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Dino retira sigilo de decisões em inquérito que investiga a existência de suposta organização criminosa em órgãos públicos do Maranhão

Dino retira sigilo de inquérito que investiga suposta organização criminosa no Maranhão O ministro do Supremo Flávio Dino retirou nesta sexta-feira (14) o ...

Dino retira sigilo de decisões em inquérito que investiga a existência de suposta organização criminosa em órgãos públicos do Maranhão
Dino retira sigilo de decisões em inquérito que investiga a existência de suposta organização criminosa em órgãos públicos do Maranhão (Foto: Reprodução)

Dino retira sigilo de inquérito que investiga suposta organização criminosa no Maranhão O ministro do Supremo Flávio Dino retirou nesta sexta-feira (14) o sigilo de decisões em um inquérito que investiga a existência de uma suposta organização criminosa em órgãos públicos do Maranhão e também apura a suspeita de obstrução de justiça por parte de um senador da República. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia As suspeitas envolvendo o senador Weverton Rocha, do PDT, surgiram a partir da análise do celular dele, apreendido em 2025 durante uma operação contra fraudes no INSS, da qual ele também é alvo. As informações extraídas do celular do senador, segundo a Polícia Federal, revelaram indícios de uma tentativa de obstrução nas investigações do assassinato de um empresário em São Luís, no Maranhão, em agosto de 2022. O crime, de acordo com a PF, está relacionado a uma suspeita de pagamento de propina em contratos públicos no estado. O assassino confesso é Gilbson Cutrim Soares Júnior, condenado a 13 anos de prisão. Inicialmente, a Polícia Civil do Maranhão havia concluído que o crime ocorreu após um desentendimento pessoal. Mas, com o avanço das investigações, as suspeitas passaram a ser de que Gilbson Júnior e o empresário que viria a ser assassinado tiveram uma briga durante uma reunião sobre a divisão de propinas. Esquema que envolveria, segundo as investigações, o grupo do governador Carlos Brandão, do MDB. Em 2024, o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça porque havia indícios de envolvimento de Daniel Brandão, sobrinho do governador e atual presidente do Tribunal de Contas do Maranhão, no esquema de propina e na tentativa de obstrução do processo. No STJ, o relator era o ministro Humberto Martins. O ministro autorizou a transferência de Gilbson Júnior para a Penitenciária Federal de Brasília, depois de a PF apontar riscos para ele no Maranhão. Em outubro de 2025, o inquérito foi levado para o STF, depois que a defesa de Gilbson Júnior apontou suspeitas, veiculadas em reportagens jornalísticas e através de conversas de bastidores políticos, contra o senador Weverton Rocha. Ao longo das investigações, a Polícia Federal encontrou conversas entre o senador e o ministro relator, Humberto Martins, de janeiro de 2023 a abril de 2025. Dino retira sigilo de decisões em inquérito que investiga a existência de suposta organização criminosa em órgãos públicos do Maranhão Jornal Nacional/ Reprodução A decisão do ministro Flávio Dino, tornada pública nesta sexta-feira (14), não traz o conteúdo dessas mensagens, apenas a análise feita pela PF. Segundo o documento: "O conteúdo acessível evidencia diálogos que versam sobre encontros pessoais e processos sob relatoria do referido ministro. Inicialmente, evidenciou-se a existência de uma relação de proximidade pessoal entre os interlocutores, que ultrapassa os limites de uma interação meramente formal ou institucional". A PF afirma que "alguns pedidos realizados pelo senador ao magistrado ocorreram de modo direto, com menção nominal àqueles que teriam ações tramitando sob relatoria do ministro". De acordo com os investigadores, "no dia 2 de junho de 2025, foram registradas trocas de mensagens entre o senador Weverton Rocha e o ministro Humberto Martins. Na mesma data, foi registrada uma ligação telefônica realizada pelo senador ao ministro, atendida, com duração aproximada de 5 minutos, seguida de outra tentativa de ligação, não atendida. Na mesma data, por determinação do próprio ministro Humberto Martins, foi efetivada a transferência de Gilbson Cutrim Soares Júnior da Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, para Brasília". O ministro Humberto Martins não é investigado. A PF apura se o senador Weverton Rocha tentou, junto com outros investigados, atrapalhar a investigação do assassinato e influenciar o andamento do