Sexo depois dos 50 para os homens: o que muda e como lidar com as transformações do corpo
Sexo depois dos 50 anos: o que realmente muda para os homens? Alterações hormonais, doenças crônicas, questões emocionais e transformações na resposta se...
Sexo depois dos 50 anos: o que realmente muda para os homens? Alterações hormonais, doenças crônicas, questões emocionais e transformações na resposta sexual podem impactar o desempenho e o desejo sexual masculino após os 50 anos e, em alguns casos, servir até como sinal de alerta para problemas de saúde mais amplos. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que entender essas mudanças e buscar acompanhamento médico são passos fundamentais para manter uma sexualidade ativa e satisfatória na maturidade. “O organismo como um todo vai envelhecendo e sofrendo a ação natural do tempo. O sistema vascular e o sistema nervoso passam por mudanças. Podem ocorrer alterações hormonais e metabólicas e há aumento do período refratário - o tempo necessário para o homem conseguir uma nova ereção após o orgasmo”, explica o urologista Gustavo Marquesine Paul, coordenador do Departamento de Andrologia, Reprodução e Medicina Sexual da Sociedade Brasileira de Urologia. Para a psicóloga especialista em Gerontologia Valmari Cristina Aranha, membro da Comissão de Formação Gerontológica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o envelhecimento também pode abrir novas possibilidades. “Envelhecer não significa perder a vida sexual. Ao contrário, pode ser uma oportunidade de reinventar a sexualidade e descobrir novas formas de satisfação”, afirma. Sexo depois dos 50 para os homens: o que muda e como lidar com as transformações do corpo Adobe Stock Mudanças físicas e hormonais fazem parte do processo Apesar de os homens continuarem a produzir espermatozoides até cerca de 90 anos de idade, eles perdem, em média, cerca de 1,2% de testosterona a cada ano, já a partir dos 40 anos. Por isso, na faixa dos 60, os homens costumam ter cerca de 25% a menos de testosterona do que tinham antes dos 40 anos. Reposição da testosterona em homens: entenda os riscos do uso abusivo Após os 50 anos, o corpo masculino passa por mais transformações que podem influenciar a resposta sexual. Entre elas estão alterações no fluxo sanguíneo, redução da sensibilidade genital, mudanças hormonais — como a queda da testosterona já iniciada após os 40 anos — e doenças metabólicas, como diabetes. Paul explica que nem todas as mudanças significam perda de interesse sexual. “O desejo espontâneo tende a reduzir com a idade, mas isso não significa falta de interesse. O que ocorre é uma transição para o desejo responsivo, que depende mais do contexto, da intimidade e do estímulo adequado”, afirma. Segundo Aranha, fatores ligados ao estilo de vida têm grande impacto. “Alterações decorrentes de hábitos não saudáveis, como tabagismo, sedentarismo e obesidade, além de doenças cardiovasculares e questões de saúde mental, interferem na capacidade de manter uma vida sexual saudável”, afirma. Dificuldade de ereção não deve ser ignorada Embora seja comum surgirem queixas relacionadas à ereção, os especialistas alertam que o problema não deve ser encarado como consequência inevitável da idade. “A disfunção erétil está muito mais relacionada a comorbidades, como diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade e fatores psicológicos, do que à idade em si”, afirma Paul. O urologista destaca que a dificuldade de ereção pode indicar problemas mais sérios. A disfunção erétil pode ser o primeiro sinal clínico de doenças como diabetes ou problemas cardiovasculares. O homem com disfunção erétil hoje é aquele que pode ter um AVC ou um infarto agudo do miocárdio daqui a alguns anos, alerta o médico. Estima-se que a ejaculação precoce atinja de 25% a 30% dos homens no Brasil. Alguns homens com a condição e sem outros problemas sexuais ou de saúde tendem a controlar melhor a ejaculação com a idade. Mas sem tratamento, a maioria permanece com o problema, apesar do amadurecimento, explica a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Carmita Abdo. A disfunção erétil também apresenta índices crescentes no país, principalmente a partir dos 40 anos, em função de diferentes doenças. Cerca de 45% dos homens acima dessa idade dizem não estar satisfeitos com a qualidade da ereção porque percebem que perderam algum grau de rigidez. Antes dos 40 anos, os índices de disfunção erétil variam bastante e podem estar relacionados a diversos fatores, como sexo virtual e iniciação sexual presencial tardia, entre outros, acrescenta Abdo. Os índices de ejaculação precoce e disfunção erétil observados no Brasil coincidem com os registrados em outros países. Doenças, medicamentos e saúde mental influenciam o desempenho Doenças crônicas e o uso de medicamentos de uso contínuo também podem interferir na libido, na ereção e na ejaculação. Antidepressivos, remédios para hipertensão e medicações para transtornos psiquiátricos são alguns exemplos citados pelos especialistas. “Se a pessoa usa uma medicação que interfere na vida sexual, é importante conversar com o médico e avaliar prioridades e possibilidades de ajuste”, orienta Aranha. Ela reforça que nunca se deve suspender tratamentos por conta própria para melhorar o desempenho sexual. Além das questões físicas, a saúde mental exerce papel decisivo. “Alguém ansioso, entristecido ou deprimido não tem energia para pensar na sexualidade. A saúde mental é fundamental para o prazer em qualquer fase da vida”, afirma. Orgasmo, ejaculação e expectativas também mudam Com o envelhecimento, é comum que o orgasmo se torne menos intenso, que o volume seminal diminua e que o intervalo entre uma relação e outra aumente. Essas mudanças fazem parte do processo natural de envelhecimento e não significam, necessariamente, perda de prazer ou satisfação sexual. Aranha destaca que o conceito de sexualidade pode se ampliar com o tempo. “Uma vida sexual ativa e prazerosa depende de intimidade, carinho, afeto e autoconhecimento. A sexualidade não precisa estar limitada apenas ao ato sexual com penetração”, afirma. Estilo de vida e acompanhamento médico fazem diferença Mudanças de hábitos são consideradas essenciais para a saúde sexual masculina. Atividade física regular, controle do peso, sono adequado, alimentação equilibrada, parar de fumar e reduzir o consumo de álcool têm impacto direto e comprovado, segundo os especialistas. Paul ressalta ainda a importância do acompanhamento médico e reforça que as queixas sexuais podem ser levadas ao urologista em qualquer momento da vida. Prazer e satisfação continuam possíveis Apesar das transformações naturais, os especialistas reforçam que a sexualidade não tem prazo de validade. “Não há limite para se ter uma vida sexual ativa. O que existem são condições clínicas e emocionais diferentes e adaptações ao longo da vida”, afirma Aranha. Paul concorda e reforça que informação e cuidado fazem a diferença. “Com comunicação no casal, ajuste de expectativas e tratamentos individualizados, é plenamente possível manter uma vida sexual satisfatória, ativa e prazerosa após os 50 anos.” Envelhecer não significa abrir mão do prazer — mas sim aprender a conhecer melhor o próprio corpo, cuidar da saúde e redescobrir novas formas de intimidade e conexão.