O que os astronautas viram na Lua que ninguém tinha visto antes
Astronautas fotografam lado oculto da Lua Durante sua jornada inédita, os astronautas da missão Artemis II, da NASA, passaram cerca de sete horas observando a...
Astronautas fotografam lado oculto da Lua Durante sua jornada inédita, os astronautas da missão Artemis II, da NASA, passaram cerca de sete horas observando a superfície lunar a uma distância de 6,5 mil quilômetros. A proximidade permitiu uma visão detalhada de regiões que, até hoje, eram estudadas apenas por sondas e satélites. Pelas janelas da nave Orion, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen capturaram fotos impressionantes de fenômenos celestes raramente vistos. Entre as imagens, estão o "pôr da Terra" e um eclipse solar prolongado. Astronautas da Artemis II encantam o mundo com novas fotos da Lua e da Terra Jornal Nacional/ Reprodução Eles relataram cores incomuns, como tons esverdeados e marrons, e padrões ondulados na superfície — bem diferentes da aparência cinza uniforme normalmente associada à Lua. Essas formações foram observadas especialmente no lado oculto, uma região mais antiga, montanhosa e repleta de crateras, em contraste com o lado visível da Lua, marcado por grandes planícies escuras de origem vulcânica. A experiência também permitiu comparações inéditas entre a Terra e a Lua vistas do espaço profundo. Em um dos momentos, os astronautas conseguiram observar ambos ao mesmo tempo. “A Terra parece muito mais brilhante”, disse a astronauta Christina Koch, destacando a diferença de refletividade em relação à lua. Os quatro astronautas da Artemis II se tornaram os primeiros humanos em décadas a observar uma parte do território lunar Joe Raedle/Getty Images Equipamentos como o Lunar Reconnaissance Orbiter já tinham mapeado a Lua em alta resolução, mas só o olho humano é capaz de identificar padrões, contrastes e detalhes que nem sempre são captados por instrumentos automatizados — além de traduzir essas percepções em descrições diretas. "A lua tem cerca de três a quatro vezes o tamanho da Terra e está quase cheia, sendo apenas um pequeno crescente lá fora. É magnífica! Uma vista majestosa daqui", disse Reid Wiseman. Os astronautas viajaram mais longe da Terra do que qualquer ser humano já foi. No dia 6 de abril de 2026, chegaram a cerca de 406,7 mil quilômetros de distância, superando o recorde da Apollo 13, mantido desde 1970. O 'pôr da Terra' Uma das imagens mais marcantes da missão foi o chamado “pôr da Terra”, quando o planeta aparece desaparecendo atrás do horizonte lunar. [BBC] A Terra vista a partir da Lua em imagem feita durante a missão Artemis II NASA via Getty Images A cena é considerada uma espécie de sucessora da famosa foto “Earthrise” (nascer da Terra), registrada pela missão Apollo 8 em 1968. Desta vez, porém, o movimento é inverso: a Terra surge parcialmente iluminada e, aos poucos, se esconde atrás da superfície cheia de crateras da Lua. Na imagem, é possível ver detalhes como nuvens sobre a região da Austrália e da Oceania. Em primeiro plano, aparece a cratera Ohm, com bordas em camadas e picos centrais formados após o impacto que a originou. A fotografia foi feita no lado oculto da Lua e se tornou a primeira imagem pública da missão nessa região. "Essa é a vista mais linda que um ser humano pode jamais experimentar", disse Wiseman. A tripulação também fotografou pela janela da espaçonave Orion o "nascer da Terra", durante sua passagem pela face oculta da Lua. A Terra aparece como um delicado crescente, com apenas a borda superior iluminada. "O suave tom azul do planeta e os sistemas de nuvens brancas dispersos se destacam contra a escuridão do espaço, enquanto a parte inferior se funde com a noite", explica a NASA. O nascer da Terra capturado pela janela da espaçonave Orion na missão Artemis II Nasa 'Um abajur com pequenos furinhos' Os astronautas receberam uma lista final de 30 alvos que deveriam observar na superfície lunar. Entre eles estava a Bacia Orientale, que tem 3,8 bilhões de anos e é conhecida como o "Grand Canyon" da Lua. A cratera tem quase 965 quilômetros de diâmetro. Localizada na transição entre o lado visível e o oculto, a formação tem formato semelhante a um alvo, com anéis concêntricos. Segundo a NASA, foi a primeira vez que seres humanos conseguiram observar a bacia completa diretamente. De perto, a estrutura impressionou pela simetria. "Tem um aspecto muito organizado... muito mais circular do que me lembro de ter visto durante o nosso treinamento", disse Wiseman. Durante o voo, a tripulação ainda sugeriu nomes para duas novas crateras: “Integridade”, em referência à nave Orion, e “Carroll”, em homenagem à esposa falecida de Wiseman. A Terra é visível na escuridão do espaço, além da borda iluminada da Lua.No canto inferior esquerdo está a bacia lunar Orientale Nasa A iluminação também ajudou a revelar detalhes inéditos. Ao sobrevoar o chamado terminador lunar — a linha que separa o dia e a noite na Lua —, a tripulação viu sombras longas projetadas sobre crateras e montanhas, destacando o relevo de forma mais dramática do que sob luz direta. Nesse cenário, crateras como Jule, Birkhoff e Stebbins se destacaram, assim como regiões de terreno elevado ao redor. A observação próxima também permitiu percepções mais subjetivas. A astronauta Christina Koch comparou o brilho de pequenas crateras a um objeto iluminado por dentro. “Parece um abajur com pequenos furinhos e a luz brilhando através deles. Elas são muito brilhantes em comparação com o resto da Lua”, disse Koch. Eclipse solar raro e prolongado Outro momento marcante foi a observação de um eclipse solar a partir da perspectiva da superfície lunar — algo completamente diferente do que se vê da Terra. Do ponto de vista da tripulação, a Lua bloqueou o Sol por cerca de uma hora, muito mais do que os poucos minutos típicos de um eclipse total observado do nosso planeta. Lua em eclipse em imagem feita pela Artemis II Divulgação/Nasa Os astronautas puderam ver com clareza a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol, formando um halo brilhante ao redor do disco escuro da Lua. A escuridão também revelou estrelas e até o planeta Vênus, visível ao fundo em uma das imagens registradas. “É realmente difícil descrever. É uma visão incrível, disse o astronauta Victor Glover. Visão parcial da Lua durante o eclipse solar. O brilho prateado é o planeta Vênus. Nasa Além disso, durante o eclipse, a tripulação observou flashes na superfície lunar causados por impactos de meteoros. "Houve um pouco de vertigem", disse Wiseman sobre os flashes que viu. Existem fotos de eventos geológicos como flashes de impacto, o fenômeno foi visto em tempo real por humanos dessa vez.