processo para evitar que o inquérito alcançasse o grupo político e familiares do atual governador do Maranhão, Carlos Brandão, do MDB, identificado pela Polícia Federal como provável líder da organização criminosa. O senador disse que não tem relação com o caso e que vai prestar os esclarecimentos. "Neste episódio eu era candidato a governador na eleição passada e nem parte do mesmo grupo eu fazia. Portanto, nada eu tenho a ver com essa situação. Sobre a minha relação com possíveis magistrados, todos do Congresso Nacional sabem que eu já fui relator de vários projetos, agora mesmo, na terça-feira, de um projeto importante, e que obviamente você sempre tem diálogo institucional dentro de gabinete. Por coincidência se acontecer alguma coisa num dia que ele esteve no meu gabinete, a gente conversou sobre isso, eu acho que é forçação de barra", diz o senador Weverton Rocha, do PDT/MA. Senador Weverton Rocha, do PDT/MA Jornal Nacional/ Reprodução Um dos principais suspeitos de integrar o grupo é Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança e de Assuntos Legislativos do Maranhão. Cutrim passou a ser investigado após a descoberta de uma gravação de uma conversa dele com o pai de Gilbson Júnior. Raimundo Cutrim está em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica desde julho, por ordem do ministro Flávio Dino. Na conversa, segundo a PF, Raimundo Cutrim passou "a instruir e a induzir o pai de Gilbson Júnior sobre como o filho, Gilbson Júnior, e sua nora, Lorena, deveriam alterar seus depoimentos prestados à autoridade policial. O objetivo claro era modificar a verdade dos fatos para beneficiar terceiros, notadamente a organização criminosa investigada, configurando uma nítida tentativa de obstrução da justiça e fraude processual". A PF relata no documento que Gilbson Júnior declarou ter recebido de Raimundo Cutrim a quantia de R$ 160 mil em espécie para mudar o depoimento. Raimundo Cutrim é investigado em outro inquérito no Supremo, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Nesta semana, foi alvo de busca e apreensão. Ele é a fonte do jornalista Luiz Pablo, que teve o sigilo quebrado em março e é acusado pela Polícia Federal de perseguir o ministro Flávio Dino. Associações de imprensa criticaram a operação e manifestaram preocupação com a decisão do Supremo de apreender computador e celular de um jornalista para descobrir quem era a fonte dele. A violação do sigilo da fonte é proibida pela Constituição. De acordo com a Polícia Federal, Raimundo Cutrim usou o cargo público para obter, em sistemas de acesso restrito, informações sensíveis e imagens dos veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão usados por Dino e por sua família, e repassou o material ao jornalista. As publicações de Luiz Pablo sobre o ministro começaram em novembro de 2025, um mês depois que Flávio Dino assumiu a relatoria do caso envolvendo a organização criminosa no estado do Maranhão. Segundo a PF, a divulgação reiterada no blog de informações restritas "evidenciam claramente a conduta e a intenção do autor, e provoca ameaças à integridade física ou psicológica da vítima, Flávio Dino". A Polícia Federal vai analisar equipamentos e documentos de Raimundo Cutrim apreendidos nesta semana. A assessoria de Carlos Brandão afirmou que o Supremo Tribunal Federal não tem competência para julgar casos relacionados a governadores. Daniel Brandão afirmou que é inverídica a informação de que teria participado de suposta negociação de vantagem indevida e de pagamentos atrasados do estado; qQue sempre se colocou à disposição das autoridades; e que a pessoa que confessou a prática criminosa afirmou, de início, que ele não possuía nenhuma participação com os fatos. O ministro Humberto Martins esclarece que, em razão de o processo tramitar sob segredo de justiça, não irá se manifestar. A defesa de Raimundo Cutrim afirmou que ainda não teve acesso aos autos sobre o processo de homicídio, mesmo após a prisão domiciliar; e disse que o ministro Flávio Dino não tem atuado de forma imparcial no caso. O Jornal Nacional não teve retorno da defesa de Luis Pablo. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Conexão no STJ: STF investiga se senador Weverton Rocha atuou para blindar homicídio no Maranhão; PF vê 'ecossistema' criminoso no estado PF cumpre mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário do Maranhão em caso de suposta perseguição a Dino Moraes determina investigação contra fonte de jornalista em reportagem sobre Dino