cover
Tocando Agora:

Recorde de casos de AIDS, falhas no saneamento e alerta na vacinação infantil: veja pontos do Plano Municipal de Saúde de Natal

Teste de HIV Rovena Rosa/Agência Brasil O novo Plano Municipal de Saúde de Natal 2026-2029 aponta um cenário de alertas na saúde pública da capital potigua...

Recorde de casos de AIDS, falhas no saneamento e alerta na vacinação infantil: veja pontos do Plano Municipal de Saúde de Natal
Recorde de casos de AIDS, falhas no saneamento e alerta na vacinação infantil: veja pontos do Plano Municipal de Saúde de Natal (Foto: Reprodução)

Teste de HIV Rovena Rosa/Agência Brasil O novo Plano Municipal de Saúde de Natal 2026-2029 aponta um cenário de alertas na saúde pública da capital potiguar, com destaque para o recorde de casos de AIDS em adultos em 2024, cobertura vacinal infantil abaixo das metas do Ministério da Saúde, aumento de arboviroses como dengue e chikungunya e problemas estruturais em áreas como saneamento básico e atenção primária. O documento foi aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde e publicado no Diário Oficial do Município de Natal de terça-feira (11). O texto reúne dados demográficos, epidemiológicos, assistenciais e de financiamento e servirá de base para as metas da rede municipal nos próximos quatro anos. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp Entre os pontos que mais chamam atenção está o crescimento dos casos de AIDS em adultos. Segundo o plano, Natal registrou 431 casos em 2020, 493 em 2021, 481 em 2022, 541 em 2023 e 733 em 2024. É o maior número da série apresentada no documento. Além da AIDS, o plano também aponta aumento de outras infecções sexualmente transmissíveis. A sífilis adquirida saltou de 729 casos em 2020 para 1.818 em 2024. Já as hepatites virais passaram de 102 casos em 2020 para 191 em 2024. A sífilis congênita apresentou queda ao longo dos anos, mas ainda manteve patamar alto, com 205 casos em 2024. Cobertura vacinal abaixo da meta Outro sinal de preocupação está na vacinação infantil. O próprio plano reconhece que o município não alcançou os percentuais de cobertura exigidos para várias vacinas do calendário básico. Em 2024, os índices informados foram os seguintes: BCG: 91,6% Hepatite B em crianças até 30 dias: 86,6% Pentavalente: 76,4% Poliomielite: 76,3% Poliomielite aos 4 anos: 85,4% Tetra viral (varicela): 56% Tríplice viral D1: 87,8% Tríplice viral D2: 62,9% O plano afirma que a situação aumenta o risco de reintrodução e circulação de doenças imunopreveníveis. Também ficaram abaixo do ideal os índices de vacinas mais recentes ou de públicos específicos. A cobertura da vacina da dengue em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos foi de 33% em 2024. Já a vacina contra Covid-19 em crianças de 6 meses a 4 anos teve cobertura de 25,5%. No caso do HPV, o índice chegou a 86,5%, ainda abaixo da meta de 95%. Menos da metade da população tem acesso a esgoto Na área de saneamento, o plano mostra que Natal ainda convive com deficiências significativas, especialmente no esgotamento sanitário. Segundo o documento: 90,1% da população é atendida por abastecimento de água 74.883 habitantes, o equivalente a 9,54% da população, não têm acesso à água Apenas 43,7% da população é atendida por esgotamento sanitário 98,9% da população é atendida por coleta de resíduos domiciliares 8.096 habitantes seguem sem coleta de lixo O plano também faz uma ressalva sobre a vulnerabilidade de várias áreas da cidade a alagamentos e inundações, citando regiões no entorno de canais, lagoas de transbordo e trechos sujeitos à elevação do nível do mar. Entre os pontos citados no documento estão áreas da Avenida Afonso Pena, Rua Almino Afonso, Planalto, Passo da Pátria, Comunidade do Jacó, Cidade Nova, Jardim Progresso, Vila de Ponta Negra, além de trechos da orla de Ponta Negra, Via Costeira, Areia Preta, Santos Reis, Rocas e Ribeira. Dengue disparou em 2022 e voltou a subir em 2024 As arboviroses seguem entre os principais desafios apontados pelo diagnóstico da prefeitura. Os casos de dengue saíram de 1.080 em 2020 para 1.166 em 2021, dispararam para 16.227 em 2022, caíram para 3.118 em 2023 e voltaram a subir para 7.072 em 2024. A chikungunya teve 367 casos em 2020, 222 em 2021, 1.745 em 2022, 228 em 2023 e 444 em 2024. Já a zika teve 26 casos em 2020, 39 em 2021, 266 em 2022, 70 em 2023 e 229 em 2024. O plano afirma que o comportamento dessas doenças mostra a necessidade de ações estruturais, articulação entre secretarias e fortalecimento das estratégias de prevenção e controle. Tuberculose segue alta O documento também aponta preocupação com a tuberculose. Os casos de tuberculose pulmonar chegaram a 490 em 2024, ante 473 em 2020, 421 em 2021, 463 em 2022 e 448 em 2023. Quando consideradas todas as formas da doença, os registros foram de: 555 em 2020 482 em 2021 565 em 2022 518 em 2023 564 em 2024 O dado mais crítico aparece na taxa de cura da tuberculose pulmonar. Segundo o plano, o índice foi de: 62,16% em 2020 54,29% em 2021 58,53% em 2022 55% em 2023 50,64% em 2024 O próprio documento destaca que o percentual está abaixo da meta nacional e internacional, fixada em 85%. Mortalidade infantil O plano admite que Natal ainda não alcança a meta de redução da mortalidade infantil. Foram registrados 103 óbitos infantis em 2020, 135 em 2021, 103 em 2022, 108 em 2023 e 104 em 2024. Os óbitos fetais somaram 110 em 2020, 94 em 2021, 95 em 2022, 81 em 2023 e 75 em 2024. Enquanto isso, o número de nascidos vivos caiu ao longo da série, passando de 10.830 em 2020 para 8.440 em 2024. O que a prefeitura quer fazer até 2029 Entre as metas previstas no plano para os próximos anos estão: construção de 5 unidades básicas de saúde ampliação da cobertura da atenção primária para 85% implantação de um CAPS III na Zona Norte construção de um CAPS infantojuvenil na Zona Norte implantação de uma policlínica na Zona Norte construção de duas UPAs porte 4 conclusão do novo Hospital Municipal implantação de um Centro de Imagem Municipal realização de concurso público revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários reativação e ampliação dos conselhos locais de saúde O plano servirá como base do planejamento da saúde municipal entre 2026 e 2029. Agora no g1