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Polícia apura relação de investigador de Americana com chefe de esquema de fraudes; defesa nega envolvimento

Polícia apura relação de investigador de Americana com chefe de esquema de fraudes A Corregedoria da Polícia Civil abriu um procedimento correcional para ap...

Polícia apura relação de investigador de Americana com chefe de esquema de fraudes; defesa nega envolvimento
Polícia apura relação de investigador de Americana com chefe de esquema de fraudes; defesa nega envolvimento (Foto: Reprodução)

Polícia apura relação de investigador de Americana com chefe de esquema de fraudes A Corregedoria da Polícia Civil abriu um procedimento correcional para apurar a relação de um investigador da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Americana (SP) com Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, apontado como chefe de um esquema de fraudes bancárias. A informação foi confirmada ao g1 neste domingo (29). Valdir Carvalho da Silva Filho apareceu ao lado do suspeito em um vídeo gravado durante uma festa, em 2020. As imagens foram registradas em uma transmissão ao vivo feita por Thiago em uma rede social. Na gravação, o investigador é filmado pelo suspeito e faz um sinal de “joinha” com as mãos — assista no vídeo acima. 🔎 Um procedimento correcional visa investigar e punir infrações disciplinares ou penais de servidores. Conduzido pela Corregedoria , envolve fases como investigação, instrução, defesa e julgamento, podendo resultar em punições e demissões. Segundo o advogado Murilo Medrado Novaes, que representa o investigador, Valdir não foi notificado pela Corregedoria sobre a abertura do procedimento e justificou o vídeo afirmando que Thiago se apresentava como empresário e circulava socialmente — veja a posição completa abaixo. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram A Polícia Federal (PF) de Piracicaba, uma das frentes de investigação da Operação Fallax, havia confirmado ao g1, na sexta-feira (27), que o investigador de Americana (SP) não aparecia na investigação e que não tinha informações sobre a relação dos dois. A Polícia Civil não informou quando houve a abertura do procedimento, mas em nota, reforçou que "não compactua com condutas incompatíveis com o exercício da função policial e que pune com rigor qualquer irregularidade confirmada, nos termos da legislação vigente". O que diz a defesa? Polícia apura relação de investigador de Americana com chefe de esquema de fraudes; defesa nega envolvimento Reprodução/Redes Sociais Ao g1, o advogado afirmou que Valdir não é investigado, testemunha ou citado nos relatórios da Polícia Federal sobre a Operação Fallax. A defesa também informou que o investigador nunca teve negócios com Ralado— veja o posicionamento completo: "O policial [Valdir] nunca teve negócios com o investigado Thiago Ralado, as imagens são do ano de 2020, bem como que são de eventos sociais frequentados por inúmeras pessoas, entre elas empresários, figuras públicas, políticos, comandantes da polícia militar e outros convidados. Nos relatórios da Polícia Federal, não há qualquer apontamento ou menção que relacione Valdir aos fatos apurados na Operação Fallax. As imagens que vêm sendo exploradas são oriundas de eventos sociais, frequentados por inúmeras pessoas, entre elas empresários, figuras públicas, políticos, comandantes da polícia militar e outros convidados. Thiago se apresentava como empresário e circulava socialmente nesses ambientes, o que evidentemente não autoriza a construção de responsabilidade por mera associação. Além disso, o vídeo mencionado é do ano de 2020 e, àquela época, Valdir sequer estava lotado na DISE, o que afasta ainda mais qualquer tentativa de se criar correlação indevida entre a gravação e a atuação funcional posteriormente exercida. Valdir jamais teve ciência de qualquer fato ilícito que hoje esteja sob apuração". Esquema de fraudes bancárias Thiago "Ralado", empresário de Americana (SP) Arquivo/Liberal Principal alvo da Operação Fallax, que investigou o esquema de fraudes bancárias, Thiago Branco de Azevedo foi preso na manhã desta sexta-feira (27), em Piracicaba (SP). Ele é responsável pela criação de empresas para aplicação das fraudes, e tinha vida de luxo e costumava dar festas para cantores sertanejos. ➡️ O esquema envolvia abertura de contas com empresas fictícias com a utilização de nomes de laranjas e até de pessoas que nem existem. A quadrilha também é investigada por crimes de lavagem de dinheiro e estelionato. De acordo com as investigações, a organização praticava fraudes bancárias mediante o uso de empresas de fachada, “laranjas” e cooptação de agentes do sistema financeiro. Pessoas eram pagas com importâncias consideradas “ínfimas”, como R$ 150 e R$ 200, para emprestar o nome. Gerentes de banco também recebiam “comissões” como pagamento por participarem do esquema. Conforme apurou a PF, o grupo abriu múltiplas contas bancárias e celebrou contratos de empréstimo milionários. Já foram identificadas movimentações de, pelo menos, R$ 47 milhões. 18 presos No balanço atual, 18 pessoas já foram presas pelo esquema, e outras três seguem foragidas. Entre os presos está o Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, também é um dos alvos da ‘Operação Fallax’. Três alvos da operação seguem foragidos. Suas funções envolviam intermediar pagamentos e, até mesmo, manter o “silêncio” de pessoas que ameaçassem denunciar o esquema. São eles: Ariovaldo Alves de Assis Negreiro Junior, de Osasco (SP) Igor Gustavo Martins Avela, de São Paulo (SP) Carlos Ramiro Rodrigues, de Rio Claro (SP) O g1 não conseguiu localizar as defesas. 📚 LEIA TAMBÉM: De gerentes da Caixa a falsificadores de documentos: quem é quem no esquema de fraudes bancárias Esquema de fraudes bancárias: suspeitos usaram até mãe e filha como 'laranjas', aponta PF 🔎 Raio X da operação Quantos mandados foram expedidos? — A operação teve 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Quantas pessoas estão presas e foragidas? — 18 pessoas estão presas e outras três estão foragidas. O que foi apreendido? — Computadores, documentos e aparelhos celulares relacionados à operação. Quebra de sigilo e bloqueio de bens — Foi determinado o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões. Foram autorizadas ainda medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas. Qual crime é investigado? — Segunda a PF, eram realizadas fraudes bancárias de instituições financeiras. O esquema envolvia a abertura de contas com empresas fictícias com a utilização de nomes de laranjas e até de pessoas que nem existem. Pessoas eram pagas com importâncias consideradas ínfimas (R$ 150, R$ 200) para emprestar o nome ao esquema. Quantas empresas conseguiram financiamento? — 172 empresas conseguiram obter financiamentos em várias instituições financeiras. Foram identificadas movimentações de pelo menos R$ 47 milhões. Como eles dificultavam o rastreamento? — Segundo a PF, a organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos, e cooptava funcionários de instituições financeiras. Os funcionários inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas, e esses valores eram convertidos em bens de luxo e criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento. Valores totais fraudados — As fraudes investigadas podem alcançar valores superiores a R$ 500 milhões. PF cumpre mandados para desarticular quadrilha suspeita de fraudes bancárias contra Caixa Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.