Exposição apresenta animais vivos, sons, vídeos e elementos da caatinga; veja
Exposição visa conscientizar a respeito da caatinga, em SP Thaís Barreto Guedes da Costa A Caatinga costuma ser lembrada pela seca e pelas paisagens áridas ...
Exposição visa conscientizar a respeito da caatinga, em SP Thaís Barreto Guedes da Costa A Caatinga costuma ser lembrada pela seca e pelas paisagens áridas do sertão nordestino em uma visão estereotipada. Porém, uma nova exposição em cartaz no Museu Biológico do Instituto Butantan, no Parque da Ciência Butantan, quer justamente desconstruir essa perspectiva limitada e apresentar ao público a riqueza ambiental e cultural do único bioma que é exclusivamente brasileiro. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp O evento chamado “Caatinga: Bioma do Brasil” reúne imagens, sons, vídeos, mapas, elementos arqueológicos e animais vivos para mostrar a diversidade de espécies e de paisagens presentes na região semiárida. A proposta é aproximar visitantes de todas as idades de um bioma que, apesar de ocupar cerca de 10% do território nacional e ter grande importância ecológica, ainda recebe pouca atenção e cuidado em comparação a florestas como a Amazônia e a Mata Atlântica. A experiência é pensada para ser acessível e sensorial, utilizando recursos visuais e sonoros para atingir desde crianças até idosos, independentemente do nível de escolaridade. No percurso, os visitantes encontram conteúdos sobre fauna, flora, arqueologia e a cultura local. VIU ISSO? Arara-azul e lobo-guará revelam por que a fidelidade pode ser vital na natureza Oito novas mariposas são descobertas e recebem nomes de orixás; veja quais Biólogo fica frente a frente com três onças-pardas no extremo norte do Amazonas Combate a estereótipos e conservação Exposição apresenta animais vivos, sons, vídeos e elementos da caatinga; veja Thaís Barreto Guedes da Costa A iniciativa surgiu da necessidade de chamar a atenção para as chamadas “paisagens abertas” — áreas que não possuem plena cobertura florestal contínua e que são frequentemente esquecidas nos debates ambientais. Considerada uma das regiões semiáridas mais biodiversas do mundo, a Caatinga conta com espécies únicas adaptadas às altas temperaturas e à baixa pluviosidade, mas que ainda são pouco conhecidas. Segundo a pesquisadora Thaís Barreto Guedes da Costa, professora do Departamento de Biodiversidade da Unesp de Rio Claro e organizadora da exposição, o objetivo é colocar o bioma em evidência. “É comum as pessoas conhecerem animais da fauna africana, mas não reconhecerem espécies exclusivas da Caatinga”, diz a pesquisadora. “A motivação é aproximar o povo dessa riqueza, tanto a fauna e a flora quanto pela história das comunidades locais. Só preservamos o que conhecemos! Então, a exposição é uma oportunidade para as pessoas buscarem informações e se interessarem pela conservação deste bioma”, afirma Thaís. Veja o que é destaque no g1: Vídeos em alta no g1 Um dos objetivos centrais do evento é o combate a estereótipos históricos ligados ao bioma. “Precisamos desconstruir o estereótipo de que a Caatinga é feia, pobre ou ligada apenas ao sofrimento e à tristeza”, destaca a organizadora. Conforme explica a pesquisadora, a Caatinga abriga diversas espécies endêmicas — que ocorrem somente naquele ambiente — e apresenta padrões exclusivos de distribuição de fauna e flora. “Essa percepção negativa faz com que a população ache que o bioma não merece conservação. A exposição mostra como a Caatinga é diversa, colorida e bonita, ajudando a quebrar esses preconceitos”, completa. Pressão crescente e risco de desertificação Um dos objetivos centrais do evento é o combate a estereótipos históricos Thaís Barreto Guedes da Costa Outro ponto abordado na mostra é o alerta para as ameaças enfrentadas pelo bioma. De acordo com o MapBiomas, estima-se que mais de metade da vegetação natural da Caatinga já tenha sido alterada pela ação humana. Entre os principais impactos estão queimadas, desmatamento, expansão urbana e perda de habitat. Também é considerado grave o risco de desertificação. Diferentemente de outros biomas, a retirada da vegetação na Caatinga pode desencadear processos irreversíveis de degradação ambiental. A preocupação aumenta cada vez mais diante da velocidade das transformações no território. Segundo Thaís, a destruição causada por tratores e queimadas ocorre de forma mais rápida do que os avanços de pesquisas científicas capazes de descobrir e catalogar novas espécies. Além de conscientizar o público, a exposição integra ações do Plano de Ação Nacional para a conservação da herpetofauna do Nordeste, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), buscando aproximar ciência e sociedade na proteção do bioma. A exposição foi desenvolvida a partir de uma colaboração entre o Museu Biológico do Instituto Butantan, o Guedes Lab, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e o ICMBio. A iniciativa também teve apoio do Laboratório Especial de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan e do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Exposição apresenta animais vivos, sons, vídeos e elementos da caatinga; veja Thaís Barreto Guedes da Costa “Caatinga: bioma do Brasil” Data: até 4 de outubro de 2026 Horário: de terça a domingo, das 9h às 16h45 Local: Museu Biológico do Instituto Butantan, no Parque da Ciência Butantan - Av. Vital Brasil, 1500, Butantã, São Paulo Contato: (11) 2627-9463 *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente