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'Mulher extraordinária': Quem era a médica assassinada em bar no interior do Acre

Colegas lamentaram a perda da profissional, descrita como extraordinária por amigos Arquivo pessoal A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada ...

'Mulher extraordinária': Quem era a médica assassinada em bar no interior do Acre
'Mulher extraordinária': Quem era a médica assassinada em bar no interior do Acre (Foto: Reprodução)

Colegas lamentaram a perda da profissional, descrita como extraordinária por amigos Arquivo pessoal A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros dentro de um bar em Brasiléia, no interior do Acre, nessa segunda-feira (2), era conhecida pelo atendimento humanizado e pela dedicação aos pacientes. Ao g1, um amigo que pediu para não ser identificado descreveu Elyne como uma pessoa que conquistava a todos que conviviam com ela. Ela trabalhava no Hospital Regional de Brasiléia e na Unidade Básica de Saúde Dr. Ricardo Barbosa da Silva. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp "Falar sobre Elyne é falar de uma mulher extraordinária, dona de uma personalidade cativante, de um coração imenso e de uma humanidade que se manifestava em cada gesto, em cada palavra e em cada vida que tocava", afirmou. 👉 Contexto: O ex-namorado Francisco Valadares Neto, que é procurador do município de Brasiléia, ex-vereador e advogado, é apontado pela Polícia Civil como principal suspeito de ordenar o assassinato. A vítima tinha duas medidas protetivas contra o homem, que usava tornozeleira eletrônica. Francisco foi encontrado desacordado em casa na manhã desta terça-feira (3), intubado e transferido pelo Samu para Rio Branco. Médica é assassinada a tiros dentro de bar no interior do Acre; suspeito fugiu Especialista em medicina da família e comunidade, a médica era admirada não apenas pela competência profissional, mas também pela maneira como acolhia e tratava os pacientes, segundo o amigo. Ele ressaltou a personalidade alegre da médica. Ela frequentava academia, gostava de cuidar da saúde e aproveitar os momentos com pessoas próximas. "Para quem teve o privilégio de conviver com ela, minha amiga era muito mais do que uma excelente profissional. Era companhia, era amizade, era conselho, era acolhimento. Era uma daquelas pessoas raras que tornam a vida dos outros mais bonita simplesmente por existirem", disse. Prefeitura de Brasiléia suspendeu as atividades de saúde nesta terça-feira (3) Arquivo pessoal Acionou botão do pânico Momentos antes do crime, Elyne chegou a acionar o botão do pânico, dispositivo de proteção utilizado por mulheres vítimas de violência doméstica. Segundo testemunhas que estavam com ela no estabelecimento, a médica relatou que o ex havia passado várias vezes pela rua do bar. Apesar do alerta, nenhuma equipe da Polícia Militar (PM-AC) foi enviada ao estabelecimento. Conforme o relato das testemunhas à PM, os responsáveis pelo monitoramento entraram em contato telefônico com Elyne, mas não compareceram ao local. Além disso, policiais militares chegaram a passar duas vezes em frente ao bar, mas não foram acionados. Como Francisco era monitorado, o botão do pânico estava vinculado ao Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC), e não diretamente pela PM, através do 190. Imagens de câmeras de segurança mostram um homem usando capacete e armado se aproximando da mesa onde ela estava e efetuando os disparos. A Polícia Civil investiga a suspeita de que Francisco tenha contratado outra pessoa para executar o crime. Na manhã desta terça (3), Francisco foi levado ao Hospital Regional do Alto Acre após ser encontrado desacordado em casa. Ele segue intubado em estado grave e aguarda estabilização do quadro clínico para ser transferido para Rio Branco. Francisco Valadares Neto é suspeito de ordenar o assassinato de Elyne de Assis Nogueira em Brasiléia Reprodução Investigação do Ministério Público O Ministério Público do Acre (MP-AC) que pediu duas vezes à Justiça a prisão de Francisco Valadares, ex-namorado da médica por descumprimento de medida protetiva, destacou em nota, que por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Brasiléia, acompanha o caso e apura a morte da médica. Segundo a instituição, o órgão mantém contato com o delegado responsável pela investigação para acompanhar o andamento das diligências e avaliar a adoção das medidas cabíveis. O assassinato também motivou manifestações de pesar e mobilização de autoridades e instituições locais. Médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi assassinada a tiros em Brasiléia Arquivo pessoal Em nota ao g1, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) disse que já solicitou informações à policia, devido ao suspeito ser advogado. A instituição também afirmou que busca esclarecimentos sobre a medida protetiva a fim de compreender as circunstâncias da ocorrência. Prefeitura suspendeu atendimentos Após a morte da médica, a Prefeitura de Brasiléia informou que suspendeu todas as atividades nas Unidades Básicas de Saúde e na Secretaria Municipal de Saúde nesta terça-feira (3). Em nota, a gestão municipal manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho "Sua memória permanecerá viva entre seus entes queridos, que sempre a recordarão com amor e saudade. Que Deus conforte a família, amigos e colegas neste momento de dor, e que as boas lembranças sempre ilustre nossos pensamentos", diz trecho da nota. Para o amigo, o legado da médica permanece nas relações que construiu ao longo da vida. "Seu verdadeiro legado está nas pessoas que acolheu, nas dores que ajudou a aliviar, nas amizades que cultivou, nos sorrisos que despertou e no amor que espalhou", completa. Nota da OAB-AC A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) manifesta profunda consternação e indignação diante da morte violenta da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, ocorrida na noite de 2 de novembro, em Brasileia, em circunstâncias que apontam para um possível feminicídio. A brutalidade do episódio causa profunda comoção e reforça a urgência do enfrentamento à violência contra a mulher. A OAB Acre espera uma investigação célere, rigorosa e transparente, capaz de esclarecer os fatos e apurar eventuais responsabilidades, com absoluto respeito ao devido processo legal. Neste momento de dor, a instituição expressa sua solidariedade aos familiares e amigos de Elyne, reconhecida por sua dedicação à medicina e pelo atendimento humanizado à população do Alto Acre. Sobre as informações divulgadas pela imprensa envolvendo advogado, a OAB Acre esclarece que já solicitou informações à autoridade policial, especialmente diante das disposições da Lei Estadual nº 4.788/2026, que prevê a comunicação à Ordem de ocorrências de violência doméstica ou familiar envolvendo advogados, nas hipóteses legais, permitindo a avaliação de eventuais providências ético-disciplinares. A instituição também buscará esclarecimentos sobre as notícias relativas à existência de medida protetiva e ao possível acionamento do chamado “botão do pânico” pela vítima, a fim de compreender as circunstâncias da ocorrência e o funcionamento dos mecanismos de proteção, sem antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades a qualquer pessoa ou instituição. A OAB Acre reafirma sua confiança nas instituições responsáveis pela apuração e seu compromisso intransigente com a defesa da vida, da dignidade humana e dos direitos das mulheres. Diante de uma vida brutalmente interrompida, de uma família enlutada e de uma sociedade profundamente abalada, nosso compromisso é com a verdade, com a justiça e com o respeito à lei. Rodrigo Aiache Cordeiro - Presidente da OAB/AC VÍDEOS: g1