criado no arquipélago do Bailique, Aremilton acompanha com aflição a grave situação enfrentada pela região Fredy Yago/Rede Amazônica Moradores são afetados por isolamento após seca severa no Bailique. Crystofher Andrade/Rede Amazônica