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Justiça dos EUA reconhece liquidação do Master e bloqueia ativos do banco no país

Justiça dos EUA reconhece a liquidação do banco Master O juiz Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, reconheceu nesta quin...

Justiça dos EUA reconhece liquidação do Master e bloqueia ativos do banco no país
Justiça dos EUA reconhece liquidação do Master e bloqueia ativos do banco no país (Foto: Reprodução)

Justiça dos EUA reconhece a liquidação do banco Master O juiz Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, reconheceu nesta quinta-feira (8) a liquidação do Banco Master e determinou o bloqueio dos ativos da instituição nos Estados Unidos. A decisão atendeu a um pedido da EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante do Master nomeada pelo Banco Central (BC). A medida também se aplica ao Banco LetsBank S.A., ao Banco Master de Investimento S.A. e à Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "O processo de liquidação brasileiro terá plena força e efeito e será vinculante e exequível nos Estados Unidos contra todas as pessoas e entidades", diz o juiz em sua decisão. O magistrado também determinou que "todas as pessoas e entidades ficam impedidas de iniciar ou prosseguir com qualquer ação ou processo relacionado aos ativos, direitos, obrigações ou passivos" do Banco Master e de suas empresas controladas nos EUA. Por ordem do juiz Scott M. Grossman, ficou suspensa ainda qualquer medida de execução contra os bens do Banco Master que estejam nos EUA. Na prática, ninguém pode cobrar, penhorar, bloquear ou tentar tomar ativos dos devedores em território americano enquanto a medida estiver em vigor. Além disso, o magistrado autorizou a EFB Regimes Especiais de Empresas a ouvir testemunhas, produzir provas e requisitar informações sobre ativos, negócios, direitos, obrigações e passivos do Banco Master e de suas empresas controladas. A decisão do tribunal da Flórida veio após os advogados de Vorcaro acionarem a Justiça dos EUA para tentar barrar o reconhecimento da liquidação do banco, em resposta ao pedido feito pelo liquidante. Nos argumentos apresentados, a defesa do Master citou a inspeção no Banco Central, determinada na segunda-feira (5) pelo ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU). Além disso, afirmou que ainda havia possibilidade de reversão da liquidação. Recuo do TCU e inquérito da PF Mais cedo nesta quinta-feira, no entanto, o TCU suspendeu a inspeção no Banco Central após o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso Master, acolher um recurso apresentado pelo BC. A decisão do ministro foi vista como um recuo do TCU diante da repercussão do caso. Na semana passada, a Corte de Contas havia determinado uma inspeção para revisar as provas que embasaram a liquidação do Banco Master. O BC, no entanto, apresentou um recurso. Nos embargos de declaração, a autoridade monetária argumentou que esse tipo de medida só poderia ser aprovado por um colegiado do tribunal, especificamente a Primeira Câmara. Em conversa com o blog do Valdo Cruz, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, afirmou que decidiu submeter o caso ao plenário, e não apenas à Primeira Câmara. O clima dentro da Corte de Contas se tornou mais tenso após a revelação de que influenciadores estavam sendo contratados para divulgar mensagens nas redes sociais com ataques ao banco e em defesa do Master. A Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar quem estava pagando para a contratação destes influenciadores. Segundo o blog do Valdo Cruz, um ministro do tribunal disse que essa última notícia mostrou que a polêmica sobre o banco Master envolve muitos interesses e poderia desgastar ainda mais a imagem do TCU. Por isso, ele aprovou a decisão do presidente do tribunal de levar o caso para o plenário do tribunal. Segundo esse ministro, uma decisão do plenário dará mais peso para qual seja a que for tomada, evitando mais críticas contra a Corte de Contas. Conselho Monetário Nacional já havia tomado medidas para coibir modelo de negócios do Banco Master Jornal Nacional/ Reprodução Entenda o caso Master Fundado em 1974 como Máxima Corretora de Valores, o Banco Master passou por diversas reorganizações societárias ao longo de quase cinco décadas. O processo ganhou novo impulso em 2019, quando Daniel Vorcaro assumiu o controle da instituição e adotou uma estratégia de crescimento acelerado. A partir de 2022, porém, esse ritmo passou a gerar questionamentos no mercado, e analistas e investidores começaram a identificar sinais de fragilidade no modelo adotado. Isso porque a instituição passou a captar recursos a custos cada vez mais elevados e a direcioná-los para investimentos considerados mais arriscados, o que levantou dúvidas sobre a sustentabilidade financeira do banco no longo prazo. 🔎 Em termos simples, o banco pagava juros elevados para captar recursos e precisava assumir riscos ainda maiores para sustentar esses pagamentos — uma estratégia que costuma funcionar apenas no curto prazo e aumenta o risco de desequilíbrio financeiro. O alerta ficou mais evidente com os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecidos pelo Banco Master. CDBs são títulos de renda fixa em que o investidor "empresta" dinheiro ao banco em troca de juros. No Master, chegaram a pagar até 140% do CDI, muito acima do padrão do mercado. Para especialistas, a oferta indicava dificuldade de captação a custos menores no mercado tradicional, levando o banco a recorrer de forma crescente ao investidor pessoa física. Tentativa de negócio com o BRB e escalada da crise As preocupações não eram infundadas. Segundo investigações da Polícia Federal, parte dos recursos captados teria sido usada para cobrir déficits operacionais e honrar compromissos antigos — um modelo que depende de entrada constante de novos recursos. Paralelamente, o banco passou a buscar uma saída com a venda de participação societária. A principal tentativa ocorreu em março de 2025, quando avançaram as negociações para a venda de 58% do capital ao Banco de Brasília (BRB), em uma operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões. O acordo, porém, entrou rapidamente no radar de órgãos de controle. O Ministério Público do Distrito Federal e o Ministério Público de Contas apontaram falta de transparência e possíveis riscos aos acionistas do banco público. As investigações da Polícia Federal começaram antes mesmo da tentativa de venda do banco. Desde 2024, a PF passou a acompanhar de perto a instituição e identificou indícios de que o Master teria inflado artificialmente carteiras de crédito e registrado como sólidos ativos de baixa — ou até inexistente — qualidade, distorcendo sua real situação financeira. Nesse contexto, parte das irregularidades envolveria a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem lastro líquido suficiente para garantir o pagamento futuro desses títulos. As apurações também apontam operações suspeitas com créditos supostamente adquiridos da empresa Tirreno, que teriam sido revendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões, sem a documentação necessária, justamente no período em que se negociava a compra do próprio Banco Master. Diante disso, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro, interrompendo as atividades, afastando a diretoria e acionando o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para indenizar correntistas e investidores até o limite legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Paralelamente, a Justiça determinou o bloqueio de bens de controladores e ex-executivos, enquanto as investigações continuam para apurar responsabilidades civis e criminais.