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Prêmio de contos premia 26 autores e transforma o Rio em protagonista de antologia literária

Paisagem do Rio ao entardecer Reprodução/TV Globo A quarta edição do Prêmio Rio de Contos escolheu 26 autores para participar de um programa gratuito de f...

Prêmio de contos premia 26 autores e transforma o Rio em protagonista de antologia literária
Prêmio de contos premia 26 autores e transforma o Rio em protagonista de antologia literária (Foto: Reprodução)

Paisagem do Rio ao entardecer Reprodução/TV Globo A quarta edição do Prêmio Rio de Contos escolheu 26 autores para participar de um programa gratuito de formação literária, mentoria e publicação de uma antologia com contos inspirados em diferentes territórios fluminenses. As narrativas percorrem bairros históricos, praias, morros, terreiros, periferias e cidades do interior do estado, retratando um Rio marcado tanto pelos cartões-postais quanto por temas como violência urbana, desigualdade, racismo, ancestralidade, gentrificação e relações familiares. Segundo a organização, o prêmio recebeu 503 inscrições, das quais 489 foram validadas. Após uma primeira seleção de 40 finalistas, 26 escritores foram escolhidos para participar do processo de desenvolvimento literário. Agora no g1 Para Bárbara Cortesi, idealizadora e coordenadora do Prêmio Rio de Contos, a cidade ocupa um papel central nas narrativas. Os contos apresentam diferentes perspectivas sobre o estado. Enquanto algumas histórias se passam em locais conhecidos, como o Centro Histórico, a Lapa e as praias cariocas, outras abordam regiões marcadas por operações policiais, ausência do poder público, milícias e processos de apagamento social. Os textos também exploram temas como violência de gênero, envelhecimento, identidade, migração, diáspora africana e espiritualidade. Em parte das narrativas, elementos sobrenaturais aparecem como forma de revisitar episódios históricos ligados à escravidão, ao feminicídio e à violência contra a população negra. Autores de diferentes regiões do estado Dos 26 selecionados, 65% vivem na capital fluminense, distribuídos entre as zonas Norte, Sul, Oeste, Sudoeste e o Centro. Os outros 35% são moradores de municípios como Niterói, Nova Iguaçu, Maricá, Petrópolis, Angra dos Reis, Paraty e Cordeiro. De acordo com a organização, a diversidade territorial contribui para ampliar os olhares sobre o estado, embora o local de origem não determine os temas abordados pelos autores. Nesta edição, inclusive, algumas histórias se passam fora do Rio de Janeiro, em lugares como Paraná e Irlanda. O grupo reúne escritores entre 25 e 67 anos, com média de idade de 43 anos. São 13 mulheres cis, 12 homens cis e uma pessoa não binária. Do total, 46% se autodeclaram negros. A maioria (69%) participa do prêmio pela primeira vez. Além da seleção, os autores passarão por um ciclo de formação com especialistas em escrita criativa, mentoria individual e reescrita dos contos antes da publicação. As atividades incluem cursos ministrados por Cláudia Chigres, da PUC-Rio, e Leonardo Tônus, da Universidade Sorbonne, além de encontros individuais de mentoria com Bárbara Cortesi. O programa prevê ainda uma aula sobre mercado editorial com a especialista em marketing literário Dany Sakugawa e um encontro com um escritor convidado. Ao final do processo, os 26 contos serão reunidos em uma antologia. "Como escritor do interior fluminense, esse prêmio é um importante reconhecimento. Ele mostra que a literatura produzida fora dos grandes centros também encontra espaço e leitores", disse um dos vencedores, Luiz Antônio Cavalheiro, 57 anos, professor de Cordeiro, Região Serrana do RJ. “Estou muito feliz por fazer parte dos 26 escritores selecionados para o 4° Prêmio Rio de Contos. Essa é uma oportunidade ímpar, pois “Atlântico de Saudade” é uma história linda, baseada nas vivências de um amigo congolês. Esse é o primeiro conto que se torna uma escrita que se torna pública. Vou poder compartilhar um pensamento e um olhar sobre a questão do refúgio e imigração, que ainda passa despercebida diante de nós. Nesse conto não falo apenas de mim, mas com minhas breves palavras consigo mostrar a vida de outras pessoas que veem de um lugar distante. Acredito que o prêmio trará um outro movimento ao meu tom de escrita, uma outra vivência no cenário literário. Ser contemplada nesse momento é realmente estar atravessando o oceano com outras milhares de pessoas", comemorou Roberta Mendonça, 36 anos, roteirista e produtora do Rio Comprido, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro Sobre o prêmio Realizado pela Mater Produções e pela Leia Brasil, em parceria com o Ministério da Cultura, o Prêmio Rio de Contos é voltado à descoberta e formação de escritores fluminenses ainda não inseridos no mercado editorial nacional. Nesta edição, o projeto conta também com o apoio da Academia Brasileira de Letras, por meio da participação do escritor e acadêmico Geraldo Carneiro. Desde a criação da iniciativa, mais de 1.500 inscrições habilitadas foram recebidas, com autores de 61% dos municípios do estado. Ao longo das quatro edições, o prêmio já selecionou 76 escritores de 18 cidades fluminenses.