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Jovem de 15 anos morre após ir à UPA com dor de dente no DF; família denuncia negligência

A adolescente Maria Luiza Abreu Estevam, de 15 anos, morreu após passar por uma sequência de atendimentos de saúde sem sucesso no Distrito Federal. A menin...

Jovem de 15 anos morre após ir à UPA com dor de dente no DF; família denuncia negligência
Jovem de 15 anos morre após ir à UPA com dor de dente no DF; família denuncia negligência (Foto: Reprodução)

A adolescente Maria Luiza Abreu Estevam, de 15 anos, morreu após passar por uma sequência de atendimentos de saúde sem sucesso no Distrito Federal. A menina foi velada pela família nesta quarta-feira (19), no cemitério de Sobradinho. Segundo a família, no sábado (8), Maria Luiza foi até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sobradinho queixando-se de dor de dente. Ela foi medicada e liberada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp No dia seguinte, a adolescente voltou a procurar atendimento na mesma unidade. Novamente, foram prescritos medicamentos e dada a orientação para continuar o tratamento em casa. Três dias depois, na quarta-feira (12), a jovem retornou à UPA com sintomas mais graves, como falta de ar, náuseas, dor de cabeça e sonolência. Maria Luiza foi então transferida para o Hospital da Criança e internada na UTI pediátrica em estado gravíssimo. Maria Luiza Abreu Estevam, de 15 anos, morreu após passar por uma sequência de atendimentos na UPA de Sobradinho, no DF. Arquivo Pessoal Ela não resistiu e morreu na quinta-feira (13). Em nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) disse que lamenta profundamente o falecimento da adolescente e que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários. Causa da morte De acordo com o relatório do Serviço de Verificação de Óbito, o quadro da jovem evoluiu para sepse — uma infecção generalizada. No hospital, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e, em seguida, teve mais duas paradas, uma delas com duração de 24 minutos e 50 segundos, além de outras duas de quatro minutos cada. A morte foi declarada às 20h20. Após a morte, um exame identificou a presença de dois vírus causadores de gripe: rinovírus e influenza B. A necropsia também encontrou cerca de 300 mililitros de sangue acumulados dentro do tórax, ao redor do pulmão, configurando um quadro de hemotórax. O relatório aponta que o sangramento pode ter contribuído para a morte. Por orientação do Serviço de Verificação de Óbito, que identificou a alteração durante o exame do corpo, a família registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil no último domingo (16). O caso é investigado como morte suspeita. Na declaração de óbito, a causa aparece como "a esclarecer por exames complementares". 'Ninguém fez nada', diz família A família questiona se a gravidade do quadro foi identificada a tempo e se todos os procedimentos necessários foram adotados antes da transferência. "Ninguém fez nada pra poder parar aquela dor. Uma criança que tinha asma e não foi atendida da maneira correta", lamentou o pai da adolescente, André Abreu. O pai cobra respostas e punição. "Eu espero a resposta, não só a resposta como a justiça, né? Porque se a pessoa fez isso com a minha filha, que não tinha como se defender, imagina o que que ela pode fazer com outras crianças", afirmou. André ressalta que os sintomas da filha indicavam um problema maior. "Eles estão tirando a própria responsabilidade deles e colocando em cima da do pai e da mãe, como se o pai e a mãe fossem médicos. Nós sabíamos que o da nossa filha não era só a dor de dente. Tinha alguma coisa a mais, porque não tinha como uma criança com asma estar com o rosto queimando, os braços não sentindo os braços, tava sem conseguir comer", declarou. O que diz o IgesDF "O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) lamenta profundamente o falecimento da adolescente M.L.A.E. e manifesta solidariedade aos familiares e amigos neste momento de dor. Segundo informações prestadas pela responsável à equipe assistencial, a paciente realizava tratamento odontológico havia cerca de 20 dias. Em 9 de agosto de 2026, procurou a UPA de Sobradinho para atendimento odontológico de urgência. Na ocasião, recebeu atendimento e medicação, e a responsável foi orientada quanto à necessidade de continuidade do tratamento odontológico especializado. Na noite de 12 de agosto, M.L.A.E. retornou à unidade apresentando vômitos e dor abdominal. Foi submetida à avaliação médica, exames complementares e monitorização, além de receber as medidas de suporte indicadas para o quadro apresentado. Diante dos sinais clínicos e das alterações identificadas nos exames, a equipe adotou as medidas assistenciais necessárias. Com a evolução do quadro, a paciente foi encaminhada para a Sala de Estabilização (Sala Vermelha), e foi solicitada à Central de Regulação da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) a transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica. Em 13 de agosto, por volta das 17h30, foi transferida para o Hospital da Criança de Brasília (HCB), onde teve continuidade da assistência. Em respeito ao sigilo médico, à privacidade da paciente e à legislação vigente, o IgesDF não divulga informações clínicas individualizadas além das necessárias ao esclarecimento dos fatos. Essa conduta observa as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), o Código de Ética Médica e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O Instituto permanece à disposição das autoridades competentes e prestará os esclarecimentos necessários, com rigor técnico, responsabilidade e transparência. O IgesDF reitera seus sentimentos aos familiares e amigos da adolescente e reafirma seu compromisso com uma assistência pública segura, humanizada e de qualidade à população do Distrito Federal." 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