Polícia Federal investiga esquema de compra de votos atribuído a candidatos do PL em Roraima
Deputado estadual Marcinho Belota (PL) e candidato a federal Daniel Trindade (PL) são alvos de investigação de corrupção eleitoral em Roraima. ALE-RR/Repro...
Deputado estadual Marcinho Belota (PL) e candidato a federal Daniel Trindade (PL) são alvos de investigação de corrupção eleitoral em Roraima. ALE-RR/Reprodução/Redes sociais A Polícia Federal (PF) cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do deputado estadual Marcinho Belota (PL) na noite desta sexta-feira (2), em Boa Vista. A ação foi desdobramento de outra operação, quando 22 pessoas foram presas por suspeita de compra de votos em Boa Vista. Entenda 🔎: A PF prendeu 22 pessoas por suspeita de compra de votos em no bairro Calungá, em Boa Vista. Segundo a investigação, eleitores eram levados a dois imóveis na região para receber R$ 400 em dinheiro vivo em troca do apoio nas urnas a Belota e ao candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL). Essa operação motivou as buscas desta sexta. Na casa de Belota, policiais apreenderam documentos, um notebook e R$ 6 mil em dinheiro. Para a PF, eleitores receberam dinheiro em troca de apoio aos dois candidatos. Veja quem são os principais investigados: Marcinho Belota (PL): Deputado estadual e candidato à reeleição. Ele era beneficiado com os valores distribuídos. A casa dele foi alvo de buscas nesta sexta (2). Daniel Trindade (PL): Candidato a deputado federal. Segundo a polícia, ele financiava e direcionava os pagamentos. Vanessa da Silva Soares: Apontada como articuladora. Era a responsável por organizar os eleitores em grupos de WhatsApp e orientar o deslocamento até locais de entrega do dinheiro. Thyago de Souza Franco: Apontado como operador financeiro da campanha de Daniel Trindade. Confessou ter recebido R$ 19 mil em dinheiro vivo no comitê eleitoral e repassado cerca de R$ 12 mil aos presentes em um imóvel no bairro Calungá. Arthur Henrik Flessak Gomes: Motorista da picape usada no transporte do dinheiro e servidor comissionado do gabinete de Marcinho Belota. Confessou ter conhecimento da compra de votos. Ao g1, o deputado estadual Marcinho Belota afirmou ter sido incluído na investigação apenas pela ligação com Daniel Trindade. Sobre as buscas na casa dele, justificou que os R$ 6 mil apreendidos eram notas trocadas, usadas no caixa de uma empresa dele, e que o caderno recolhido tem anotações da eleição de 2022. Belota também criticou a ação da PF, ao alegar que os agentes causaram danos à residência e a morte de uma gata de estimação. Já o candidato a deputado federal Daniel Trindade disse que as ações são "armação política de adversários políticos". Disse também que não entende a quantidade de operações contra ele e o deputado estadual Marcinho Belota, e que os que "de fato estão fazendo corrupção eleitoral, estão passando despercebidos". A reportagem tenta contato com a defesa dos outros citados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Como funcionava o esquema A investigação começou após o Disque-Denúncia Eleitoral receber informações na tarde de quinta-feira (1º). A partir disso, policiais passaram a monitorar duas casas no bairro Calungá. Para tentar evitar a fiscalização, o grupo dividia a entrega do dinheiro em duas etapas: Ponto de encontro: Os eleitores se reuniam primeiro em uma casa, na Rua David Cruz. Local do pagamento: Depois, eram levados para outra casa, na Rua Maria de Lourdes, onde recebiam o dinheiro. No momento do pagamento, os suspeitos recolhiam os celulares dos eleitores para evitar gravações ou registros dos crimes. Pessoas abordadas pela PF disseram que receberam R$ 400, sempre em notas de R$ 100. Segundo a polícia, o valor era dividido entre os dois candidatos: R$ 200 pelo voto em Marcinho Belota e R$ 200 pelo voto em Daniel Trindade. Polícia Federal prende 23 pessoas suspeitas de compra de votos em Roraima Mensagens e listas apreendidas Ainda durante o monitoramento no bairro Calungá, os policiais pararam o carro onde estavam Thyago e Arthur e apreenderam dinheiro. No celular de Thyago, a perícia da Polícia Federal encontrou mensagens sobre a entrega dos valores. Em algumas conversas, o candidato Daniel Trindade orientava a atuação conjunta usando a sigla "D+B". Em outro texto, ele escreveu que a ação era "Daniel ajudando o Belota". Além das conversas no celular, a polícia encontrou papéis com listas de eleitores riscadas à caneta. O material era usado para controlar quem já tinha recebido o pagamento. Daniel foi preso em outra operação Daniel Trindade foi alvo de outra operação há pouco mais de uma semana. Ele foi preso pela PF por suspeita de compra de votos, durante uma operação no dia 25 de setembro, em Boa Vista. Na ação, batizada de Operação Cunhambebe, eram cumpridos mandados de busca e apreensão por uma investigação que apura o envolvimento do político na criação de uma milícia privada para atuar na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, além de crimes ambientais em Roraima. No entanto, ao chegar no local das buscas, a polícia encontrou indícios de crimes eleitorais e prendeu Daniel em flagrante. Ele foi solto no dia seguinte. Agora no g1 Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.