Oscar 2026: Favoritismo de 'Uma batalha após a outra' é ameaçado por 'Pecadores', indicam principais 'termômetros'
Cenas de 'Uma batalha após a outra' (à esq.) e 'Pecadores' (à dir.) Divulgação Só "Pecadores" ainda pode frustrar o grande favoritismo de "Uma batalha ap...
Cenas de 'Uma batalha após a outra' (à esq.) e 'Pecadores' (à dir.) Divulgação Só "Pecadores" ainda pode frustrar o grande favoritismo de "Uma batalha após a outra" na disputa à categoria de melhor filme do Oscar 2026 — pelo menos é o que indicam as maiores premiações de sindicatos de classes de Hollywood, que servem como os principais "termômetros" da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas americana. A maior premiação do cinema acontece neste domingo (15), em Los Angeles, com apresentação do comediante Conan O'Brien pelo segundo ano seguido — e transmissão ao vivo da TV Globo. Os prêmios dos sindicatos são considerados bons indicadores para suas respectivas categorias do Oscar por compartilharem muitos membros com a Academia. Ou seja, muita gente vota em um e, depois, no outro. Os quatro grandes São quatro organizações principais que podem ser consideradas indicadoras de como pensa a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, organizadora do Oscar: PGA: Sindicato dos Produtores da América DGA: Sindicato dos Diretores da América SAG: Sindicato dos Atores WGA: Sindicato dos Roteiristas da América (que premia original e adaptado) *as siglas vêm do inglês Arte g1 Corrida de dois cavalos Se "Uma batalha após a outra" começou a temporada de premiações como o grande favorito à categoria principal do Oscar, os sindicatos confirmaram esse status. Desde 2005, 15 filmes foram os preferidos do PGA e do DGA. Deles, 12 saíram ganhadores da Academia — uma taxa de 80%, que incluiu os últimos três grandes vencedores da Academia. As exceções, no entanto, dão um pouco de esperança aos fãs de "Pecadores". Afinal de contas, os três vencedores dos dois sindicatos que não ganharam o Oscar foram superados exatamente por ganhadores do prêmio de roteiro original do WGA. Muita gente gosta de comparar a situação de 2026 com a vitória de "Moonlight" sobre "La la land", em 2017. A situação era muito mais parecida, no entanto, em 2006. Naquele ano, "O segredo de Brokeback Mountain" chegou como favorito por ganhar os mesmos prêmios de "Uma batalha após a outra". No fim, perdeu para "Crash - No limite", preferido dos sindicatos nas mesmas categorias de "Pecadores". Para os demais indicados, a montanha é quase intransponível. Nenhum filme jamais venceu a categoria principal da Academia sem pelo menos um prêmio dos quatro sindicatos. Diretor e roteirista de "Uma batalha após a outra", Paul Thomas Anderson deve ganhar o primeiro Oscar da carreira após 14 indicações desde 1998 — e não deve parar no primeiro. Mesmo que não confirme o favoritismo na categoria de roteiro adaptado, já que a correlação com ganhadores do WGA não é tão confiável por causa das regras do sindicato, ele deve levar em melhor direção. Em 78 edições, 66 vencedores do DGA ganharam a estatueta — uma taxa de 84,6%. Ele ainda pode vencer uma como um dos produtores do próprio filme. Jogo aberto Michael B. Jordan vence melhor ator por 'Pecadores' no Actors Awards Reprodução/AP Photo/Chris Pizzello Apenas uma das quatro categorias de atuação é considerada já fechada. Nas demais, o SAG serviu apenas para trazer mais incertezas — e, em um dos casos abrir uma disputa que também parecia resolvida. Jessie Buckley, de "Hamnet: A vida antes de Hamlet", é provavelmente a aposta mais segura da noite entre as atrizes principais, um status que mantém desde o começo da temporada e que só reforçou desde então. A irlandesa ganhou o Bafta, o SAG, e até premiações menores, como o Globo de Ouro e o Critics' Choice. Até hoje, apenas Russell Crowe não venceu o Oscar após ser celebrado nos quatro eventos pelo mesmo papel. Em 2002, o australiano ganhou tudo com "Uma mente brilhante", mas perdeu a estatueta dourada para Denzel Washington, de "Dia de treinamento". Entre os atores principais, SAG e BAFTA bagunçaram a corrida ao ignorar Timothée Chalamet ("Marty Supreme"), que vinha vencendo tudo até então. Com isso, o ganhador do sindicato, Michael B. Jordan ("Pecadores"), assume o favoritismo. Se ele não ganhar, vai ser apenas o sétimo preferido do SAG a não levar o Oscar. Curiosamente, a última vez que isso não aconteceu foi em 2025. Sabe com quem? Ele mesmo, Timothée Chalamet. Entre os coadjuvantes, as taxas de conversão entre SAG e Academia não são tão altas — justamente em categorias das mais imprevisíveis. Sean Penn ("Uma batalha após a outra") até parece ser o nome a ser batido em sua categoria após vencer o sindicato (que prevê cerca de 68% das vezes o escolhido da Academia) e o Bafta, mas foi ignorado por Globo de Ouro e Critics' Choice após começar a temporada na frente. Já Amy Madigan ("A hora do mal") goza de chances maiores após ganhar o SAG (uma taxa de 74%), o Critics' Choice e o Bafta — mas é também extremamente raro que duas atrizes do mesmo filme concorram ao Oscar depois de nem receberem indicações do sindicato, como é o caso de Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning, ambas de "Valor sentimental". Como Madigan é também a única representante de um filme com apenas uma indicação, enquanto suas concorrentes vêm de filmes com presença em múltiplas categorias, é difícil dar à veterana todo o favoritismo — mas que ele existe, existe.