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Diagnóstico de comorbidades e quase 450 mortes registradas: painel aponta como é a saúde de detentos em cadeias do Oeste Paulista

Painel aponta como é a saúde de detentos em cadeias do Oeste Paulista Dados do relatório criado por pesquisadoras do Núcleo de Estudos da Violência da USP ...

Diagnóstico de comorbidades e quase 450 mortes registradas: painel aponta como é a saúde de detentos em cadeias do Oeste Paulista
Diagnóstico de comorbidades e quase 450 mortes registradas: painel aponta como é a saúde de detentos em cadeias do Oeste Paulista (Foto: Reprodução)

Painel aponta como é a saúde de detentos em cadeias do Oeste Paulista Dados do relatório criado por pesquisadoras do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV/USP) apontam como é a saúde de detentos em cadeias do estado de São Paulo. Com base no painel, o g1 reuniu nesta quarta-feira (27) as informações das unidades prisionais do Oeste Paulista. Entre 2024 e 2025, mais de 22 mil atendimentos aos presos deixaram de ser realizados por falta de escolta no estado paulista. Ao todo, 67.982 atendimentos externos ocorreram, aponta o relatório. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Dentre os atendimentos que deixaram de ser oferecidos, incluem: consultas especializadas; cirurgias; atendimentos de urgência; exames diagnósticos. Painel aponta como é a saúde de detentos em cadeias do Oeste Paulista Divulgação/SAP Casos de câncer e diabetes O painel não aponta casos de câncer ou diabetes; no entanto, o g1 conversou com famílias de detentas que se encaixam nesse diagnóstico. Atualmente, um dos casos é de uma presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP), mesma unidade prisional em que Deolane Bezerra se encontra, mas em alas diferentes. LEIA TAMBÉM: Por que Deolane foi para Tupi Paulista, e não para Tremembé, o ‘presídio dos famosos’ Moradores dizem desconhecer que endereços do interior de SP eram usados em ‘empresas fantasmas’ pelo PCC Vítimas de violência doméstica têm prioridade em vagas de cursos profissionalizantes em Prudente A família relatou que a mulher foi diagnosticada com câncer no útero enquanto já estava cumprindo pena. No entanto, não recebe o apoio necessário para tratar a doença, segundo a irmã. O tratamento de quimioterapia e radioterapia da detenta é feito no Hospital de Esperança em Presidente Prudente (SP), unidade referência para tratamento oncológico no Oeste Paulista. “Elas [detentas] passam por médicos na unidade, porém, dizem que não fornecem remédios suficientes para elas. Não tem remédio de uso contínuo. Ela [a irmã presa] foi parar no castigo porque teve surto psicótico de tanta dor, chega a agonizar.” Complexo Penal de Tupi Paulista (SP) Gustavo Luz/TV TEM O trajeto de Tupi Paulista a Prudente, para realizar o tratamento oncológico, é feito com as viaturas da Polícia Penal e não em ambulâncias, segundo a irmã da presa. “A ambulância não seria conforto para presa com câncer maligno, seria um direito do ser humano que está limpando pelos erros já cometidos.” “Nosso sentimento como família é de revolta, sofrimento, angústia e dor. São mais de 200 famílias em rede social que relatam todo dia uma indignação diferente. Ninguém está pedindo para tratá-las como rainhas, pois estão em uma penitenciária, mas sim para serem tratadas como seres humanos com direitos na lei pela saúde. Como vão sair diferentes se elas recebem sofrimento? ” Em outro caso, na mesma unidade de Tupi Paulista, a filha afirma que envia a medicação de insulina injetável para a mãe diabética. A detenta precisa tomar o remédio de forma injetável três vezes ao dia. “Eu que estou enviando a medicação dela para a unidade, pois eles estavam aplicando insulina com uma agulha inapropriada e estavam causando hematomas severos na minha mãe”, lamenta a mulher ouvida pelo g1. Mortes causadas por doenças No Estado de SP, segundo os dados apresentados no relatório, há um cenário persistente e estrutural de mortalidade no sistema prisional paulista. Estima-se uma média anual de aproximadamente 500 mortes de pessoas privadas de liberdade; a maioria era por doença tratável. Os dados foram consolidados pelo Núcleo Especializado da Situação Carcerária (NESC) sobre óbitos por unidade prisional no período de 2015 até o primeiro semestre de 2023. Causas de mortes registras em unidades prisionais do Oeste Paulista No caso do Oeste Paulista, conforme o Núcleo de Estudos da Violência (NEV/USP), entre 2017 e 2024, foram registradas 445 mortes de detentos. Desse número, 74% dos óbitos foram por causa de saúde, com 332 registros no período. A quantidade citada acima é referente às unidades prisionais