R$ 500 mil em espécie e prisões: quem são os presos suspeitos de desvios no tapa-buracos em Campo Grande
Ex-secretário de obras de Campo Grande é preso em operação contra desvios no tapa-buracos A Operação Buraco Sem Fim, deflagrada nesta terça-feira (12), a...
Ex-secretário de obras de Campo Grande é preso em operação contra desvios no tapa-buracos A Operação Buraco Sem Fim, deflagrada nesta terça-feira (12), atingiu a cúpula da infraestrutura de Campo Grande com a prisão de Rudi Fiorese, diretor-presidente da Agesul e ex-secretário de obras da capital. Outras seis pessoas também foram presas suspeitas de desvios. Veja o vídeo acima. A investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) mira um esquema de corrupção e desvios de R$ 113 milhões em contratos de tapa-buracos em Campo Grande, onde o grupo é suspeito de forjar medições para receber por serviços não realizados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Além de Rudi, veja quem são os outros presos: Edvaldo Aquino Antonio Bittencourt Mehdi Talayeh Erick Antônio Valadão de Paula Fernando de Souza Oliveira Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa A ação também apreendeu R$ 429 mil em dinheiro vivo. Os mesmos presos nesta terça-feira já foram alvos de operações antigas do MPMS, que também apurava desvios em obras públicas e prestações de serviços. Em nota enviada, a Prefeitura de Campo Grande informou que os contratos referem-se a "manutenção de vias pavimentadas firmados desde 2017, em gestão passada". Porém, o MPMS informou que as investigações de fraudes miraram contratos e aditivos firmados entre 2018 e 2025. Leia a nota da prefeitura na íntegra mais abaixo. ⚠️Parte dos alvos detidos nesta terça-feira já havia sido investigada em 2023 na Operação Cascalhos de Areia, que apurou desvios de R$ 300 milhões em contratos de máquinas e vias não pavimentadas. Entre os nomes que se repetem nas investigações do MPMS estão o ex-secretário Rudi Fiorese, o engenheiro Mehdi Talayeh e outros dois servidores da Sisep, Erick Antônio Valadão de Paula e Fernando de Souza Oliveira. Rudi Fioresi e Mehdi Talayeh Arquivo TV Morena Quem são os presos na operação 'Buraco Sem Fim'? Rudi Fiorese Rudi Fiorese é ex-secretário municipal de Obras de Campo Grande e ocupa o cargo de diretor-presidente da Agesul. Ele foi preso por suspeita de participação em fraudes ligadas a contratos de tapa-buracos e manutenção de vias. Ao g1, o advogado Werther Sibut de Araújo disse que aguarda acesso aos autos para se manifestar. Edvaldo Aquino Edvaldo Aquino, segundo o MPMS, é coordenador das ações de tapa-buracos na cidade. Ele também foi preso durante a operação. Após a prisão, a prefeitura publicou a exoneração do servidor. Werther Sibut de Araújo também defende Aquino, e aguarda o acesso aos autos para se manifestar. Antonio Bittencourt Conforme o Portal da Transparência de Campo Grande, Antonio Bittencourt é dono da Construtora Rial LTDA, que soma mais de R$ 122 milhões em contratos com o município. A defesa, feita pelos advogados Ricardo Machado e William Macksoud, informou que ainda não teve acesso aos autos e só irá se manifestar após analisar o conteúdo. Mehdi Talayeh Mehdi Talayeh é engenheiro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e foi preso na operação. Após a prisão, a prefeitura publicou a exoneração do servidor. A defesa, representada pelo advogado João Vitor Comiran, afirmou que ainda não teve acesso aos fatos. Erick Antônio Valadão de Paula Erick Antônio Valadão de Paula é um dos investigados e teve mandado de prisão cumprido nesta terça-feira. Ao g1, o advogado Fábio de Melo Ferraz disse que ainda vai se inteirar do caso e não soube informar quando o cliente será levado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol). Fernando de Souza Oliveira Fernando de Souza Oliveira também foi preso durante a operação. Ele é defendido pelo advogado Fábio de Melo Ferraz, que informou que continua reunindo informações para se posicionar oficialmente. Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa A defesa de Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa não foi encontrada até a última atualização desta reportagem. Contratos de R$ 113 milhões e apreensão de dinheiro na operação Gecoc e Gaeco encontraram mais de R$400 mil em espécie em casas de alvos da operação Buraco Sem Fim. Divulgação/MPMS Segundo o MPMS, a empresa investigada recebeu mais de R$ 113,7 milhões em contratos e aditivos firmados com a Prefeitura de Campo Grande entre 2018 e 2025. Conforme a investigação, o grupo manipulava medições de serviços para justificar pagamentos irregulares em contratos de tapa-buracos. A apuração é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Durante a operação, foram apreendidos R$ 429 mil em dinheiro em dois endereços ligados aos investigados. Em um imóvel relacionado a um servidor, os agentes encontraram R$ 186 mil em espécie. Outros R$ 233 mil foram localizados em outro endereço alvo das buscas. Presos já foram alvos de operação em 2023 g1 em 1 Minuto Mato Grosso do Sul: motorista é alvo na operação "Cascalhos de areia" Parte dos presos desta terça-feira também já havia sido alvo da operação “Cascalhos de Areia”, deflagrada em 2023 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Na ocasião, o MPMS investigava uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar contratos de manutenção de vias não pavimentadas e de locação de máquinas e veículos para a Prefeitura de Campo Grande, em contratos firmados entre 2017 e 2022. Entre os investigados daquela operação estavam: Rudi Fiorese (ex-secretário da Sisep); Mehdi Talayeh (engenheiro da Sisep); Erick Antônio Valadão de Paula (servidor da Sisep); Fernando de Souza Oliveira (servidor licenciado da Sisep). Segundo a investigação de 2023, o grupo teria movimentado mais de R$ 300 milhões em licitações e contratos. O contrato que deu origem à apuração havia sido assinado em 2018. Na época, o MPMS apontou suspeitas de crimes como fraude em licitação, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Governo diz que não é alvo e anuncia exoneração Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul (Seilog) informou que o governo estadual não é alvo da investigação e que Rudi Fiorese é investigado por fatos relacionados ao período em que atuou na prefeitura. A pasta afirmou ainda que ele será exonerado. "A Seilog esclarece que tomou conhecimento da operação, que apura contratos do Município de Campo Grande, e que não é alvo da investigação. O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe. A Seilog, comprometida com lisura e transparência na administração pública, acompanha o desenrolar da investigação, e já tomou as providências necessárias, com exoneração do servidor". O g1 procurou a Prefeitura de Campo Grande, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O ex-prefeito e atual vereador Marquinhos Trad, que não é investigado, afirmou: "Não há como me manifestar de algo que não sou investigado e nem conhecimento tenho". Veja vídeos de Mato Grosso do Sul