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Polônia busca saída para crise institucional após intervenção policial no Tribunal Constitucional

Manifestantes cercam Tribunal Constitucional da Polônia O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, reuniu-se neste sábado (31) com os partidos da maioria centr...

Polônia busca saída para crise institucional após intervenção policial no Tribunal Constitucional
Polônia busca saída para crise institucional após intervenção policial no Tribunal Constitucional (Foto: Reprodução)

Manifestantes cercam Tribunal Constitucional da Polônia O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, reuniu-se neste sábado (31) com os partidos da maioria centrista e da oposição nacionalista em busca de uma saída para a crise política e institucional que se agravou na sexta-feira com a intervenção da polícia no Tribunal Constitucional. Entretanto, seu adversário, o primeiro-ministro Donald Tusk, denunciou aqueles que, segundo ele, querem "destruir a democracia". A crise entre o Executivo centrista de Tusk e a oposição, que vinha latente desde seu retorno ao poder em 2023, piorou na sexta-feira com a intervenção da polícia no Tribunal Constitucional em Varsóvia. Karol Nawrocki passou a tarde em reuniões com vários líderes de partidos, tanto da oposição quanto da coalizão no poder. Os nacionalistas, a extrema direita e a esquerda radical atenderam ao convite do chefe de Estado no palácio presidencial. Dois partidos da coalizão centrista no poder também. A esquerda, membro da coalizão, declarou não ter recebido convite e não estar disposta a discutir com o chefe de Estado, que, segundo ela, faz parte do problema. A Coligação Cívica (KO) de Donald Tusk não tinha intenção de enviar ninguém, de acordo com a imprensa polonesa. As consultas foram realizadas em turnos. Considerado pela União Europeia como muito dependente do poder político, o Tribunal Constitucional tem sido alvo de um cabo de guerra entre Bruxelas e os nacionalistas do Lei e Justiça (PiS) durante seus mandatos (2015-2023). Desde 2015, o governo do PiS nomeou juízes que nem a União Europeia nem o atual chefe de governo, Donald Tusk (centro-direita), reconhecem. Desde o seu retorno ao poder em 2023, Tusk, ex-presidente do Conselho Europeu, prometeu resolver a crise. Por enquanto, em vão. O chefe de Estado opôs-se a ratificar as indicações propostas pela câmara baixa do Parlamento para o Tribunal. Mas o ministro da Justiça e procurador-geral pediu o levantamento da imunidade do presidente do Tribunal, e uma juíza recém-nomeada pela maioria anunciou que assumiria o cargo de forma interina. No sábado, continuava lá. "Há anos existem na Polônia organizações e responsáveis políticos que querem destruir a democracia e o Estado de direito", justificou-se o chefe de governo em um discurso divulgado na noite deste sábado em sua conta no X. Não sugeriu uma saída para a crise. "Um Estado democrático deve ser forte", disse. O destacamento das forças da ordem ocorreu enquanto Nawrocki estava a bordo de um avião com destino ao Senegal. Mas ele deu meia-volta e se apresentou ao tribunal à tarde. Os apoiadores do partido Lei e Justiça vêm se manifestando há várias semanas em frente ao Tribunal Constitucional para apoiar os juízes. "É uma destruição da democracia por parte de Donald Tusk (...) é uma tragédia", lamentou neste sábado à AFP Iwona Dudek, de 62 anos. Acompanhada do marido, ela partiu de Zgorzelec, cidade fronteiriça com a Alemanha, para protestar em frente ao tribunal. Mas, segundo ela, "Donald Tusk conseguiu o impossível. Uniu toda a direita". "Sonhávamos com uma situação assim", declarou a mulher. De fato, na sexta-feira, após a intervenção da polícia, todas as altas figuras da oposição nacionalista e de extrema direita compareceram ao tribunal para, segundo eles, defender seu presidente. Para a cientista política Ewa Marciniak, da Universidade de Varsóvia, a proximidade das eleições legislativas previstas para novembro de 2027 contribui para aumentar a tensão política. "Já estamos em modo de campanha e em uma fase de mobilização dos eleitores", afirmou à AFP. "Quando os atores políticos perseguem objetivos ligados a essa mobilização, sempre existe o risco de escalada", acrescentou. Neste sábado ainda havia confusão em torno da Corte depois de uma noite agitada: a juíza nomeada pelo atual governo, Anna Korwin-Piotrowska, cogitava assumir interinamente a presidência após a suspensão do controverso presidente do tribunal, Bogdan Swieczkowski. Mas este último conta com o apoio da oposição e do presidente e afirma que permanecerá no cargo.