Proposta do governo para baixar preço do diesel foi aceita por número 'relevante' de estados, diz secretário da Fazenda
Proposta do governo para baixar preço do diesel foi aceita por número 'relevante' de estados, diz secretário da Fazenda O secretário-executivo do Ministér...
Proposta do governo para baixar preço do diesel foi aceita por número 'relevante' de estados, diz secretário da Fazenda O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou nesta sexta-feira (27) que um número "relevante" de estados aceitou a proposta do governo federal para conter a forte alta dos preços do diesel, causada pela guerra no Oriente Médio. O secretário não especificou quais governadores concordaram com a proposta, que prevê um auxílio de R$ 1,20 por litro de diesel importado até o fim de maio, dividido igualmente entre União e estados. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 “Um número relevante de estados já sinalizou positivamente para a proposta, o que é muito importante para que possamos avançar de forma coordenada”, disse, após reunião do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) e do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em São Paulo. Os estados que ainda não se posicionaram terão até a próxima segunda-feira (30) para enviar um parecer final. A expectativa, segundo Ceron, é que a medida seja publicada entre segunda e terça-feira da próxima semana. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ceron também destacou o tom das negociações. “Foi um debate longo, mas de altíssimo nível. Estamos buscando realmente entender e compreender o momento que estamos vivendo”, afirmou. Segundo ele, o governo tem atuado com urgência diante dos impactos da alta do petróleo. “É uma guerra da qual o país não participa diretamente, mas que traz impactos relevantes. O aumento do preço do petróleo afeta o diesel, que impacta a produção rural, os caminhoneiros, o transporte e a logística, e isso acaba sendo repassado para toda a sociedade”, disse. O secretário lembrou que já foram adotadas medidas como a zeragem de tributos e subsídios, mas que ainda há necessidade de ações adicionais, especialmente na importação. “O Brasil exporta petróleo, mas ainda importa cerca de 30% do diesel que consome. Há uma preocupação com a incerteza nessa importação, que pode gerar problemas pontuais na distribuição, especialmente no setor rural”, explicou. Para ele, a proposta em discussão busca justamente reduzir esses riscos. “Não se trata de retirada de tributos dos estados, mas de uma medida conjunta para apoiar a população, os produtores rurais e os caminhoneiros, evitando que esse choque de preços chegue com força à ponta”, disse. Resistência dos estados e impacto fiscal A proposta inicial do governo previa zerar o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, com compensação de metade das perdas pela União. A medida poderia custar cerca de R$ 3 bilhões por mês, com ressarcimento de R$ 1,5 bilhão aos estados. No entanto, o Comsefaz rejeitou a redução do ICMS, argumentando que a medida prejudica receitas para serviços públicos e que cortes no imposto nem sempre chegam ao consumidor final. O governo também pediu maior colaboração dos estados na fiscalização, como o envio de notas fiscais em tempo real à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a lista de devedores contumazes. Além disso, já adotou medidas como redução de tributos federais e subsídios ao diesel. Postos e distribuidoras ampliam margens de lucro Como o g1 mostrou, distribuidoras e postos de combustíveis aumentaram significativamente suas margens de lucro no Brasil após o início da guerra entre EUA e Irã, mesmo com medidas do governo para conter a alta dos preços. Levantamento do Ibeps mostra que, desde o fim de fevereiro, as margens subiram mais de 30% em média. Esse aumento se refere apenas à fatia de lucro de distribuidoras e postos — não ao preço total pago pelo consumidor. A alta acompanha a disparada do petróleo no mercado internacional, que já elevou o preço do diesel em cerca de 20% em duas semanas. Ainda assim, o crescimento das margens não é novo e vem desde 2021, impulsionado pela volatilidade de preços (na época do PPI) e pela privatização de empresas como a BR Distribuidora. O conflito no Oriente Médio provocou uma disparada no preço do petróleo com o fechamento de rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial. Com isso, o diesel mais caro impacta toda a economia — encarecendo transporte, alimentos, energia e o agronegócio. Operação da PF combate a prática de preços abusivos Nesta sexta-feira, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação em 11 estados e no Distrito Federal para investigar possíveis preços abusivos de combustíveis. A ação, chamada “Vem Diesel”, contou com apoio da Secretaria Nacional do Consumidor e da ANP, e mirou práticas como aumentos injustificados nas bombas, combinação de preços entre concorrentes e outras condutas que prejudiquem o consumidor Segundo as autoridades, preços são considerados abusivos quando sobem sem justificativa, gerando vantagem excessiva — o que fere o Código de Defesa do Consumidor. A fiscalização ocorreu em capitais de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com participação também de Procons. Irregularidades encontradas podem virar investigação policial. A operação acontece após dados indicarem aumento nas margens de lucro de postos e distribuidoras, mesmo com medidas do governo para conter os preços. Enquanto isso, segue o impasse com estados sobre a redução do ICMS dos combustíveis.
Fonte da Reprodução:
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/03/27/proposta-do-governo-diesel.ghtml