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Polícia diz que família soube pelas redes sociais que crianças tinham sido vítimas de estupro coletivo em SP; eles tiveram que deixar a comunidade por causa de ameaças

Polícia diz que família soube pelas redes sociais que crianças tinham sido estupradas A Polícia Civil afirmou neste domingo (3) que o estupro coletivo de du...

Polícia diz que família soube pelas redes sociais que crianças tinham sido vítimas de estupro coletivo em SP; eles tiveram que deixar a comunidade por causa de ameaças
Polícia diz que família soube pelas redes sociais que crianças tinham sido vítimas de estupro coletivo em SP; eles tiveram que deixar a comunidade por causa de ameaças (Foto: Reprodução)

Polícia diz que família soube pelas redes sociais que crianças tinham sido estupradas A Polícia Civil afirmou neste domingo (3) que o estupro coletivo de duas crianças menores de idade foi denunciado pela irmã de uma das vítimas, que viu as imagens do crime nas redes sociais e foi à delegacia. O crime ocorreu no dia 21 de abril, mas só chegou ao conhecimento das autoridades no dia 24. A polícia diz que em cinco dias conseguiu identificar os criminosos e prendê-los. As vítimas são duas crianãs de 7 e 10 anos de idade. Quatro criminosos são menores e três já foram estão apreendidos. Um é maior e foi preso na cidade de Brejões, na Bahia, e deve ser transferido para São Paulo nesta segunda-feira (4). Um quarto suspeito menor está foragido e sendo procurado pela polícia. Os cinco criminosos serão indiciados por estupro de vulnerável, divulgação de imagem de menor e corrupção de menores. Preso na Bahia suspeito de estupro coletivo Segundo os delegados do 63° Distrito Policial da Vila Jacuí, que investiga o caso, a família estava sendo pressionada a não prestar queixa na polícia e resolver as coisas dentro da comunidade mesmo. “As vítimas estavam sendo pressionadas para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. Embora na internet estivesse circulando na internet, a família não havia registrado queixa. Então, os investigadores conseguiram localizar as vítimas, que foram encaminhadas para exame”, disse a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk. “[A pressão] era pela comunidade. O que foi me passado é que eles queriam resolver lá entre eles e não queriam que a polícia tomasse conhecimento”, afirmou. O caso só chegou ao conhecimento das autoridades depois que uma irmã maior de idade de uma das vítimas identificou o irmão e denunciou o caso na delegacia. Mas ela não sabia o local do crime nem as circunstância e pessoas envolvidos. A polícia diz, então, que começou um trabalho de investigação para localizar as famílias e os adolescentes envolvidos. De acordo com os investigadores, os agressores conheciam as vítimas e atraiu elas para o imóvel onde o estupro aconteceu dizendo que o grupo iria soltar pipa. “Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram pra soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque falaram: ‘vamos soltar pipa, aqui tem uma linha’. Um dos adolescentes disse que era uma brincadeira que acabou escalando, mas a iniciativa de gravar foi do maior. Foi ele quem começou as brincadeiras. Ele começou a gravar no próprio celular e depois pediu para o outro menor que gravasse”, afirmou a delegada que atendeu as vítimas. Os delegados Júlio Geraldo e Janaína da Silva Dziadowczyk, do 63° DP, junto com o secretário de Segurança Pública, Oswaldo Nico Gonçalves. Reprodução/TV Globo Os policiais contam que as famílias das duas vítimas tiveram que fugir da comunidade, com medo de acerto de contas ou qualquer reação popular contra os parentes das duas crianças. “[A irmã] Soube através das redes sociais. Ela é uma irmã que não mora mais com a mãe. Quando ela viu o vídeo identificou o irmão e veio e registrou o boletim de ocorrência. Mas ela não tinha detalhes e não sabia o local. A família saiu com medo lá da [comunidade]. Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Então, foi uma dificuldade encontrar essas vítimas. Elas vieram à delegacia, foram ouvidas e as crianças submetidas à exames", afirmou a delegada do caso. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse os menores e a família deles foram acolhidos em equipamentos da prefeitura de SP com ajuda psicológica. O local está mantido em segredo por proteção das vítimas, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Divulgação na internet Manifestantes protestam contra estupro coletivo na Zona Leste de SP De acordo com o delegado Júlio Geraldo, titular do 63° DP, depois da prisão e indiciamento de todos os envolvidos no estupro coletivo, a polícia quer saber quem foi que publicou as imagens nas redes sociais. Segundo a equipe de investigação, o rapaz maior de idade que foi preso teria sido o autor das filmagens. Ele teria passado o vídeo para amigos por meio de Whatsapp e essas imagens depois passaram a circular nas redes sociais. “No primeiro momento a gente tinha a prioridade de identificar os agressores. No 2° momento vamos trás para saber quem divulgou essas imagens. Com a vinda do maior, ele vai ser ouvido. E vamos checar pra quem ele passou e quem divulgou esse vídeo nas redes sociais”, disse o delegado. “Quando a ocorrência chegou, foi por uma irmã da vítima que não disse sequer onde tinha ocorrido os fatos. Então, foi necessário reconstruir toda a situação. Tivemos que chegar ao locar, periciar. Encontrar os familiares das vítimas. Cuidar da proteção dessas vítimas porque elas não poderiam ser revitimizas com uma investigação açodada”, afirmou. A polícia também quer saber o teor das ameaças contra a família das vítimas e entender o motivo da fuga da comunidade. O secretário da Segurança Pública do estado, Oswaldo Nico Gonçalves, acompanhou a coletiva na delegado neste domingo (3) e defendeu a redução da maioridade penal no Brasil. “Eu com 45 anos de polícia não consegui ver a cena até o fim. Assim que souberam do fato, em menos de cinco dias a equipe do 63° DP conseguiu esclarecer o caso. É uma forma de rever a maioridade penal. Quatro menores e um maior fizeram isso. Uma cena terrível”, afirmou o secretário. Preso na Bahia Alessandro Martins dos Santos é investigado pela participação em um estupro coletivo de duas crianças. Montagem/g1/Reprodução/GCM de Brejões Um homem de 21 anos, investigado por participação no estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, foi preso na noite de sexta-feira (1º) pela Guarda Civil Municipal (GCM) de Brejões, no interior da Bahia. Segundo o comandante da GCM, Cláudio Sérgio Silva Souza, Alessandro Martins dos Santos foi localizado em uma casa na Rua da Torre, no distrito de Serrana. A GCM foi acionada após denúncia de tentativa de furto. De acordo com o comandante, há alguns dias estava circulando a informação de que o suspeito teria fugido para a Bahia após o crime. No local, os guardas identificaram que Alessandro tinha características compatíveis com as do foragido. Questionado, ele confessou participação no estupro e afirmou ter fugido de São Paulo por medo de morrer. O suspeito foi levado para a Delegacia Territorial de Jequié, onde está preso temporariamente e aguarda transferência para São Paulo. O g1 não localizou a defesa de Alessandro até a última atualização desta reportagem. O caso O crime ocorreu no dia 21 de abril, mas só chegou ao conhecimento das autoridades no dia 24. Segundo o subprefeito de São Miguel Paulista, Divaldo Rosa, familiares demoraram a denunciar o caso por medo. Ao todo, cinco suspeitos foram identificados: quatro adolescentes e um adulto. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), três adolescentes já foram apreendidos, sendo dois na capital paulista e um em Jundiaí, na Grande São Paulo. O quinto suspeito segue foragido. Nesse período, supostos vídeos dos abusos começaram a circular nas redes sociais, o que provocou indignação entre moradores da região. Um ato por justiça foi realizado na tarde de sexta-feira (1º). Em vídeo publicado nas redes sociais, o subprefeito de São Miguel Paulista afirmou que, após a identificação das vítimas, o Conselho Tutelar passou a acompanhar o caso e acionou a rede de proteção. Segundo ele, as crianças receberam atendimento de saúde e foram encaminhadas a um hospital de referência por meio de um programa municipal. As famílias também foram acolhidas por serviços sociais. Uma das vítimas, de 10 anos, foi levada com familiares para um equipamento da prefeitura, enquanto a outra, de 7 anos, passou a ficar sob os cuidados do pai, em outro município, com acompanhamento do Conselho Tutelar. No fim da tarde desta sexta-feira (1º), manifestantes fizeram um protesto pelas ruas do bairro contra o crime. Vídeos das agressões De acordo com a denúncia, os suspeitos teriam gravado ao menos cinco vídeos com imagens e áudios dos abusos. Segundo apuração da Globonews, uma das vítimas ficou desaparecida por três dias após o ocorrido. Em nota enviada ao g1, as advogadas Nathália Vieira, Fernanda Rosa, Maria Eduarda Ferrari e Eloa Romeiro, que representam os interesses da família de uma das vítimas, afirmaram que a "família está sendo devidamente respaldada em todos os âmbitos necessários, recebendo o suporte jurídico e acompanhamento integral diante dos fatos ocorridos." "Ressaltamos que serão adotadas todas as medidas cabíveis para a devida responsabilização dos envolvidos, com atuação firme e contínua junto às autoridades competentes. A defesa acompanhará de perto o andamento do inquérito policial, bem como adotará as providências necessárias na futura ação penal, a fim de assegurar que a justiça seja plenamente alcançada." A SSP informou que as investigações seguem para localizar todos os envolvidos e esclarecer completamente o caso. O g1 não conseguiu localizar a defesa dos adolescentes apreendidos.