MP diz que caminhoneiro assumiu risco de matar em acidente que derrubou passarela na Fernão Dias; mãe e filho morreram
Passarela desaba após ser atingida por caminhão e deixa dois mortos na rodovia Fernão Dias O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu que o motorista...
Passarela desaba após ser atingida por caminhão e deixa dois mortos na rodovia Fernão Dias O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu que o motorista investigado por provocar a queda de uma passarela na Rodovia Fernão Dias, em Vargem (SP), passe a responder por homicídio doloso, quando, segundo a acusação, se assume o risco de matar. O acidente matou mãe e filho no dia 18 de agosto. Inicialmente, Deyvidson Temudo de Oliveira, de 42 anos, foi indiciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando não há intenção de matar, e por lesão corporal culposa, crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Além da mudança na classificação do crime, o MP pediu que Deyvidson permaneça preso e que o caso seja encaminhado ao Tribunal do Júri. A manifestação do MP foi apresentada após a Polícia Civil concluir o inquérito nesta quinta-feira (27). No relatório final, o delegado Hermes Jun Nakashima afirma que há indícios robustos de que o caminhoneiro foi responsável pelo acidente. A defesa de Deyvidson Temudo de Oliveira afirmou, em nota, que o motorista não teve intenção de provocar as mortes e que o caso deve ser tratado como homicídio culposo, e não doloso - leia mais abaixo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp VÍDEO mostra momento em que passarela desaba e deixa dois mortos na Fernão Dias TV Vanguarda Combinação de fatores Segundo a investigação, entre os fatores que contribuíram para o acidente estão o excesso nas dimensões da carga, uma ultrapassagem próxima à passarela e a possível velocidade acima de 100 km/h. Para o Ministério Público, a combinação desses fatores, considerando a experiência do motorista e o conhecimento que ele tinha sobre o transporte de cargas especiais, indica que Deyvidson teria assumido o risco de provocar as mortes. Deyvidson foi preso após o acidente por homicídio culposo e lesão corporal culposa. A prisão foi convertida em preventiva após audiência de custódia. A defesa do caminhoneiro foi procurada pelo g1 e não havia se manifestado até a última atualização desta matéria. Delegado Hermes Jum Nakashima falou sobre a prisão do motorista da carreta envolvida no acidente. Reprodução/Rede Vanguarda O que diz o MP? O Ministério Público de São Paulo (MPSP) defende que o caminhoneiro Deyvidson Temudo de Oliveira, de 42 anos, responda por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual. O acidente aconteceu em 18 de agosto, no km 5 da Fernão Dias. A carreta conduzida por Deyvidson transportava um caminhão de grande porte quando a carga atingiu a estrutura da passarela, que desabou sobre a rodovia. A queda matou Rosângela Soares Chaves, de 63 anos, e o filho dela, Douglas Soares Quaresma, de 40 anos, que estavam em um carro atingido pelos blocos de concreto. Um caminhoneiro que seguia atrás também ficou ferido. Leia também: 'Sofrimento danado': família lamenta morte de mãe e filho após queda de passarela na Fernão Dias Motorista que derrubou passarela e matou mãe e filho diz à polícia que não previu acidente: 'Lamento profundamente' Cabeleireira e representante comercial: veja quem eram mãe e filho que morreram após queda de passarela Veja o antes e depois da passarela de 70 toneladas que caiu e matou mãe e filho na Fernão Dias Rosangela Carlos Soares Chaves e Douglas Soares Quaresma morreram em queda de passarela. Arquivo pessoal/cedida família/Odair Quinzani MP aponta que motorista assumiu risco Na manifestação enviada à Justiça, o promotor Cristiano Pereira Moraes Garcia afirma que a conduta do motorista foi além de uma simples imprudência. Segundo o MP, Deyvidson é motorista profissional há cerca de 30 anos e conhecia a Rodovia Fernão Dias. A acusação considera que ele sabia das dimensões da carga e, mesmo assim, fez uma ultrapassagem sob a passarela, sem a escolta obrigatória para aquele tipo de transporte. Para o promotor, esse conjunto de circunstâncias indica que o motorista assumiu o risco de provocar um acidente com mortes. Velocidade também é investigada Deyvidson afirmou que trafegava a aproximadamente 85 km/h. Uma análise preliminar do tacógrafo, porém, apontou registros que podem indicar velocidade próxima ou superior a 