Ministro diz que equipes flagraram pessoas colocando fogo na floresta e anuncia investigação criminal no AM
Área afetada por incêndios no Município de Itacoatiara Liam Cavalcante/Rede Amazônica O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianc...
Área afetada por incêndios no Município de Itacoatiara Liam Cavalcante/Rede Amazônica O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou nesta quarta-feira (14) que equipes que atuam no combate aos incêndios florestais no Amazonas flagraram pessoas iniciando focos de fogo na vegetação. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa realizada em Manaus. Durante coletiva de imprensa em Manaus, o ministro também anunciou o reforço das investigações criminais para identificar e responsabilizar os envolvidos nos incêndios. A apuração será realizada em conjunto com órgãos de segurança pública estaduais e federais. Segundo Capobianco, há relatos de profissionais que atuam no combate aos incêndios florestais no estado indicando o teor criminoso da ação. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp “Temos relatos, inclusive, de veículos, caminhonetes jogando combustível, garrafas com combustível, na floresta ou em estradas. Temos relatos de pessoas que, quando os bombeiros ou os brigadistas estão apagando o fogo, dizem que, quando eles forem embora, vão colocar fogo de novo”, afirmou. Segundo Capobianco, a intenção é ampliar a atuação policial para que os responsáveis sejam identificados e punidos. Ele ressaltou que o aumento da capacidade de combate às chamas precisa ser acompanhado de medidas para impedir novas ocorrências. Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, durante coletiva de imprensa em Manaus. Patrick Marques/g1 AM Equipe registrou pessoas iniciando fogo, diz presidente do Ibama O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, explicou que uma equipe que participava de uma operação de lançamento de água avistou pessoas com objetos nas mãos enquanto iniciavam um foco de incêndio. Segundo ele, o piloto e o auxiliar da aeronave fizeram um voo mais baixo e conseguiram registrar a situação. A equipe também obteve as coordenadas geográficas do local, que está sob investigação. “A nossa equipe estava fazendo um desses lançamentos de água e, em um dos percursos, o piloto e o auxiliar avistaram pessoas com objetos na mão, iniciando o fogo”, relatou. Schmitt afirmou que o material será utilizado para tentar identificar os responsáveis e esclarecer as circunstâncias da ocorrência. O presidente do Ibama também explicou que parte dos incêndios começa em áreas que já foram desmatadas. O fogo é utilizado para limpar a vegetação derrubada, mas acaba se espalhando para áreas degradadas e trechos de floresta. Segundo ele, a prática pode ser usada repetidamente para degradar a vegetação e ampliar o desmatamento. O órgão investiga as ocorrências para identificar quem provocou o fogo e responsabilizar os envolvidos. Schmitt lembrou ainda que a queima de vegetação depende de autorização prévia e que, sem ela, a prática é irregular. Presidente do Ibama, Jair Schmitt, durante agenda em Manaus nesta quarta-feira (14). Patrick Marques/g1 AM Amazonas tem 120 procedimentos criminais relacionados a queimadas O secretário de Segurança Pública do Amazonas, coronel Anézio Paiva, informou durante a coletiva que há 120 procedimentos criminais relacionados às queimadas no estado. Ao responder a uma pergunta sobre prisões, ele explicou que parte dos registros corresponde a Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs). “Então, o cidadão infrator é ouvido e é liberado”, afirmou. O secretário também disse que as equipes estão utilizando o decreto estadual de proibição do uso do fogo para registrar ocorrências. Segundo ele, quando os agentes encontram uma pessoa com um galão de combustível nas proximidades de um incêndio, a situação pode ser registrada para apuração. Paiva acrescentou que as informações relatadas por bombeiros militares e brigadistas estão sendo analisadas e repassadas às equipes responsáveis. Além de identificar quem provoca os incêndios, as forças de segurança investigam a suspeita de que haja pessoas coordenando essas ações. Segundo Paiva, delegados distritais e a Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo (Dema), em Manaus, participam das apurações. O secretário afirmou que a integração da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ao sistema estadual de inteligência também deve contribuir para identificar possíveis articuladores. Entre as medidas citadas por ele está o monitoramento de grupos de WhatsApp e outros canais de comunicação. O objetivo, segundo Paiva, é reunir informações que permitam chegar à autoria de possíveis ações coordenadas. Ele ressaltou que, caso seja identificada uma situação envolvendo organização criminosa, a investigação poderá avançar para outras medidas, com participação da Polícia Federal e dos setores de inteligência. Como funciona a operação para localizar os responsáveis As ações de combate aos incêndios e de investigação envolvem equipes que atuam por terra e recursos de monitoramento aéreo. Segundo as informações apresentadas durante a coletiva, policiais civis e militares do Amazonas, agentes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e equipes do Ibama atuam em campo. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também participam das operações. O trabalho conta com drones equipados com câmeras termais e uma aeronave policial com sistema de visualização térmica. Esses equipamentos ajudam a identificar pontos de calor e possíveis focos de incêndio. Quando uma ocorrência é localizada, as equipes fazem a geolocalização do ponto identificado e repassam as coordenadas aos agentes que atuam por terra. Com isso, as equipes podem se deslocar até a área para verificar a situação, combater as chamas e reunir informações que ajudem a identificar os responsáveis. Além de apagar o fogo, a operação busca obter elementos para investigações administrativas e criminais. A fiscalização ambiental pode aplicar sanções quando constatadas infrações, enquanto as polícias atuam na apuração de possíveis crimes. Combate às queimadas no AM atinge executores, mas poupa mandantes e financiadores, aponta especialista VÍDEO: Fumaça persiste em Manaus há uma semana; aulas são suspensas novamente Após avanço das queimadas, Ibama inicia fiscalização em propriedades notificadas no Amazonas Governo federal reforça combate aos incêndios O governo federal informou que mobilizou 330 brigadistas para atuar no Amazonas, em apoio às equipes do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de outros órgãos. A estrutura mobilizada inclui 32 veículos, sete aviões para lançamento de água, dois aviões de transporte, três helicópteros e oito embarcações. Durante a agenda desta quarta-feira, Capobianco também realizou um sobrevoo em áreas atingidas pelos incêndios para acompanhar a situação. O ministro afirmou que o reforço da investigação criminal ocorre paralelamente à ampliação das ações de combate, com o objetivo de reduzir a propagação das chamas, diminuir os efeitos da fumaça sobre a população de Manaus e responsabilizar quem provoca incêndios ilegais. No Amazonas, o Fundo Amazônia destinou R$ 45 milhões ao projeto ProAmazon, voltado ao fortalecimento do Corpo de Bombeiros Militar e às ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. Aeronave do Ibama lança água sobre área de incêndio no Amazonas Reprodução/Ibama