Outono aumenta crises respiratórias em crianças; veja como prevenir
Outono aumenta crises respiratórias em crianças; veja como prevenir Adobe Stock A chegada do outono, nesta sexta-feira (20), coincide com o aumento de crises ...
Outono aumenta crises respiratórias em crianças; veja como prevenir Adobe Stock A chegada do outono, nesta sexta-feira (20), coincide com o aumento de crises respiratórias em crianças. Entretanto, medidas simples, como manter a vacinação em dia, evitar fumaça e melhorar a ventilação dos ambientes podem reduzir riscos. Com a queda da temperatura e a redução da umidade do ar, as vias aéreas ficam mais sensíveis e suscetíveis à inflamação. Além disso, há uma maior circulação de vírus altamente contagiosos nesta época. Dados do Ministério da Saúde mostram que doenças do sistema respiratório estão entre os principais motivos de atendimento em emergências pediátricas nos meses mais frios. A bronquiolite, frequentemente associada ao broncoespasmo, é a principal causa de internação por infecções pulmonares em crianças menores de um ano. Como prevenir crises no outono Especialistas destacam que a prevenção é essencial para reduzir episódios respiratórios nesta época do ano. Entre as principais recomendações estão: manter a vacinação atualizada (influenza, COVID-19, VSR, pneumocócica e coqueluche) evitar exposição ao fumo, incluindo cigarro eletrônico reduzir contato com poluição e alérgenos higienizar as mãos com frequência evitar aglomerações e ambientes fechados em períodos de circulação viral usar máscara em casa quando houver alguém com sintomas respiratórios reforçar a hidratação oral hidratar as vias nasais com soro fisiológico manter janelas abertas por 15 a 20 minutos diariamente usar exaustor no banheiro evitar secar roupas dentro de casa controlar ácaros com capas impermeáveis e lavagem de roupas de cama em água quente evitar tapetes, cortinas pesadas, pelúcias e objetos que acumulam poeira evitar que animais de estimação entrem no quarto de crianças alérgicas Para bebês, alguns cuidados merecem atenção especial: evitar levar os bebês a ambientes fechados ou com aglomerações priorizar a higienização constante das mãos com água e sabão ou álcool em gel 70% antes de qualquer contato evitar que visitas toquem no rosto ou nas mãos da criança manter brinquedos e superfícies de uso frequente sempre limpos Bronquiolite afeta até 80% dos casos em crianças menores de 2 anos; vacina está disponível A hidratação costuma ser negligenciada nessa época do ano, mas merece atenção. Com o ar mais seco e temperaturas mais amenas, a sensação de sede tende a diminuir, apesar de a perda de líquidos e o ressecamento das mucosas continuarem ocorrendo. As vias aéreas também precisam de hidratação porque, quando as mucosas delas ficam desidratadas, perdem eficiência como barreira natural, o que facilita a entrada de vírus e bactérias. “Beber água com regularidade, mesmo sem sede imediata, ajuda a manter a fluidez do muco e a eficiência das defesas do organismo. É uma medida simples, mas muito eficaz para reduzir o risco de complicações respiratórias nesse período”, destaca o infectologista da Pro Matre Paulista Lívio Dias. O pneumologista pediátrico Cláudio D’Elia, do Prontobaby – Hospital da Criança acrescenta que a prevenção envolve controlar fatores ambientais, reduzir a exposição a alérgenos e manter as vacinas atualizadas – medidas que ajudam a diminuir os gatilhos desencadeadores de crises respiratórias. Vírus, clima e volta às aulas impulsionam casos A combinação típica da transição do verão para o outono favorece o aumento dos atendimentos. D’Elia explica que, durante os períodos de clima frio e seco, há comprometimento da resposta imune das vias aéreas e os vírus conseguem permanecer por mais tempo no ambiente. “Vírus altamente contagiosos circulando com mais facilidade podem provocar crises de broncoespasmo, causando estreitamento das vias aéreas e dificuldade para respirar”, afirma o médico. Entre os principais agentes está o vírus sincicial respiratório (VSR), associado a até 75% dos casos de bronquiolite e cerca de 40% das pneumonias em períodos de maior circulação viral, sobretudo em bebês e crianças menores de dois anos. Estudos indicam que infecções virais das vias aéreas estão entre os principais motivos de hospitalização nessa faixa etária, com o VSR presente em 23% a 61% das internações por infecções respiratórias inferiores em bebês. O retorno às aulas é outro fator relevante. Ambientes fechados e pouco ventilados facilitam a transmissão de vírus entre crianças. Médicos destacam que crianças em idade escolar podem se tornar fonte de contágio dentro de casa, transmitindo os vírus para irmãos menores. Bebês são os mais vulneráveis Bebês e crianças pequenas estão entre os grupos mais suscetíveis, pois possuem vias aéreas mais estreitas e sistema imunológico ainda em desenvolvimento. “Qualquer inflamação ou produção de muco pode bloquear rapidamente a passagem do ar, levando ao chiado e à dificuldade para respirar”, explica D’Elia. A vacinação da gestante contra o VSR também é importante, porque permite que o bebê receba anticorpos ainda durante a gestação e já nasça com proteção nos primeiros meses de vida. Dias acrescenta que, além disso, há também um imunobiológico específico que pode ser aplicado logo ao nascer ou até o segundo ano de vida, ampliando a prevenção na temporada de maior circulação do vírus. Médicos reforçam ainda que é importante evitar levar os bebês a ambientes fechados ou com aglomerações, priorizando a higienização constante das mãos. “Também é recomendado evitar que visitas toquem no rosto ou nas mãos da criança e manter brinquedos e superfícies de uso frequente sempre limpos, porque essas barreiras simples ajudam a reduzir o risco de infecções como bronquiolite e pneumonia”, orienta Dias. Broncoespasmo não é asma Apesar de frequentemente confundidos, broncoespasmo e asma não são a mesma condição. O broncoespasmo é a contração dos músculos das vias aéreas, que pode ser desencadeada por infecções virais, alérgenos ou fatores ambientais. Já a asma é uma doença crônica caracterizada por inflamação persistente e crises recorrentes. Sinais de alerta Alguns sintomas indicam necessidade de atendimento imediato: respiração acelerada esforço intenso para respirar retração entre as costelas ou no pescoço dificuldade para falar ou se alimentar lábios arroxeados “Se a criança apresentar respiração muito rápida, retrações no peito ou lábios arroxeados, os pais devem procurar imediatamente um pronto-socorro”, orienta D’Elia. LEIA TAMBÉM: Doenças respiratórias crônicas melhoram com a idade? Entenda por que crianças têm mais crises e como tratá-las