100 km/h. O laudo oficial do equipamento ainda será anexado ao processo. O motorista fez teste do bafômetro após o acidente, com resultado 0,00 mg/L. Carga tinha dimensões acima das autorizadas O caminhão transportado pela carreta tinha aproximadamente 5,45 metros de altura e 3,75 metros de largura. A primeira autorização apresentada aos policiais permitia uma carga de até 4,40 metros de altura e 3,30 metros de largura. Depois, a empresa apresentou uma Autorização Especial de Trânsito (AET), emitida pelo DNIT, que permitia 5,40 metros de altura e 3,72 metros de largura. A diferença entre as medidas ainda é analisada pela investigação. Motorista continua preso Deyvidson está preso preventivamente. A defesa pediu a liberdade provisória, mas o Ministério Público se manifestou contra a soltura. Ainda não havia decisão da Justiça sobre o pedido. O MP também pediu que o processo seja encaminhado para a Vara do Júri de Bragança Paulista, por considerar que o caso envolve crime doloso contra a vida. A definição sobre a classificação do crime ainda cabe à Justiça. O processo também aguarda a juntada de laudos da Polícia Científica, do tacógrafo e da Polícia Rodoviária Federal. O que diz a defesa? A defesa de Deyvidson Temudo de Oliveira, motorista profissional envolvido no acidente ocorrido em 18 de agosto, na Rodovia Fernão Dias (BR-381), em Vargem (SP), manifestou condolências às famílias de Douglas Soares Quaresma e Rosangela Carlos Soares Chaves e desejou recuperação a Fabiano de Andrade Silva, terceiro envolvido no acidente. Segundo os advogados, Deyvidson é motorista profissional há cerca de 20 anos, não tem antecedentes criminais e não teve a intenção de provocar as mortes. A defesa afirma ainda que o motorista colaborou com as investigações desde o início e se submeteu voluntariamente ao teste do bafômetro, que teve resultado negativo. Os advogados também dizem que, até o momento, não foi constatada irregularidade na atividade profissional de Deyvidson ou nas cargas transportadas. Segundo a defesa, os veículos e as cargas estavam autorizados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Para a defesa, o caso deve ser tratado como um acidente de trânsito e a conduta atribuída ao motorista se enquadraria em homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e não em crime doloso. Os advogados também questionam a conclusão da investigação. Segundo eles, embora o relatório final tenha sido apresentado nesta quinta-feira (27), ainda estão em elaboração laudos considerados essenciais para esclarecer a dinâmica do acidente, incluindo perícias, análise do tacógrafo e relatório da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A defesa afirma, por fim, que a manutenção da prisão preventiva representaria uma antecipação de pena e pede que a Justiça determine a soltura de Deyvidson para que ele acompanhe o processo em liberdade. Empresa do caminhão investigada A empresa responsável pela carreta que transportava o caminhão também é investigada. Ela foi identificada como DM Logística, Comércio e Terraplenagem Ltda. O g1 procura a defesa da empresa. De acordo com o processo, os representantes foram intimados a prestar esclarecimentos e apresentar documentos sobre a contratação do frete e as condições do transporte. A polícia também apura quem era responsável pelas dimensões da carga e pelo cumprimento das exigências para o transporte. Em manifestação no processo, a empresa afirmou que vai colaborar com a investigação e lamentou o acidente. Segundo a DM Logística, o motorista era habilitado para o transporte, tinha experiência com cargas especiais e estava sóbrio. A empresa também afirmou que o frete tinha autorização do DNIT para as dimensões da carga. Segundo o delegado Hermes Jun Nakashima, os representantes da empresa proprietária do caminhão prestaram depoimento e não foram indiciados neste momento. De acordo com ele, a princípio, a responsabilidade da empresa deve ser analisada na esfera cível, enquanto a responsabilidade criminal pelo acidente é atribuída ao caminhoneiro. “Entendemos que a responsabilização por parte deles seja na esfera cível, inicialmente. A culpa e a responsabilidade criminal [são] do caminhoneiro, de ter assumido a direção do veículo nessas condições e ter dado causa ao acidente”, afirmou o delegado à Rede Vanguarda. Infográfico: Passarela desaba e deixa dois mortos na Fernão Dias, em SP Arte/g1 Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina