EUA e Arábia Saudita fecham acordo nuclear, diz agência
O presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o presidente libanês, Joseph Aoun (não aparece na foto), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington Evelyn...
O presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o presidente libanês, Joseph Aoun (não aparece na foto), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington Evelyn Hockstein / Reuters O presidente Donald Trump aprovou um acordo com a Arábia Saudita que poderá dar ao reino a capacidade de enriquecer urânio para seu programa nuclear civil, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto. As fontes, que não estavam autorizadas a comentar publicamente sobre a decisão ainda não anunciada oficialmente, disseram que o acordo poderá ser divulgado já nesta quarta-feira. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O pacto deverá ter duração de 30 anos e também envolverá empresas americanas no desenvolvimento do programa. O acordo poderá permitir a construção de uma instalação de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita após um estudo conjunto entre os dois países. Mas o acordo, que deverá ser submetido ao Congresso dos EUA para análise, pode enfrentar resistência entre parlamentares que temem que ajudar os sauditas a realizar seu antigo objetivo de enriquecer seu próprio urânio abra caminho para uma nova rodada de proliferação nuclear e competição armamentista. A Arábia Saudita é membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão sediado em Viena que promove o uso pacífico da energia nuclear, mas também inspeciona países para garantir que não mantenham programas secretos de armas atômicas. Agora no g1 No entanto, segundo uma das fontes, o acordo não deverá incluir o Protocolo Adicional da AIEA, que permitiria maior monitoramento, inspeções e verificação. O anúncio esperado ocorre em meio à guerra contra o Irã lançada pelos Estados Unidos e por Israel, em parte com o objetivo de eliminar a capacidade de Teerã de desenvolver uma arma nuclear. O Irã insiste que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins pacíficos. A Casa Branca e autoridades sauditas em Riad não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre a decisão, noticiada inicialmente pelo Wall Street Journal. Tanto Trump quanto o ex-presidente Joe Biden tentaram fechar um acordo nuclear com o reino para compartilhar tecnologia americana. Especialistas em não proliferação nuclear alertam, porém, que qualquer centrífuga operando em território saudita poderia abrir caminho para um eventual programa de armas nucleares no país, algo que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já sugeriu que poderia perseguir caso o Irã obtenha uma bomba atômica. Diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, Rafael Grossi, durante reunião de emergência para discutir a situação no Irã em 23 de junho de 2025. REUTERS/Elisabeth Mandl O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, viajou para a Arábia Saudita no ano passado, pouco antes da visita de Trump ao reino, e discutiu a expansão da indústria nuclear comercial saudita com seu homólogo local. O Departamento de Energia dos EUA não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário feitos na noite de terça-feira. A Arábia Saudita e o Paquistão, que possui armas nucleares, já assinaram um pacto de defesa mútua após Israel lançar um ataque contra o Catar visando autoridades do Hamas. Posteriormente, o ministro da Defesa paquistanês afirmou que o programa nuclear de seu país “estará disponível” para a Arábia Saudita, se necessário, declaração interpretada como um alerta a Israel, amplamente considerado o único país do Oriente Médio com armas nucleares. O enriquecimento de urânio não leva automaticamente à fabricação de uma arma nuclear — um país também precisa dominar outras etapas, como o uso de explosivos de alta precisão sincronizados. Ainda assim, o processo abre caminho para a militarização do programa nuclear, o que alimenta preocupações ocidentais em relação ao programa iraniano. Os Emirados Árabes Unidos, vizinhos da Arábia Saudita, assinaram com os Estados Unidos o chamado “acordo 123” para construir a usina nuclear de Barakah com apoio da Coreia do Sul. No entanto, os Emirados aceitaram não enriquecer urânio, condição considerada por especialistas em não proliferação como o “padrão ouro” para países que desejam desenvolver energia nuclear para fins civis.