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Pesquisador da Unicamp cria personagem idosa para analisar músicas de Sandy e chama atenção da cantora

Pesquisador da Unicamp cria personagem idosa para analisar músicas de Sandy Liberdade, autonomia, crescimento pessoal e a busca pela própria identidade estão...

Pesquisador da Unicamp cria personagem idosa para analisar músicas de Sandy e chama atenção da cantora
Pesquisador da Unicamp cria personagem idosa para analisar músicas de Sandy e chama atenção da cantora (Foto: Reprodução)

Pesquisador da Unicamp cria personagem idosa para analisar músicas de Sandy Liberdade, autonomia, crescimento pessoal e a busca pela própria identidade estão entre os temas discutidos em um artigo científico da Unicamp que analisa canções de Sandy. Publicado na Revista Rua, do Laboratório de Estudos Urbanos do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade, o artigo "Há Sandy entre nós, mas é você quem mais julga" usa músicas da cantora de Campinas (SP) para discutir como mulheres constroem a própria voz ao longo da vida. A pesquisa repercutiu além do meio acadêmico e chegou à própria cantora. Em uma publicação nas redes sociais sobre o trabalho, Sandy chegou a comentar que se sentia homenageada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp O texto foi assinado por Aparecida Eule, uma idosa que não existe fora das páginas da pesquisa. A personagem é um heterônimo criado pelo professor de Língua Portuguesa e pesquisador Fábio Piantoni, que explicou ao g1 a origem da autora fictícia e os objetivos da análise. A escolha de Sandy para o estudo está ligada à relevância histórica da artista para diferentes gerações de brasileiros. Para o pesquisador, a cantora construiu ao longo da carreira uma trajetória que simboliza a conquista de uma "primeira voz" feminina, tornando-se referência de autonomia e liberdade para falar sobre as próprias experiências. "A importância da Sandy é histórica", afirmou. "Ela é linguagem, ela é música, ela é imagem, ela é valor social." Por que Sandy? Pesquisador da Unicamp cria personagem idosa para analisar músicas de Sandy e chama atenção da cantora Redes sociais Fã da artista desde a adolescência, Piantoni disse que encontrou na carreira de Sandy uma trajetória capaz de ilustrar processos de amadurecimento e construção da autonomia feminina. A pesquisa acompanha simbolicamente diferentes momentos da vida da cantora: da infância na dupla com o irmão Junior à carreira solo, quando passa a assumir cada vez mais espaço como compositora e intérprete das próprias experiências. É nesse ponto que surge um dos conceitos centrais do artigo: o de "primeira voz". Segundo o artigo, Sandy deixa de ocupar apenas lugares construídos em relação a outras pessoas e passa a se apresentar como sujeito da própria narrativa, cantando seus conflitos, dúvidas e escolhas. Embora tenha partido da obra de Sandy, o estudo discute questões mais amplas sobre a condição feminina. O texto questiona a ideia de que mulheres devam ser definidas apenas pelos papéis de mãe, esposa ou cuidadora. Segundo Piantoni, essas identidades não esgotam a experiência feminina e muitas vezes escondem desejos, interesses e projetos próprios. "A mulher já era mulher antes de ser declarada esposa", exemplificou Fábio. As músicas escolhidas A análise se concentra em quatro canções. Em "Me Espera", a pesquisa identifica o sentimento de alguém que tenta reencontrar a própria identidade em meio às turbulências de um relacionamento. "Areia" aparece como uma metáfora para o desgaste provocado pela passagem do tempo e pelas dificuldades da vida a dois. "Pra me refazer", gravada com a dupla Anavitória, é interpretada como um processo de reconstrução pessoal depois de uma ruptura amorosa. Por fim, "Eu pra você" é apresentada como uma afirmação de liberdade diante das expectativas impostas por outras pessoas. Quem é Aparecida Eule? Artigo que analisa músicas de Sandy foi assinado por Aparecida Eule, heterônimo criado por Fábio Piantoni após graves problemas de saúde. Reprodução/Revista Rua Aparecida Eule não foi criada apenas para assinar um texto. Segundo Fábio, a personagem representa uma voz feminina inspirada em mulheres mais velhas, avós, mães, tias e profissionais de cuidado que costumam ocupar papéis fundamentais na sociedade, mas nem sempre encontram espaço para falar de si mesmas. A ideia nasceu após um período em que o pesquisador passou por vários problemas de saúde. Ele contou que, em 2024, passou por cirurgias, longos tratamentos e foi acompanhado por equipes majoritariamente femininas durante meses. A experiência o levou a refletir sobre o peso do trabalho de cuidado exercido por mulheres. "Como que a gente cuida da pessoa que cuida da gente? Cadê essa voz?", questionou. Fábio, então, decidiu criar uma personagem capaz de observar o mundo a partir desse lugar. No artigo, Eule surge como uma idosa que conversa sobre a vida, os relacionamentos, o envelhecimento, a amizade e a condição feminina enquanto analisa a obra da cantora. Fábio contou que, com a repercussão, muita gente passou a procurar informações sobre a suposta pesquisadora de Valinhos sem saber que ela era, na verdade, um heterônimo criado dentro do próprio projeto acadêmico. "Ela ficou tão verdadeira que ninguém queria falar comigo. Queriam falar com a Eule", brincou o pesquisador. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região