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FGV analisa 655 páginas de Instagram para mapear o que mobiliza o público no RJ em ano eleitoral; veja as preocupações

Durante quatro meses, a FGV Comunicação acompanhou o que era publicado em 655 perfis locais, regionais e comunitários do Instagram para identificar quais ass...

FGV analisa 655 páginas de Instagram para mapear o que mobiliza o público no RJ em ano eleitoral; veja as preocupações
FGV analisa 655 páginas de Instagram para mapear o que mobiliza o público no RJ em ano eleitoral; veja as preocupações (Foto: Reprodução)

Durante quatro meses, a FGV Comunicação acompanhou o que era publicado em 655 perfis locais, regionais e comunitários do Instagram para identificar quais assuntos mais aparecem e quais conseguem mobilizar o público em diferentes partes do estado do Rio de Janeiro. O levantamento exclusivo, feito a pedido do g1, analisou publicações entre 1º de maio e 31 de agosto de 2026 e traçou um mapa do debate público digital em cinco regiões fluminenses. O resultado aponta dois temas no centro dessa conversa: saúde e segurança. Os dois aparecem no topo do ranking de interações em todas as regiões analisadas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Segurança lidera no Rio de Janeiro e Região Metropolitana, com 16,2% das interações, e na Região dos Lagos, com 19,9%. Já saúde ocupa a primeira posição no Norte Fluminense (16,4%), na Região Serrana (21,4%) e no Sul e Costa Verde (19%). Embora os dois temas concentrem a maior mobilização em todo o estado, a liderança muda de região para região, revelando diferenças importantes na dinâmica do debate público digital durante o início da campanha eleitoral. “O que se fala nessas páginas de Instagram são as coisas que estão ligadas ao dia a dia das pessoas, ao cotidiano delas. E esses temas ligados à saúde e segurança se destacaram.”, explicou o professor da Escola de Comunicação da FGV, Victor Piaia, responsável pela pesquisa. FGV analisa 655 páginas de Instagram para mapear o que mobiliza o público no RJ em ano eleitoral FGV Comunicação Nos próximos dias, o g1 vai mostrar com detalhes como se dá o debate digital em cada uma das 5 regiões do estado analisadas pela FGV. Segurança e saúde dominam no Grande Rio A Região Metropolitana concentrou pouco mais de 101 mil publicações sobre os nove temas de interesse público monitorados pela pesquisa. Segurança respondeu por 16,2% das interações, enquanto saúde ficou em segundo lugar, com 15,3%. A diferença entre os dois temas é de menos de 1 ponto percentual. Quando a análise considera a quantidade de publicações, porém, a distância entre os dois assuntos aumenta. Segurança correspondeu a 20,3% dos posts da região, enquanto saúde aparece com participação menor. Ainda assim, os conteúdos sobre saúde foram capazes de gerar um nível de interação muito próximo ao registrado pela segurança. Segurança e saúde dominam no Grande Rio FGV Comunicação O resultado mostra, no Grande Rio, como a frequência com que um assunto aparece nas páginas não determina necessariamente o tamanho da mobilização que ele provoca. A metodologia da FGV considera o engajamento — formado pelas interações associadas às publicações — como o principal indicador da capacidade de um tema mobilizar a atenção e a participação do público. Já o volume de posts serve como medida complementar da recorrência daquele assunto na agenda das páginas. "A segurança, evidentemente, aparece por meio de uma série de publicações que falam sobre roubos, assaltos, homicídios que compartilham alguns tipos de notícias e que se relacionam com a segurança pública, mas também abrange episódios de violência, como brigas, questões que estão menos relacionadas à segurança pública do ponto de vista macro", explicou o especialista. "Saúde aparece tanto em políticas públicas, como em novos leitos, campanhas de vacinação, ou seja, serviços de utilidade pública (...). Ela aparece também quando se fala sobre suspeitas de doenças, sobretudo infectocontagiosas. Então notícias como essas circulam com grande intensidade", pontuou. A Região Metropolitana é o maior recorte territorial analisado pela FGV e também concentra o maior volume de publicações do estudo. O levantamento reuniu