PF apura se esquema de Vorcaro deu para Jaques Wagner, do PT, apartamento de R$ 2,5 milhões e propina de R$ 3,5 milhões
Caso Master: líder do governo, senador Jaques Wagner é alvo de operação da PF O senador Jaques Wagner, do PT, líder do governo Lula, foi alvo nesta quinta-...
Caso Master: líder do governo, senador Jaques Wagner é alvo de operação da PF O senador Jaques Wagner, do PT, líder do governo Lula, foi alvo nesta quinta-feira (18) de busca e apreensão da Polícia Federal, que investiga o escândalo do Banco Master. A nova fase da Operação Compliance Zero apura se o esquema do banqueiro Daniel Vorcaro deu para Jaques Wagner um apartamento de R$ 2,5 milhões e também propina no valor de R$ 3,5 milhões. A Polícia Federal investiga se o senador recebeu propina para atender a interesses do banqueiro Daniel Vorcaro no Congresso. Logo cedo, agentes e delegados da PF cumpriram 18 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Brasília e Salvador. Em um endereço onde o senador se hospeda em Brasília, a polícia apreendeu US$ 49 mil em espécie e uma coleção de relógios. Na Bahia, em endereços ligados a ele, foram encontrados dólares, euros e reais em espécie. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Outro alvo de buscas foi o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Ele chegou a ser preso na primeira fase da investigação sobre as fraudes do Banco Master, em novembro de 2025, mas depois foi solto, com tornozeleira eletrônica. Augusto Lima é dono do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central em fevereiro de 2026. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. De acordo com a decisão, a PF investiga uma “possível relação ilícita entre Augusto Ferreira Lima e Daniel Bueno Vorcaro, e o senador Jaques Wagner”; e que “no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas por Jaques Wagner, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”. PF apura se esquema de Vorcaro deu para Jaques Wagner, do PT, apartamento de R$ 2,5 milhões e propina de R$ 3,5 milhões Jornal Nacional/ Reprodução Segundo a PF, as primeiras vantagens recebidas por Jaques Wagner seriam viagens em aviões particulares ligados a Augusto Lima e ao Master, em 2023; e a oferta de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, em junho do mesmo ano, Augusto teria orientado sua secretária a adquirir ingressos em favor de familiares de Jaques Wagner. A aquisição dos bilhetes teria sido realizada pela empresa Reag Investimentos, também investigada pela PF, pelo valor total de mais de R$ 63 mil. Meses depois, em novembro, Jaques questionou Augusto sobre os “ingressos de sábado”, tendo recebido os arquivos de ingressos para camarote. Posteriormente, solicitou ampliação do número de entradas para cinco pessoas, ao que Augusto respondeu: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs”. Outra suspeita da PF de vantagem indevida envolve um apartamento de luxo em um prédio ainda em construção em Salvador. Em novembro de 2024, Jaques Wagner encaminhou a Augusto Lima o contato do gerente da construtora, acrescentando: “A unidade é a 1.702 e o preço é R$ 2,45 milhões”. No dia seguinte, encaminhou um panfleto do empreendimento. Na mesma data, Augusto realizou chamada de voz com Valério Marega Júnior - apontado pela PF como operador financeiro - e lhe repassou os dados do corretor, do empreendimento, da unidade e o valor. Cerca de seis meses depois, em maio de 2025, segundo a investigação, Jaques Wagner encaminhou a Augusto Lima uma mensagem pedindo os dados pessoais do proprietário formal do imóvel para viabilizar a emissão de documentos. No dia seguinte, Augusto encaminhou a Jaques o contato de “Davi Daniel Monteiro”, correspondente a David Lopes Monteiro, e realizou chamada com o próprio David - que é apontado pela investigação como outro operador ligado a Vorcaro. De acordo com a PF, a negociação sobre esse imóvel continuou mesmo após a primeira fase da Compliance Zero, em novembro de 2025. A Polícia Federal ainda identificou repasses que seriam destinados ao senador no valor total de R$ 3,5 milhões. Os repasses saíram de uma empresa dirigida por Andrea Lima Novaes, prima de Augusto Lima, para a BN Financeira, empresa ligada ao núcleo familiar de Jaques Wagner. Uma das sócias é Bonnie Toaldo Bonilha, esposa do enteado de Jaques Wagner, Eduardo Mendonça Sodré Martins, secretário de Meio Ambiente do estado da Bahia. Os dois também foram alvo da operação desta quinta-feira (18). Segundo a investigação, Eduardo cobrava Augusto Lima sobre os pagamentos. Em uma mensagem de setembro de 2025, Eduardo teria afirmado: “Amanhã vencem os boletos e são altos”. Em resposta, Augusto afirmou que o cenário estava “crítico” e vinculou a dificuldade financeira ao insucesso da operação Banco Master com o BRB. Em outubro, a operação foi concluída com transferência de R$ 3,5 milhões à BN Financeira. A Polícia Federal investiga se, em troca dessas supostas vantagens, Jaques Wagner atuou em favor do Banco Master no Congresso. Segundo a investigação, o senador falava frequentemente