de 15 municípios no Oeste Paulista, sendo localizadas em: Caiuá Dracena Flórida Paulista Irapuru Junqueirópolis Lucélia Marabá Paulista Martinópolis Osvaldo Cruz Pacaembu Pracinha Presidente Bernardes Presidente Prudente Presidente Venceslau Tupi Paulista Considerando comorbidades, os dados no período de 2017 e 2024 demonstram que 3.791 detentos conviviam com HIV, somando o grupo feminino e masculino em unidades do Oeste Paulista; 2.851 tinham tuberculose e 1.361 tinham hepatite. Nos casos de tuberculose e hepatite, os números foram diminuindo ao longo dos anos, mas os casos de HIV se mantiveram na média. No âmbito estadual, o relatório aponta que há um cenário desigual e insuficiente de cobertura de saúde no sistema prisional, conforme informações apresentadas pelo Secretário da Administração Penitenciária na Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários em 8 de abril de 2026: 78 unidades prisionais do Estado de SP não possuem equipes vinculadas ao SUS; O atendimento é realizado por profissionais da própria SAP; Na maioria das unidades, não há presença regular de médicos. Além do relatório, as pesquisadoras criaram um Monitor do Sistema Prisional; ambas as ferramentas foram lançadas em abril deste ano. No caso do monitor, as pesquisadoras descrevem que a ferramenta pode contribuir para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas orientadas pela promoção e pelo respeito aos direitos humanos. Complexo Penal de Tupi Paulista (SP) Gustavo Luz/TV TEM Órgãos responsáveis O g1 questionou a Secretaria de Segurança Pública (SAP) a respeito de como são feitos os atendimentos para detentos que precisam de cuidados mais específicos ou paliativos e se as unidades previnem possíveis contaminações nas unidades do Oeste Paulista. Em nota, a SAP afirmou que monitora os dados por meio do Relatório de Atividades Mensais preenchido pelas unidades prisionais. Disse ainda que conta com uma Coordenadoria de Saúde do Sistema Penitenciário e que os detentos têm acesso ao atendimento médico realizado pelas equipes de saúde das unidades. “Assim que uma pessoa privada de liberdade dá entrada no sistema, as equipes de enfermagem fazem avaliações clínicas e, se necessário, encaminham para médicos ou para consultas/exames externos de saúde, quando preciso. Em casos urgentes, são acionadas as redes municipais e serviços hospitalares”, descreve. Nas unidades prisionais, os serviços de especialidades médicas ocorrem por meio da telemedicina. Quando os privados de liberdade necessitam de atendimentos presenciais, são encaminhados às referências disponíveis na Rede de Assistência à Saúde, nos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AME) ou no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário (CHSP). Sobre métodos de prevenção precoce e controle de doenças transmissíveis, a SAP afirmou que adota os protocolos de acordo com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e autoridades sanitárias. “Ações e campanhas de saúde dentro do sistema prisional paulista sempre são reforçadas. Entre as medidas estão vacinações, monitoramento clínico, testagens rápidas e investigação de agravamento de doenças”, completa a nota. Penitenciária "Zwinglio Ferreira" (P1) de Presidente Venceslau (SP) Ana Palacio/TV TEM Já a Secretaria Estadual de Saúde (SES-SP) informou ao g1 que apoia, em todos os Departamentos Regionais de Saúde (DRSs) do Estado, as ações e estratégias de saúde desenvolvidas pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) nas unidades prisionais. “A SES reforça que essas unidades contam com ambulatórios próprios de atenção primária à saúde, sob supervisão direta da SAP”, descreve em nota. Além disso, a SES afirma que as equipes de saúde das unidades prisionais são responsáveis pela execução das ações de saúde intramuros e pelo acompanhamento da assistência prestada à população privada de liberdade. Para ampliar o acesso aos serviços de saúde aos detentos, a SES desenvolveu o TeleSAP e o AME Digital. “As ações também contribuem para a capacitação das equipes locais de atenção primária nas unidades prisionais e oferecem teleconsultas em especialidades de maior demanda.” Conforme a SES, as ferramentas ajudam a agilizar os atendimentos, evitando deslocamentos de detentos e fortalecendo a integração das unidades prisionais com a rede de saúde dos territórios onde estão inseridas. Desde a implantação das iniciativas, em 2024, o TeleSAP e o AME Digital já realizaram mais de 71,6 mil teleconsultas em mais de 60 unidades prisionais do estado de SP. Penitenciária "Zwinglio Ferreira" (P1) de Presidente Venceslau (SP) Ana Palacio/TV TEM Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM