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Remédio de cachorra aplicado por engano em tutora era de uso exclusivo a animais; veterinária admitiu erro à polícia

Tutora vai à Justiça após receber no braço injeção para cachorra em hospital veterinário O medicamento destinado a uma cachorra que foi injetado por enga...

Remédio de cachorra aplicado por engano em tutora era de uso exclusivo a animais; veterinária admitiu erro à polícia
Remédio de cachorra aplicado por engano em tutora era de uso exclusivo a animais; veterinária admitiu erro à polícia (Foto: Reprodução)

Tutora vai à Justiça após receber no braço injeção para cachorra em hospital veterinário O medicamento destinado a uma cachorra que foi injetado por engano no braço da tutora era de uso restrito a animais: o composto identificado como enrofloxacino não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em humanos - entenda abaixo. O caso ocorreu em uma clínica veterinária de Vinhedo (SP) em 2024, e a veterinária que aplicou a injeção admitiu o erro à Polícia Civil após o procedimento, segundo depoimentos feitos à Polícia Civil. Em nota, a clínica apontou que o fato foi isolado e prestou assistência imediata à cliente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp ➡ O episódio aconteceu na noite de 13 de janeiro, quando a vítima levou a cachorra Olívia ao Hospital Veterinário Pet Son após o animal apresentar dor intensa em uma das patas. A veterinária responsável pelo atendimento sugeriu a aplicação de medicamentos injetáveis no animal. A cachorra estava no colo da tutora no momento da aplicação, e a profissional injetou o conteúdo da seringa no braço da mulher por acidente. Os depoimentos foram realizados em outubro e novembro de 2024. Eles estão disponíveis no processo de indenização protocolado pela vítima em maio de 2026, com valor de R$ 52.357,18 somando pedidos por danos materiais e morais. Medicamento de uso animal Tutora recebeu, por engano, injeção que deveria ser aplicada em cachorra em clínica de Vinhedo (SP). Câmera de segurança | Reprodução/TJ No processo, o medicamento é identificado como enrofloxacino, indicado para uso em animais. Em depoimento à Polícia Civil, um dos sócios da clínica veterinária afirmou que ele é de uso veterinário, pertencente a um grupo de medicamentos também usados em humanos, e que a baixa dose "não faria mal algum". "O antibiótico que foi utilizado pertence a um grupo de quinolona. É um grupo de antibióticos, onde dentro desse grupo a gente tem enrofloxacina, ciprofloxacina, norfloxacina entre outros derivados. Então é um grupo, uma classe de medicação que é utilizada na medicina e na medicina veterinária, né? Como uma infecção de urina se trata com uma ciprofloxacina, na medicina veterinária a gente usa enrofloxacina", disse o sócio. ➡ O composto enrofloxacino consta como um antimicrobiano registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para uso em animais, como aves, bovinos, suínos, cães e gatos. 🔎 Na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), porém, não há registro de remédios com a substância para uso em humanos. ❗ Em relação à classe de medicamentos, a Anvisa emitiu o alerta nº 12019 em 2019 dizendo que as fluoroquinolonas (como ciprofloxacino e norfloxacino) usadas em humanos podem estar associadas a "reações adversas raras, graves, incapacitantes e potencialmente irreversíveis, envolvendo tendões, músculos, articulações e o sistema nervoso central". No alerta, a agência informou que as reações podem ocorrer horas ou semanas depois da exposição às fluoroquinolonas, e que pacientes devem procurar atendimento médico imediato caso apresentem sintomas como dor, queimação, formigamento, dormência ou fraqueza. De acordo com o processo, a tutora sentiu dor e ardência no braço logo após a aplicação da injeção e procurou atendimento na Santa Casa de Vinhedo, onde recebeu medicação para conter a reação alérgica. Dias depois, ela buscou novo atendimento, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde realizou exames e deu continuidade ao tratamento com antibióticos e corticoides por conta do edema formado no braço. O que dizem os depoimentos? A veterinária explicou que assumiu o plantão às 20h e atendeu a cachorra, suspeitando de uma possível picada de aranha porque o animal não conseguia apoiar a pata. Para o tratamento, a profissional recomendou duas injeções: um anti-inflamatório/analgésico e um antibiótico. Segundo ela, a cachorra ficou muito agitada após a primeira injeção e a tutora a segurou no colo para a segunda aplicação, apesar de ter sido orientada a mantê-la na mesa. Essa versão é contestada pela vítima, que afirmou que não houve essa orientação durante o atendimento. A veterinária também disse que, por conta da agitação do animal no colo da tutora, ocorreu o acidente e a agulha atingiu o braço da mulher. A versão da vítima não condiz com essa afirmação: segundo ela, a cachorra sentia dor mas estava calma e não se mexeu. Depois da aplicação, a profissional descartou a agulha e sentou-se para digitar a receita. Ela afirmou à polícia que não percebeu imediatamente o erro, e foi avisada pela tutora que levantou o braço e mostrou o inchaço. O que diz o hospital veterinário? A clínica afirmou que o caso foi um episódio isolado, ocorrido em 2024, e que houve acompanhamento e assistência desde o início. Destacou que atua há mais de 13 anos em Vinhedo sem registros semelhantes. Confira, abaixo, a nota na íntegra: "A Clínica Veterinária Pet Son informa que o episódio atualmente divulgado em redes sociais e veículos de comunicação se refere a um fato isolado ocorrido em 2024 e que, desde o primeiro momento, a situação recebeu acompanhamento e assistência por parte da equipe responsável. A clínica atua há mais de 13 anos na cidade de Vinhedo, sempre pautando sua conduta pelo atendimento humanizado, respeito aos animais, responsáveis e colaboradores, jamais tendo registrado episódio semelhante em sua trajetória. Em razão da existência de demanda judicial em andamento, e em respeito ao regular andamento processual, a clínica entende não ser adequado antecipar discussões técnicas ou jurídicas sobre o caso neste momento. Esclarece-se, ainda, que foi proferida decisão judicial determinando a proibição de compartilhamento, reprodução ou divulgação da mídia audiovisual relacionada ao caso, com fixação de multa diária em caso de descumprimento. Diante disso, solicita-se respeitosamente que terceiros se abstenham de republicar ou compartilhar o referido conteúdo audiovisual em redes sociais, aplicativos de mensagens ou quaisquer plataformas digitais, em observância à determinação judicial vigente. A Pet Son reafirma sua confiança na adequada apuração dos fatos pelas vias institucionais competentes e permanece à disposição para os esclarecimentos pertinentes." VÍDEOS: tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas