Professor de matemática da rede estadual de Juiz de Fora é eleito um dos 20 melhores do país: 'Conhecimento transforma vidas'
Integração na Educação: Professor de matemática está entre os melhores do país O professor Felipe Corrêa da Cruz Escobar, de 38 anos, natural de Juiz de...
Integração na Educação: Professor de matemática está entre os melhores do país O professor Felipe Corrêa da Cruz Escobar, de 38 anos, natural de Juiz de Fora, conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de Professores de Matemática, ficou entre os 20 melhores educadores do país e integrou o grupo de seis mineiros premiados. Entre explicações e fórmulas riscadas no quadro, ele transformou a matemática em inspiração para mais de 200 alunos das escolas estaduais Mercedes Nery Machado e Sebastião Patrus de Sousa, no bairro Santa Terezinha, fruto de mais de 15 anos de dedicação à educação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp 🔍A Olimpíada de Professores de Matemática é uma das competições mais importantes do país, com a participação de mais de mil professores de todos os estados. Os participantes são avaliados por estratégias pedagógicas, criatividade no ensino e capacidade de engajar os alunos. A iniciativa foi criada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), vinculado ao Ministério da Educação e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A premiação coloca Felipe no seleto grupo de docentes reconhecidos nacionalmente por estratégias inovadoras de ensino. O prêmio oferece ainda uma experiência única: um intercâmbio de 15 dias em uma universidade em Xangai, na China, em um centro de formação da Unesco, previsto para maio de 2026. Projeto criado há 10 anos impulsionou o resultado Há cerca de uma década, Felipe criou um projeto próprio para preparar alunos para a segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). “Comecei em 2014 ou 2015. Na época, os alunos premiados e seus professores recebiam uma bonificação, e eu queria fazer parte disso. Mas o governo deixou de oferecer o benefício. Mesmo assim, continuei, porque percebi o impacto nos alunos”, contou o professor. Os primeiros encontros eram improvisados: aproveitavam intervalos, janelas de horário e salas disponíveis. Hoje, o trabalho faz parte da cultura das escolas onde ele atua. Os resultados apareceram: nos últimos dois anos, 30 estudantes receberam premiações, sendo 15 em cada ano, entre medalhas e menções honrosas. Professor Felipe Corrêa Escobar Felipe Corrêa da Cruz Escobar/Arquivo Pessoal A rotina inclui encontros semanais, geralmente aos sábados, para treinar os candidatos da segunda fase. Com alunos do 9º ano, Felipe também oferece preparação para o ingresso em institutos federais. “Preparo a escola inteira. Todos os alunos aprovados para a segunda fase eu ajudo. É muito gratificante ver o crescimento deles”, disse. O desempenho dos estudantes também abriu portas para o professor. O caminho até a Olimpíada de Professores Felipe conheceu a Olimpíada de Professores de Matemática em um curso preparatório do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, no início deste ano. Como a competição estava em segunda edição e era destinada exclusivamente a docentes, ele ainda não a conhecia. A disputa ocorre em três fases: Avaliação escrita, com questões sobre conhecimento matemático e didática; Envio de vídeo, apresentando práticas pedagógicas e projetos; Entrevista com representantes de instituições como a SBM e universidades. O professor venceu todas as etapas da olimpíada, realizada on-line no início do mês. “Eu estava no Rio no dia da divulgação e, quando saiu a lista, fiquei muito feliz. Representar a rede pública é algo que me orgulha muito. Há excelentes professores que precisam ser valorizados”, afirmou. 'A matemática virou meu futuro', diz estudante Nos últimos anos, 30 estudantes receberam premiações em olimpíadas Felipe Corrêa da Cruz Escobar/Arquivo Pessoal O impacto do trabalho reflete-se diretamente nos estudantes. Manoela Machado, aluna do professor, afirma que a matemática ganhou um novo significado. “Depois que comecei a ter aulas com o Felipe, a matemática virou diversão. Não é apenas uma matéria favorita, é algo que quero levar para o futuro”, afirmou. Isadora Regina, premiada na OBMEP, reconhece o papel decisivo do professor na conquista das medalhas. “Recebi menção honrosa em 2023 e medalhas em 2024. Se não fosse por ele, eu nem conheceria as olimpíadas. Ele incentiva todos nós”, completou. Para Miguel dos Santos, que também acumula premiações, o apoio do professor foi fundamental. “Venho recebendo medalhas graças ao incentivo dos meus professores”. Medalha que abre portas A medalha de ouro na OPM foi a primeira conquista de Felipe na competição. Agora, além do intercâmbio internacional, o professor deve oferecer oficinas e palestras no Brasil sobre o sistema educacional chinês. “Vamos entender como eles trabalham, como as famílias colaboram e como o professor atua em sala. Depois, devolveremos esse aprendizado em forma de formação para outros educadores no país”, explica. Os alunos demonstram tanta empolgação quanto ele em entrevista à TV Integração. “Por ele ser premiado, nos dá ainda mais vontade de conquistar medalhas e trazer orgulho para ele, assim como ele traz para nós”, diz Isadora. “Ensinar matemática não é apenas sobre números. É sobre abrir portas, gerar oportunidades e mostrar que o conhecimento transforma vidas”, finalizou o professor. LEIA TAMBÉM: Professor transforma bairro em sala de aula e é finalista do Prêmio Educador Nota 10 com projeto de sustentabilidade VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes