cover
Tocando Agora:

Grupo Dolly é alvo de pedido de falência por dívida de R$ 15,7 bilhões

Propagada dos refrigerantes Dolly. Reprodução/Facebook A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP)...

Grupo Dolly é alvo de pedido de falência por dívida de R$ 15,7 bilhões
Grupo Dolly é alvo de pedido de falência por dívida de R$ 15,7 bilhões (Foto: Reprodução)

Propagada dos refrigerantes Dolly. Reprodução/Facebook A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP) protocolaram nesta semana um pedido de falência das empresas que compõem o Grupo Dolly. Segundo os órgãos, a dívida ativa da companhia com a União, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o estado de São Paulo soma R$ 15,7 bilhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia "Desse total, R$ 8,3 bilhões estão inscritos em dívida ativa da União; R$ 7,4 bilhões se referem à dívida ativa do estado de São Paulo, e cerca de R$ 15 milhões do FGTS", afirmam as procuradorias em nota enviada ao g1. Na manifestação à Justiça, a PGFN e a PGE-SP argumentam que a dívida se arrasta há mais de 25 anos. Além disso, sustentam que o passivo não decorre apenas de dificuldades financeiras, mas de uma estratégia deliberada de “blindagem patrimonial”. (leia mais abaixo) Procurado pelo g1, o Grupo Dolly não se manifestou até a última atualização desta reportagem. Agora no g1 Segundo as procuradorias, a empresa permaneceu em recuperação judicial por quase oito anos sem quitar os débitos fiscais. O processo, afirmam, teria sido usado para desfazer medidas de cobrança e “criar novas estruturas de blindagem patrimonial e planejamento tributário”. Os órgãos também citam que, após a aprovação do plano de recuperação judicial e a exigência de comprovação da regularidade fiscal, o grupo desistiu do processo e tentou convertê-lo em recuperação extrajudicial. Na avaliação das procuradorias, a medida, adotada neste ano, buscava contornar a exigência legal de regularidade tributária. "O objetivo principal [do pedido] é garantir a estabilidade dos empregos e permitir que a empresa siga operando de forma saudável, rumo a uma nova gestão que respeite os valores do mercado", dizem as procuradorias. Segundo os órgãos, o Grupo Dolly também teria obtido vantagem competitiva ao deixar de recolher tributos e encargos sociais, "prejudicando os demais concorrentes do setor de bebidas que cumprem suas obrigações legais". O pedido de falência foi apresentado com base em portarias editadas após um entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na prática, a decisão da Corte equiparou as fazendas públicas a credores privados para pedir a falência de devedores em casos complexos e de longa duração. Além do pedido de falência, a PGFN e a PGE-SP informaram ter solicitado ao Ministério Público a apuração de eventuais irregularidades. Recuperação judicial teve início em 2018 A empresa entrou com pedido de recuperação judicial em 2018, alegando ser o único meio de evitar a falência. À época, a Dolly afirmou não conseguir honrar suas obrigações após um bloqueio de bens determinado pela Justiça. No mesmo ano, o Ministério Público acusava a companhia de fraude fiscal estruturada, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Um mês antes do pedido, o dono da empresa, Laerte Codonho, chegou a ficar preso por oito dias, suspeito de fraude fiscal. Segundo o MP, a Dolly teria demitido funcionários e os recontratado em outra empresa para fraudar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ainda de acordo com os promotores, havia pelo menos R$ 1,4 bilhão em créditos decorrentes do não pagamento de ICMS. Considerando também os débitos na esfera federal, relacionados a uma possível sonegação de benefícios previdenciários, o valor estimado de recursos desviados chegaria a R$ 4 bilhões. À época, a Dolly negou sonegação de impostos e afirmou ter sido vítima de um escritório contábil que teria omitido dados. Segundo os promotores, a empresa seria “uma das maiores devedoras de impostos do estado de São Paulo”, e o esquema teria começado em 1998.