Maioria dos candidatos que usaram parentes no nome de urna não se elegeu
Dos 39 candidatos identificados pelo g1 que incorporaram ao nome de urna uma referência a outra pessoa, apenas oito foram eleitos. Os outros 31 ficaram de fora...
Dos 39 candidatos identificados pelo g1 que incorporaram ao nome de urna uma referência a outra pessoa, apenas oito foram eleitos. Os outros 31 ficaram de fora. Entre os vencedores, seis já tinham trajetória política antes da eleição: Ícaro de Valmir (Republicanos-SE), Ibrain de Valmir (PV-SE), João de Nadegi (PV-PE), Hassan de Zé Cocá (PP-BA), Davi de Raimundão (MDB-CE), Paulinho do Bonifácio (Pode-TO) e Leandro do Waguinho (MDB-RJ). Dos oito eleitos, sete já tinham trajetória política. Arte g1 A única estreante entre os eleitos que usaram a estratégia de usar os nomes de outras pessoas é Marina JHC (PSDB-AL), esposa de João Henrique Caldas, o JHC, governador eleito de Alagoas. Ela conquistou uma vaga no Senado. Marina e JHC chegam para votar em Maceió Thayla Paiva/TV Asa Branca Alagoas Ícaro de Valmir foi reeleito deputado federal por Sergipe. Ele é filho de Valmir de Francisquinho (Republicanos), que também faz referência ao seu pai no nome de urna, e foi candidato ao governo do estado, mas perdeu a disputa para o atual governador Fábio Mitidieri (PSD). No mesmo estado, Ibrain de Valmir, filho da liderança política Valmir Monteiro, foi reeleito deputado estadual. Em Pernambuco, João de Nadegi, filho da ex-prefeita de Camaragibe Nadegi Queiroz, também conseguiu a reeleição para deputado estadual. Já na Bahia, Hassan de Zé Cocá foi reeleito deputado estadual. Diferentemente da maior parte dos casos do levantamento, a referência em seu nome não é a um parente, mas ao aliado político Zenildo Brandão Santana, o Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié. Agora no g1 No Rio de Janeiro, o ex-secretário municipal de Belford Roxo, Leandro do Waguinho (MDB-RJ), foi eleito deputado estadual. Ele também usou o nome de um aliado político, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, ex-prefeito do município. No Ceará, Davi de Raimundão, filho de Raimundo Macedo, ex-prefeito de Juazeiro do Norte e ex-deputado, foi reeleito deputado estadual. Completa a lista de eleitos Paulinho do Bonifácio, eleito deputado estadual no Tocantins. Ele já tinha trajetória política como política e faz referência no nome de urna ao pai, José Bonifácio, que foi uma liderança política no norte do Tocantins. Experiência política não garantiu eleição a todos Entre os 31 candidatos que não conseguiram se eleger, também há políticos com experiência anterior em cargos eletivos ou na administração pública. Além de Valmir de Francisquinho, que perdeu a disputa para o governo de Sergipe, Sérgio de Nalva (Avante), que foi secretário de Serviços Públicos de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, também não se elegeu. No nome de urna, ele faz referência à mãe, Nalva, dona de uma loja no município. Candidatos que não se elegeram. Arte g1 No Rio de Janeiro, dois nomes com experiência em cargos eletivos ficaram de fora. Daniela do Waguinho (Republicanos), não se reelegeu deputada federal. Ela usou o apelido do marido, ex-prefeito de Belford Roxo. O mesmo aconteceu com a ex-prefeita Lívia de Chiquinho (Republicanos), ex-prefeita de Araruama, candidata a deputada federal. Ela fez referência ao marido, Francisco Carlos Fernandes Ribeiro, o Chiquinho da Educação, também ex-prefeito do município. Referência a homens O levantamento do g1, feito com base nas candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), identificou ao menos 39 candidatos nas eleições de 2026 que incorporaram ao nome de urna uma menção a outra pessoa. Dezesseis fizeram isso pela primeira vez neste ano. Os demais já haviam adotado a estratégia de identificação em eleições anteriores. O fenômeno revela uma tentativa de associar a candidatura a alguém já reconhecido social ou politicamente. Na maioria dos casos, essa pessoa é um familiar — e, com frequência, um homem. Dos 39 candidatos que 'pertencem' a alguém, apenas oito se elegeram. Kayan Albertin/Arte g1 Dos 39 candidatos, 32 faziam referência a familiares e dois a aliados políticos. Em outros cinco casos, não foi possível confirmar a relação entre o candidato e a pessoa citada no nome de urna. Entre os 32 casos de parentesco identificados, 14 candidatos mencionam os pais; 11 candidatas, os maridos; três, os filhos; e três, as mães. Em um caso, não foi possível determinar se a referência era ao pai ou à mãe. Nos cinco casos em que o vínculo não pôde ser confirmado, os nomes têm características de possíveis patronímicos — nomes formados a partir da referência a um antepassado. Das 11 candidatas que fazem referência ao marido, dez usam as preposições “de” ou “do”, construções que remetem à ideia de posse. urna eletrônica TSE