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PM acusado de matar mulher na frente das filhas dela vai a júri no Acre: ‘A gente espera que ele nunca saia’

Marcas do Feminicídio: Família de Ionara Nazaré alerta para perigoso do ciclo da violência “A maior possível. A gente espera que ele nunca saia”. É as...

PM acusado de matar mulher na frente das filhas dela vai a júri no Acre: ‘A gente espera que ele nunca saia’
PM acusado de matar mulher na frente das filhas dela vai a júri no Acre: ‘A gente espera que ele nunca saia’ (Foto: Reprodução)

Marcas do Feminicídio: Família de Ionara Nazaré alerta para perigoso do ciclo da violência “A maior possível. A gente espera que ele nunca saia”. É assim que uma das irmãs de Ionara da Silva Nazaré, de 29 anos, resume a expectativa da família pelo resultado do julgamento do ex-tenente da reserva remunerada da Polícia Militar do Acre (PM-AC) Reginaldo de Freitas Rodrigues, de 56 anos, acusado de matar a jovem a tiros em setembro do ano passado, em Rio Branco. Reginaldo é julgado nesta quinta-feira (17) pelo Tribunal do Júri, em Rio Branco. A sessão é conduzida pelo juiz Fábio Alexandre Costa de Farias e ocorre na 1ª Vara Criminal do Fórum Criminal da capital. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A irmã, que não quis ser identificada, também criticou o que classificou como uma tentativa de familiares do acusado de responsabilizar Ionara pela situação vivida por Reginaldo. “É horrível, principalmente quando a família dele tenta colocar como a minha irmã que destruiu a vida dele, sendo que foi ele que tirou a vida dela. Além da gente lidar com o luto, ainda tem que ouvir familiares dele tentando destruir a imagem da minha irmã”, complementou. 👉 Contexto: O crime aconteceu em 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães, e, segundo a acusação, Ionara foi atingida por quatro tiros na frente das duas filhas, que tinham 3 e 7 anos na época. A criança mais velha relatou à polícia que ouviu os disparos e encontrou a mãe caída no chão, já sem vida. O homem fugiu logo após o crime, deixando elas sozinhas na casa, e foi preso dois dias depois. A arma que ele tinha porte, de propriedade da PM, também foi apreendida. Ionara foi assassinada no dia 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães. Segundo a acusação, ela foi atingida por quatro tiros na frente das duas filhas, que tinham 3 e 7 anos na época. O acusado fugiu após o crime e foi preso dois dias depois. 🚨 Ele responde por feminicídio com duas qualificadoras: motivo torpe e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. O Ministério Público do Acre (MP-AC) também apontou como agravante o fato de o crime ter ocorrido na presença das filhas de Ionara. Ionara da Silva Nazaré, de 29 anos, 9ª vítima de feminicídio em 2025 Renato Menezes/Arte g1 'Ela se sentia presa', diz irmã em depoimento Durante o julgamento na manhã desta quinta, outra irmã da vítima afirmou que Ionara se sentia presa no relacionamento. Segundo ela, Reginaldo justificava que dava tudo para a companheira, mas essa postura também era usada para exercer controle sobre a vida dela. Ela contou que, antes do relacionamento, a família materna ajudava nos cuidados com as crianças. Depois, Ionara passou a dizer que sentia falta até de sair de casa para realizar tarefas simples. “Ela falava assim: ‘eu tenho vontade de deixar meus filhos na escola, eu tenho saudades de ir no mercado, porque ele faz tudo isso. Ele faz questão de ir, ele quer ir toda vez, como se não quisesse que eu saísse na rua’. É como se ela tivesse medo dele”, destacou. Tenente aposentado da Polícia Militar do AC, Reginaldo de Freitas Rodrigues é o principal suspeito de matar Ionara Arquivo pessoal Mãe relata trauma das crianças A mãe de Ionara, Audilene da Silva, também foi ouvida pelo júri e relatou o impacto do assassinato sobre as duas netas. Segundo ela, a filha mais nova, que tinha três anos quando presenciou o crime, ainda repete diariamente o que aconteceu. Segundo Audilene, as crianças também passaram a enfrentar dificuldades financeiras após a morte da mãe. Ela afirmou que, quando as meninas adoecem, sente vergonha de pedir ajuda para comprar medicamentos e que a família enfrenta dificuldades até para garantir a alimentação delas. "Quando ela ouviu os tiros, a pequenininha estava no sofá e viu na hora que ele assassinou a minha filha. Ela conta que ela tinha três aninhos quando a mãe dela morreu. Ela conta a forma, ela não esquece, todo dia conta a mesma coisa. Tem sido tão difícil conviver com essas duas crianças. Ela fica assombrada. Eu digo: 'filha, ele não vai vir aqui'", falou. O julgamento segue nesta quinta-feira (17), com depoimentos de testemunhas e familiares. Depois dessa etapa, acusação e defesa fazem os debates diante dos jurados, que decidem sobre a responsabilidade do réu. Júri de Ionara Nazaré ocorre nesta quinta-feira (17) em Rio Branco Pâmela Celina/g1 Acusação Reginaldo foi pronunciado a júri popular pela Justiça do Acre em março deste ano. Na decisão, o juiz Fábio Alexandre Costa de Farias entendeu que o assassinato ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar. Segundo a decisão de pronúncia, o assassinato ocorreu durante uma discussão do casal relacionada a dinheiro e aos valores pagos por Reginaldo como pensão alimentícia a um filho de outro relacionamento. A arma utilizada no crime, que era de propriedade da Polícia Militar e estava sob a posse do acusado, foi apreendida. Reginaldo foi preso dois dias após o assassinato. Conforme o processo, o indiciamento de Reginaldo foi emitido em 8 de outubro do ano passado, pelo Ministério Público do Acre (MP-AC). No relatório final, a Polícia Civil também pediu que a Justiça mantivesse a prisão preventiva do militar. Tenente aposentado da Polícia Militar do AC, Reginaldo de Freitas Rodrigues é o principal suspeito de matar Ionara Arquivo pessoal Mesmo após se entregar, o ex-tenente da reserva da PM optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. Ele foi levado à Deam, onde teve sua arma usada no assassinato, de propriedade da PM, apreendida e enviada para perícia balística. A DPE chegou a pedir a revogação da prisão do ex-tenente da PM, entretanto, a Justiça negou o pedido da defesa sob argumento de que seguem presentes a gravidade do crime, o modo como foi cometido e o risco de reiteração, e que o pedido não apresentou nenhum fato novo que modificasse o cenário do caso. Ionara morreu antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O inquérito indiciou o militar por feminicídio com base no artigo 121 do Código Penal, combinado com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). À época, o g1 apurou que Reginaldo se aposentou como 2º tenente em fevereiro de 2018 em razão de ter completado mais de 30 anos de serviço. Já em 2022, foi reconvocado para atuar na área administrativa do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar (PM-AC), pela Reserva Remunerada. VÍDEOS: g1