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Violonista Gabriele Leite une simpatia, virtuosismo e sentimento em show que abriu (bem) o festival Queremos! no Rio

A violonista Gabriele Leite toca temas de Chiquinha Gonzaga, Dilermando Reis, Garoto e Villa-Lobos em show no Rio de Janeiro Renan Prado / Divulgação Queremos...

Violonista Gabriele Leite une simpatia, virtuosismo e sentimento em show que abriu (bem) o festival Queremos! no Rio
Violonista Gabriele Leite une simpatia, virtuosismo e sentimento em show que abriu (bem) o festival Queremos! no Rio (Foto: Reprodução)

A violonista Gabriele Leite toca temas de Chiquinha Gonzaga, Dilermando Reis, Garoto e Villa-Lobos em show no Rio de Janeiro Renan Prado / Divulgação Queremos! Festival! ♫ OPINIÃO ♬ Instrumentista paulista formada em violão clássico e radicada em Nova York (EUA) desde 2021, Gabriele Leite já deixou de ser uma promessa para se confirmar um dos maiores talentos do violão brasileiro, se tornando a mais nova descendente de linhagem nobre de ases que inclui virtuoses como Garoto (1915 – 1955), Dilermando Reis (1916 – 1977), Baden Powell (1937 – 2000), Raphael Rabello (1962 – 1995), João Camarero, Yamandu Costa e, no time feminino, Rosinha de Valença (1941 – 2004) e Badi Assad. De passagem pelo Brasil neste mês de abril de 2026 para temporada de shows pelo país, a violonista de 28 anos – nascida em fevereiro de 1998 em Cerquilho (SP), cidade do interior do estado de São Paulo – extasiou a plateia que assistiu na noite de ontem, 4 de abril, ao show da instrumentista na abertura da sétima edição do Queremos! Festival! no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ). Conjugando técnica, sentimento e simpatia nas muitas vezes em que se dirigiu ao público, Gabriele Leite seguiu roteiro que encadeou 12 temas de compositores que transitam entre as músicas erudita e popular. A rigor, a violonista paulista foi escalada para abrir o show do cantor Zeca Veloso no festival, se tornando de fato a primeira atração do Queremos! 2026 e extasiando plateia que, em grande parte, somente tinha ouvido falar de Gabriele Leite. Munida do violão virtuoso, Gabriele Leite captura a atenção da plateia do Teatro Carlos Gomes, na abertura do festival carioca Queremos! Mauro Ferreira / g1 Sentada na beira do palco do Teatro Carlos Gomes à frente das cortinas fechadas e com pouca iluminação, a violonista irradiou luz desde que abriu a apresentação com dois temas da pianista e compositora paulistana Lina Pires de Campos (1918 – 2003), “Prelúdio nº 2” e “Ponteio e Toccatina”, ambos gravados por Gabriele no segundo álbum da artista, “Gunûncho” (2025), disco no qual a instrumentista enfatiza a produção autoral feminina. A propósito, Gabriele Leite lembrou no show que o território do violão clássico é historicamente masculino. Em roteiro que abriu espaço para dois temas de Chiquinha Gonzaga, (1847 – 1935), de cuja obra a violonista tocou o maxixe “Corta-jaca” (1895) e a melancólica modinha “Lua branca” (1912), também houve lugar para peças gravadas por Gabriele Leite no primeiro álbum da instrumentista, “Territórios” (2023). Foram os casos de “Ritmata”, tema do compositor Edino Krieger (1928 – 2022), e de “Melodia sentimental” (1958), uma das composições mais conhecidas da obra maestra de Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959). Gabriele encaixou “Melodia sentimental” em suíte que abarcou outros dois temas de Villa, “Estudo nº 11” (1953) e “Mazurka-choro”, parte da “Suíte popular brasileira”, composta em 1908 e publicada originalmente em 1928. Entre o lirismo e o suingue, com mix preciso de técnica e emoção (sem melodrama), Gabriele Leite encarou o intrincado coco “Bate-coxa” (Marco Pereira, 1995), caiu no suingue do samba “Lamentos do morro” (Garoto, 1950) e celebrou a obra do antecessor Dilermando Reis, de quem tocou o choro “Dr. Sabe tudo” (1949) e “Se ela perguntar” (1952). Ao fim da apresentação, Gabriele Leite foi aplaudida de pé, com entusiasmo aparentemente sincero, por um público que estava ali para ver a estreia do show de lançamento do álbum “Boas novas”, de Zeca Veloso, mas que se encantara com a performance da instrumentista. Já longe de ser uma promessa no universo da música clássica, a rigor quase sempre amalgamado com a música popular, Gabriele Leite é um talento assombroso do violão brasileiro. Gabriele Leite se apresenta no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ), antes do show do cantor Zeca Veloso Renan Prado / Divulgação Queremos! Festival!