dados de 17 municípios, incluindo Rio de Janeiro, São Gonçalo, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu e São João de Meriti. Capital concentra quase 40% das interações Dentro do recorte que reúne a capital e a Região Metropolitana, o Rio de Janeiro concentra 39,7% de todas as interações registradas nos temas monitorados. São Gonçalo aparece em seguida, com 11,4%, Duque de Caxias tem 10% e Niterói, 9,8%. A distribuição também mostra diferenças dentro da própria capital. Entre os perfis de bairros e áreas da cidade, Bangu responde por 13% do engajamento total monitorado no município, seguido pela Ilha do Governador e por perfis gerais da Zona Sul, ambos com 9,1%. Jacarepaguá aparece com 6,2% e o Alemão, com 5,8%. Habitação e economia à margem do debate Dois temas diretamente ligados ao cotidiano e ao bolso da população aparecem entre os que menos mobilizam as páginas locais analisadas pela FGV: habitação e economia. O assunto moradia foi o que menos gerou interações em todas as cinco regiões do estado, enquanto economia teve participação reduzida tanto no volume de publicações quanto no engajamento. O levantamento da FGV, feito a pedido do g1, analisou publicações entre 1º de maio e 31 de agosto de 2026 e traçou um mapa do debate público digital em cinco regiões fluminenses. Reprodução Na categoria Habitação, que reúne conteúdos sobre políticas habitacionais, preços de aluguéis e déficit habitacional, a participação nas interações ficou em 0,2% na Região Metropolitana, na Região dos Lagos e no Sul e Costa Verde. Na Região Serrana e no Norte Fluminense, o percentual foi ainda menor: 0,1%. "Foi uma certa surpresa, porque a gente imaginava que ia aparecer. É porque de fato se trata de um problema relevante no contexto urbano brasileiro, mas aqui no estado do Rio de Janeiro essa pauta não teve tanta repercussão assim, sobretudo comparado aos grandes temas, saúde e segurança", comentou Victor. Economia também aparece com baixa presença nas páginas monitoradas. O maior percentual de publicações sobre o tema foi registrado no Norte Fluminense, mas correspondeu a apenas 1,7% dos posts da região. Na Região dos Lagos e no Sul e Costa Verde, o índice foi de 1,1%. Na Região Serrana, 1%. E no Rio e Região Metropolitana, apenas 0,6%. Entre os conteúdos classificados como economia estão assuntos como preço da gasolina, inflação e desemprego, temas diretamente relacionados ao custo de vida e à situação financeira da população. Foto de posto de gasolina. Marcello Casal Jr./Agência Brasil O baixo volume de publicações é acompanhado por uma mobilização relativamente pequena. Economia respondeu por 2,6% das interações na Região Serrana e no Sul e Costa Verde, 2,4% na Região dos Lagos, 1,2% no Rio e Região Metropolitana e apenas 0,5% no Norte Fluminense. Como o levantamento foi feito A FGV Comunicação identificou 655 perfis do Instagram com atuação regional, local ou comunitária, a partir de uma varredura que passou por todos os municípios do estado. Foram priorizadas páginas dedicadas a notícias, acontecimentos, registros, denúncias, informações de utilidade pública e outros conteúdos relacionados ao cotidiano dos territórios. As publicações foram classificadas em nove eixos temáticos. As regras desenvolvidas ajudaram a identificar, a partir dos termos e contextos presentes nos posts, conteúdos relacionados a cada assunto. Os nove temas foram: segurança, educação, meio ambiente, saúde, mobilidade e transporte, cultura e lazer, habitação, infraestrutura urbana e economia. A análise foi dividida em cinco recortes territoriais: Rio de Janeiro e Região Metropolitana; Norte Fluminense; Região Serrana; Região dos Lagos; Sul e Costa Verde. A metodologia permite comparar não apenas a frequência com que os assuntos aparecem, mas também o nível de interação provocado por eles em cada território. O resultado é um retrato do debate público digital nas páginas monitoradas entre maio e agosto, em um estado que começa a entrar na fase mais intensa da disputa eleitoral. Nos próximos dias, o g1 vai detalhar os resultados do levantamento em cada uma das regiões do estado, mostrando quais assuntos mais mobilizam os públicos locais e como as agendas digitais mudam de um território para outro.