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Mãe diz que filho autista sofreu bullying e agressão em escola de Cabo Frio: 'ele não é saco de pancada de ninguém'

Mãe denuncia agressão a filho autista em escola de Cabo Frio A mãe de um adolescente de 15 anos procurou a Polícia Civil afirmando que o filho, com Transtor...

Mãe diz que filho autista sofreu  bullying e agressão em escola de Cabo Frio: 'ele não é saco de pancada de ninguém'
Mãe diz que filho autista sofreu bullying e agressão em escola de Cabo Frio: 'ele não é saco de pancada de ninguém' (Foto: Reprodução)

Mãe denuncia agressão a filho autista em escola de Cabo Frio A mãe de um adolescente de 15 anos procurou a Polícia Civil afirmando que o filho, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi agredido por um colega na hora do recreio em uma escola pública de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. Edlaine Guimarães disse que o caso ocorreu na quinta-feira (6) na Escola Municipal Alfredo Castro. A mãe informou que o próprio filho telefonou dizendo que estava passando mal, relatando suor frio, tontura, dor de cabeça e dor abdominal, mas sem contar naquele momento que havia sido agredido. "Meu pai que buscou. Quando ele chegou, eu vi que estava com a vista machucada, que tinha levado um soco. E aí eu perguntei: 'Te bateram na escola, te agrediram? Ele balançou a cabeça que sim, muito assustado", disse a mãe. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Edlaine foi até a escola com a irmã para entender o que aconteceu. "Fomos informadas pela dirigente de turno e pela auxiliar dele que não viram que ele tinha sido agredido, nem sabiam. Simplesmente, não perceberam que ele estava machucado. Perguntei onde elas estavam e disseram que estavam lá atrás e não viram, pedindo para eu levar meu filho na segunda-feira para conversar". O menino recebeu atendimento na UPA do Parque Burle. O caso também foi registrado na 126ª Delegacia de Polícia e está sendo investigado como lesão corporal motivada por bullying. Histórico de bullying e ameaças Na delegacia, a mãe sinalizou o histórico de bullying e ameaças sofridas pelo filho na unidade escolar. Ela conta que estudantes já teriam ameaçado o filho na saída da escola e que já havia comunicado o fato anteriormente a direção. Após a agressão, a mãe conta que conversou novamente com o filho, sendo informada que no primeiro semestre um outro estudante mostrou a ele uma arma dentro da escola. Edlaine afirma que questionou a direção e recebeu a informação de que se tratava de uma arma de brinquedo e que o estudante envolvido não estaria mais na unidade. A família também procurou o Conselho Tutelar, que orientou a mãe a pedir transferência escolar. "Hoje, ele tem medo de ir para a escola, de que quem o agrediu descubra onde ele está. Tem medo de sair. A gente fica refém de ir para algum lugar público e eles fazerem alguma coisa com ele", disse Edlaine. A Secretaria de Educação de Cabo Frio informou que está apurando as circunstâncias da ocorrência, e que a "equipe gestora realizou o atendimento e a escuta dos alunos envolvidos, conforme os registros da unidade". "As circunstâncias do episódio, inclusive aquelas relacionadas ao acompanhamento do estudante pelo profissional de apoio escolar no momento da ocorrência, estão sendo apuradas, não sendo possível, neste momento, antecipar conclusões sobre eventual falha no acompanhamento ou atribuir responsabilidades individuais. Também estão sendo verificadas as informações apresentadas pela família acerca de possíveis episódios anteriores de bullying, ameaças ou outros conflitos no ambiente escolar", informou a Secretaria (veja a nota completa ao final do texto). "Se fosse ele que tivesse agredido, a história seria outra, seria rotulado como 'autista que agride', e convidado a se retirar. Eu quero atitude e responsabilidade da escola, do aluno e da auxiliar, que estava sentada distante dele no recreio", disse a mãe. "Quero que isso vá para frente, pois não quero que meu filho seja apenas mais um na estatística de autistas na rede municipal de Cabo Frio que sofrem bullying e agressão sem que nada aconteça. Quero justiça pelo meu filho, porque ele não é saco de pancada de ninguém", concluiu a mãe. Nota da Secretaria de Educação de Cabo Frio A Secretaria de Educação de Cabo Frio informa que está acompanhando a situação envolvendo o estudante da Escola Municipal Professor Alfredo Castro e que as circunstâncias da ocorrência estão sendo apuradas pela equipe de assessoramento da Secretaria, em conjunto com a unidade escolar. Após tomar conhecimento da ocorrência, a equipe gestora realizou o atendimento e a escuta dos alunos envolvidos, conforme os registros da unidade. As circunstâncias do episódio, inclusive aquelas relacionadas ao acompanhamento do estudante pelo profissional de apoio escolar no momento da ocorrência, estão sendo apuradas, não sendo possível, neste momento, antecipar conclusões sobre eventual falha no acompanhamento ou atribuir responsabilidades individuais. Também estão sendo verificadas as informações apresentadas pela família acerca de possíveis episódios anteriores de bullying, ameaças ou outros conflitos no ambiente escolar. A unidade escolar já havia realizado atendimento à família acerca de questões relacionadas à convivência escolar e permanece em diálogo com os responsáveis. A Secretaria Municipal de Educação destaca que desenvolve ações permanentes de prevenção e enfrentamento à violência, ao bullying e ao cyberbullying, além de iniciativas voltadas à promoção da cultura de paz, do respeito às diferenças e da convivência escolar. Em relação ao quadro de profissionais da unidade, a Secretaria esclarece que o estudante em questão conta com profissional de apoio escolar exclusivo. Atualmente, a Escola Municipal Professor Alfredo Castro possui 33 estudantes com deficiência (PCD) e 25 auxiliares de classe. O dimensionamento desses profissionais, bem como o acompanhamento exclusivo, é definido acordo com as necessidades educacionais específicas dos estudantes, a partir de avaliações individuais realizadas pela equipe de Educação Inclusiva da Secretaria. A equipe de assessoramento da Secretaria seguirá acompanhando o caso, dando continuidade à apuração e reforçando, junto à unidade escolar, as ações de prevenção, proteção e acompanhamento já desenvolvidas na rede municipal de ensino, com o objetivo de assegurar um ambiente escolar seguro, inclusivo e acolhedor para todos os estudantes. Adolescente foi atendido na UPA de Cabo Frio Arquivo Pessoal