Dino relata ameaças e diz: se juiz passar a ter medo de decidir, 'não existe mais Poder Judiciário'
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (9) ter recebido trechos de um relatório da Segurança da Corte que, segu...
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (9) ter recebido trechos de um relatório da Segurança da Corte que, segundo ele, reúne milhares de mensagens com ameaças de assassinato e de outras agressões contra ele. Em uma publicação nas redes sociais, Dino afirmou que as ameaças não vão alterar sua atuação como ministro e disse que um juiz não pode deixar de tomar decisões por medo de sofrer perseguições pessoais. "Mas fica uma reflexão essencial: se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição", afirmou. Dino disse ainda que, em 37 anos como servidor público, nunca respondeu a processo criminal. Para o ministro, as ameaças são resultado da "repetição de mentiras". Fachin rejeita pedido para afastar Dino de processos relacionados a Flávio, Lula e eleições 2026 "O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência", escreveu. O ministro também afirmou que quem discorda de uma decisão judicial deve contestá-la pelos mecanismos previstos no próprio Judiciário, recorrendo aos órgãos colegiados competentes. "Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos Colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões", declarou. Ao falar sobre sua própria atuação, Dino afirmou que não pretende mudar sua conduta em razão das ameaças. "Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou", escreveu. A mensagem publicada por Dino traz uma foto com trechos das ameaças direcionadas não só a ele como a outros ministros da Corte. Ministro Flávio Dino, ministro do STF Rosinei Coutinho/STF