com Augusto Lima sobre temas de interesse de Daniel Vorcaro, como a emenda Master - proposta, apresentada pelo senador Ciro Nogueira, do Progressistas, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Eles também teriam conversado sobre um projeto que aumentava os limites do crédito consignado e a tentativa de venda do Master para o BRB. Em uma das conversas, em março de 2025, ao explicar a Jaques Wagner os termos da operação de venda do Banco Master ao BRB, Augusto afirmou: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso”. Segundo a PF, a frase indica que "Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado". Jaques Wagner nega Jaques Wagner nega ter atuado no Congresso em favor do Master Jornal Nacional/ Reprodução O senador Jaques Wagner negou ter atuado em favor do Banco Master. Lideranças da oposição e do governo se manifestaram no Congresso. Governistas saíram em defesa de Jaques Wagner. “Ele terá todo o direito e a nossa proteção para ele se explicar e dar a versão dele sobre esse fato. Só está sendo investigado porque é no nosso governo. Nada no nosso governo foi para debaixo do tapete”, diz José Guimarães, ministro da Secretaria de Relações Institucionais. “Não haverá nem criminalização nem favorecimento a quem quer seja, esteja onde estiver, em que posição política tiver. A polícia, neste governo, a Polícia Federal não é coagida”, afirma o senador Randolfe Rodrigues, do PT-AP, líder do governo no Congresso. Mas uma ala defendeu a saída de Jaques Wagner da liderança do governo. O vice-líder do governo na Câmara, Rogério Correia, do PT, afirmou em uma rede social que o senador deveria se afastar para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção da inocência. Na oposição, o tom foi de crítica. “O povo brasileiro precisa tomar conhecimento, contra ou na contramão da narrativa que o PT faz, que uma coisa é uma relação entre privados, outra coisa é uma relação de troca de favores entre o poder público e um privado que, de alguma forma, consegue se imiscuir de uma forma criminosa nos negócios do país”, diz Rogério Marinho, PL-RN. “Evidente que tem que dar ao senador a liberdade para ele fazer a defesa, de justificar, mostrar, ter acesso ao processo. Acho que tudo isso é válido. Mas acho que fica difícil para ele conduzir as reuniões aqui com essa investigação”, diz o senador Izalci Lucas, PL-DF, líder da oposição no Congresso. O presidente do Senado, David Alcolumbre, do União Brasil, se manifestou: “Meu apoio, a minha solidariedade integral a um colega senador da República, e eu tenho a convicção que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas, e um dia elas serão julgadas. E é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada”. No fim da tarde, o senador Jaques Wagner divulgou uma nota por meio da assessoria. Diz que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados; que acompanha com tranquilidade o andamento das investigações; que o apartamento investigado jamais integrou o patrimônio dele; e negou atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira. Sobre os valores em espécie apreendidos, informou que "o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais". E encerrou a nota afirmando que "permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá". Em entrevista à BandNews, o senador disse que o apartamento em Salvador nunca foi dele: “Eu tinha interesse de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar, depois eu vou recomprar’, porque o apartamento está em construção, não está pronto, e eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar. Então, não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim”. O senador disse que tem o apoio do presidente Lula: “O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo, dizer que mantém a absoluta confiança nele. A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe qual é meu jeito de agir. Então, ele só ligou para dizer: ‘Ó, fique firme. Essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança’. Então, do meu ponto de vista, até agora, o que eu tenho do presidente Lula é a solidariedade ao ocorrido”. A defesa do banqueiro Augusto Lima declarou que ele está à disposição das autoridades; disse também que os fatos apurados são rigorosamente lícitos e que ele sempre atuou dentro da lei, com transparência e responsabilidade. A defesa de Daniel Monteiro disse que ele está preso há mais de dois meses no inquérito sobre o Master e que não teve acesso às informações da operação desta quinta-feira (18). O Jornal Nacional não conseguiu contato ou não teve retorno dos outros citados na reportagem. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM PF investiga se Jaques Wagner recebeu R$ 3,5 milhões e apartamento de luxo em Salvador Andréia Sadi: PF cita cobrança de enteado de Jaques Wagner a gestor do Master: 'Amanhã vencem os boletos' Andréia Sadi: Pressão por explicações aumenta, e aliados defendem saída de Jaques Wagner da liderança do governo Lula Jaques Wagner ganhou ingressos de camarote para show de Taylor Swift em 2023 por R$ 63 mil, diz PF